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Greve Global Pelo Clima | Contra Bolsonaro, militares e o agronegócio, lutemos com os trabalhadores e os indígenas!

O governo Bolsonaro e Mourão atua ativamente para a destruição de ecossistemas inteiros no Brasil. Seu objetivo é presentear o agronegócio com mais e mais pasto. Lutemos como os valentes indígenas e os trabalhadores, que protagonizam importantes lutas no país.

Maria ElizaEstudante de Biologia da UFMG

terça-feira 21 de setembro | Edição do dia

Os indígenas, em frente ao STF, esbravejando que se o Marco Temporal for aprovado eles só sairão das suas terras se forem assassinados, é a expressão mais cabal de que aos setores explorados e oprimidos pelo capitalismo o que realmente interessa é a preservação e a conservação do meio ambiente, como condição da proteção da sua própria vida. Mas aos latifundiários, aos militares, a Bolsonaro, Mourão, e inclusive a setores que se dizem oposição vez ou outra, é bastante interessante que o meio ambiente continue sendo tratado como fonte “inesgotável” de lucro, obtido pela exploração de trabalho humano, com cortinas de semi-escravidão em pleno século XXI.

A juventude, com o início de sua a vida atravessada pela pandemia do século, olha o céu cinzento e se revolta com a sua perspectiva de futuro: sem direito à educação; sem empregos ou com empregos precários, informais e terceirizados; com a negação cotidiana pelo Estado ao seu direito ao próprio corpo, à sua sexualidade e escolha de gênero; sem dinheiro, opções de lazer, acesso à saúde e… sem direito sequer a respirar dignamente, submetida às oscilações de temperatura, vendo as mais variadas formas de vida tristemente serem destruídas pela ganância capitalista.

Bolsonaro acaba de falar na ONU sobre uma suposta redução de combustíveis fósseis, avanço em saneamento básico, agricultura sustentável, legislação ambiental e código florestal exemplares, geração de energia de fonte renovável e pasmem: barateamento dos alimentos. Não podia deixar, é claro, de dizer que considera que os indígenas têm terras demais e que eles mesmos desejam devastar as florestas com agricultura irracional, como faz o agronegócio.

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No país dos crimes de Mariana e Brumadinho, cometidos pela mineradora Vale, do derramamento de óleo nas praias do Nordeste e de apagões em plena pandemia como foi o drástico caso do Amapá, o discurso do presidente deu peso para as privatizações. Suas palavras parecem uma sádica piada: “O futuro do emprego verde está no Brasil: energia renovável, agricultura sustentável, indústria de baixa emissão, saneamento básico, tratamento de resíduos e turismo.”.

A verdade é que esse país só existe para os barões do agronegócio, que inclusive se refugiam em paraísos naturais enquanto todos os dias aspiramos fuligem das queimadas e amargamos o calor ou o frio intensos devido aos efeitos do aquecimento global agravado pelos hectares e hectares de criação de um gado que os trabalhadores não têm dinheiro para consumir. Esse é o preço caro que cobra a principal base empresarial de sustentação de Bolsonaro hoje, e a conta é descarregada sobre nossas costas.

As últimas manifestações do 7 de Setembro mostraram dificuldade do bolsonarismo em mobilizar a quantidade de reacionários que gostaria, mas também mostram que existe uma extrema-direita organizada nas ruas que exige uma força à altura para combater. Num momento em que setores patronais, industriais e bancários faziam até cartas de críticas a Bolsonaro, o agronegócio foi o fiel, com uma parte se negando a se aliar aos dissidentes, injetando dinheiro nas manifestações bolsonaristas e articulando inclusive um lockout inquestionavelmente patronal de caminhoneiros em defesa do governo.

Ao mesmo tempo, se acirram disputas com a oposição de direita ao presidente, que conseguiu mais adeptos para a bandeira do impeachment (que tem protagonismo dos inimigos dos trabalhadores e do povo e levaria Mourão ao poder) apesar do fracasso das manifestações do último dia 12 convocadas pelo MBL. Vale ressaltar que essa oposição de direita é também algoz dos indígenas, dos trabalhadores e do meio ambiente, concordando com Bolsonaro no que tange os ataques e as privatizações.

