Educação

FLEXIBILIZAÇÃO DA QUARENTENA

Escolas particulares anunciam reabertura em meio a mais de 1 milhão de casos de Covid-19

Recentemente vem acontecendo um movimento por parte dos governos estaduais em retomar as aulas presenciais. Quarta-feira (24), Doria anunciou que pretende abrir as escolas a partir do dia 08 de setembro no estado de São Paulo, mesmo em meio a um cenário catastrófico, com mais de 1 milhão de infectados por covid-19 no país.

sexta-feira 26 de junho| Edição do dia

Desde março, quando a epidemia se alastrou pelo Brasil e a quarentena começou, as aulas presenciais foram canceladas. Porém, recentemente vem acontecendo um movimento por parte dos governos estaduais em retomar as aulas presenciais.

Na última quarta-feira (24), Doria anunciou que pretende abrir as escolas a partir do dia 08 de setembro no estado de São Paulo, mesmo em meio a um cenário catastrófico, com mais de 1 milhão de infectados por covid-19 no país. Isso demonstra de forma escancarada que, ainda que o governador tente se diferenciar de Bolsonaro, ele também despreza nossas vidas e tem um projeto político criminoso.

Isso vem se dando em demais estados também. Escolas particulares em ao menos 7 capitais já confirmaram que retornarão às aulas presenciais. Em 4 capitais, que são Manaus, João Pessoa, Brasília e Fortaleza, as aulas estão previstas para retornar em julho; em 3 capitais, que são Goiânia, Curitiba e São Luís, as aulas estão previstas para retornar em agosto. A proposta é que seja um ensino híbrido, isto é, mesclando aulas presenciais e aulas à distância, portanto, parte dos alunos voltará às escolas e outra parte continuará com o ensino remoto.

Essa medida é claramente um absurdo, o que fez com que os governos se pronunciassem informando que haverá incentivo à prevenção, com álcool em gel disponibilizado, uso de máscaras obrigatório, distanciamento social, etc. Na prática, isso é completamente inviável, pois os trabalhadores ficarão sobrecarregados tendo que vigiar o tempo todo se as crianças e os adolescentes estão cumprindo as medidas de higiene, além de que essas medidas não são 100% eficazes. Na França, por exemplo, as escolas voltaram seguindo um protocolo de segurança e 70 escolas tiveram que ser fechadas em uma semana porque o vírus se espalhou.

O mais importante de refletir sobre essa abertura das escolas é: por que ela está ocorrendo? Nem de longe é por preocupação com a aprendizagem dos estudantes, na verdade, é por pressão das escolas particulares em reabrirem. A postura do presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEE-SP) demonstra bem isso; ele chamou o governo estadual de incompetente por reabrir as escolas só em setembro, pois esperava que reabrissem logo em agosto, e disse que as escolas particulares já estão prontas para o retorno.

Não é nenhuma surpresa que isso fosse ocorrer em algum momento, já que essas escolas têm a educação como mercadoria, servem (mais profundamente do que as públicas) ao sistema capitalista porque produzem mão de obra nova e também são como “depósito de crianças”, já que os trabalhadores não podem estar ocupados com os próprios filhos para poderem se dedicar ao trabalho no capitalismo.

Já no ensino superior, o segundo semestre nas universidades públicas será à distância. As reitorias das universidades estaduais paulistas, Unesp, Unicamp e USP, e a UFSCar (federal de São Carlos) já anunciaram que as aulas continuarão a serem remotas. É uma medida absurda e excludente, visto que muitos alunos não têm condições materiais e nem emocionais para acompanhar as aulas, e, aqueles que têm, ainda encontram dificuldades em aprender porque o ensino é precário.




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