O plano internacional é um dos fatores fundamentais para essas cartas: também na ONU, Bolsonaro anuncia o leilão do 5G, aumentando a tensão com Biden e os países imperialistas, que fazem demagogia verde com o Brasil para mascarar seus interesses espoliadores e ecocidas. A síndrome de capacho dos EUA que tem Bolsonaro não desconsidera as relações materiais entre agronegócio, os militares e a China, país que se desenvolveu como uma das principais potências do mundo também sob as custas das importações da soja brasileira, que nasce como fênix sobre a terra arrasada pelo fogo ruralista assassino.

Em que pese as diferenças entre os governos como o de Biden e o Bolsonaro, ou mesmo entre as alas bolsonaristas e as de “terceira via” no degradado regime brasileiro, é preciso pontuar uma caracterização comum: em todo o mundo, seja com cara “democrata” e “verde” ou não, os capitalistas e seus governos, seus políticos, juízes, ministros, sua polícia e os seus partidos são culpados pela crise ecológica global. Eles podem pegar um foguete e visitar outros planetas, enquanto nosso povo e nossa classe morre ou é detido nas fronteiras entre seu país e outro quando os efeitos das mudanças climáticas ameaçam séria e diariamente suas vidas.

No entanto, o fator mais determinante dentre os componentes dessa crise é a luta de classes, que é o campo da ação contra os ataques. Nesse âmbito se encontram na linha de frente os indígenas e os trabalhadores, protagonizando lutas heróicas como o acampamento indígena contra o Marco Temporal do STF e de Bolsonaro, e a Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília, mas também greves em categorias dos setores público e privado, como construtores, rodoviários, metalúrgicos, profissionais da saúde, radialistas dentre outros.

Essa força em movimento não pode ser desperdiçada, pois nela está a oportunidade de virar o jogo e colocar Bolsonaro, militares, ruralistas e a corja de inimigos dos trabalhadores e do povo na parede. Não é difícil imaginar, após ver ou presenciar as cenas da combatividade que se expressou nessas lutas, a potência que teria se elas fossem unificadas. Se os trabalhadores estão sofrendo com a degradação ambiental e com os ataques (que, vale ressaltar, os patrões têm mais condições de aplicar conforme se fortalecem setores do agronegócio, por exemplo) porque os sindicatos não giram suas forças para unificar trabalhadores e indígenas em luta contra o Marco Temporal? Que força não teria a luta contra as privatizações e as demissões, por salário e PLR, por exemplo, se essas bandeiras fossem levantadas também pelo batalhão heróico de indígenas das aldeias e das cidades?

Os estudantes e os jovens desempregados apenas podem respirar “aliviados” se lutam com os trabalhadores e indígenas. A perspectiva distópica, de um futuro em que viver parece um fardo, pode dar lugar a uma esperança contagiante se nos organizamos para que nossas forças estejam a serviços desses setores da linha de frente, e que levantemos juntos nossas reivindicações, com dias de luta unificados, como poderia ser o próximo dia 2 de Outubro, quando estão convocadas manifestações.

A classe trabalhadora, que pode reorganizar e controlar o mundo a serviço das necessidades humanas e do planeta, pode implementar um programa transicional que enfrente os lucros capitalistas e forneça aos indígenas, ambientalistas, cientistas, populações atingidas pelos problemas ambientais, etc, as melhores condições de freiar e reverter os efeitos da crise ecológica global. Mas isso, no Brasil, não tem outro caminho possível senão o da luta unificada entre os trabalhadores, os indígenas e todos os oprimidos, colocando sindicatos e entidades estudantis a serviço dessa unidade e dessa luta contra Bolsonaro, os militares e o agronegócio.

Somos jovens estudantes e trabalhadores que se recusam a aceitar a destruição do planeta, se recusam a ver o conhecimento das universidades à serviço das grandes empresas e serem condenados a condições de miséria, por isso nos aliamos à única classe que tudo produz e na qual está concentrada a principal contradição desta sociedade baseada na exploração e nas opressões: a classe trabalhadora, para poder, contra todo nevoeiro distópico, batalhar por um caminho de superação do sistema capitalista. Afinal, não foi a humanidade que nos trouxe a esta degradação ambiental, mas o sistema capitalista.

Com essa perspectiva encaramos os desafios para a luta ecológica no Brasil, com destaque para a Greve Global pelo Clima no próximo dia 24/9. Apresentaremos um manifesto das juventudes que compõem a Fração Trotskista pela Quarta Internacional e o discutiremos em uma plenária aberta no dia 25/9, às 16h, pelo Zoom. Convidamos a todes a se somarem.

Participe da plenária sobre manifesto internacional marxista na luta ambiental

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