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12 de Setembro | Maíra Machado: "Não vamos marchar ao lado de quem quer aprofundar as reformas"

Confira a declaração da professora Maíra Machado, dirigente do MRT, sobre os atos chamados para o domingo pela direita liberal do MBL e do PSDB.

Maíra MachadoProfessora da rede estadual em Santo André, diretora da APEOESP pela oposição e militante do MRT

sexta-feira 10 de setembro | Edição do dia

"Não endossamos demagogias eleitoreiras vindas de um setor da burguesia que é apoiador das reformas, do autoritarismo contra a esquerda e de uma terceira via liberal para 2022. Nossa unidade é com os trabalhadores e os povos indígenas em luta.

Não marcharemos com a direita liberal do MBL e do PSDB em seus atos no dia 12. Trata-se de uma demagogia eleitoreira vinda de um setor da burguesia que é apoiador das reformas que estão sangrando nosso povo, principalmente após o golpe institucional de 2016, e esses que agora querem se pintar de democráticos apoiaram todas elas. São apoiadores do PL490, do Marco Temporal e do autoritarismo contra os que lutam no campo da esquerda, como vimos nas ordens de prisão do entregador Paulo Galo e do sindicalista Macapá, e como demonstrou Dória quando tentou entregar as ruas ao bolsonarismo e proibir que a esquerda fosse às ruas em São Paulo no dia 7 de setembro. Esse dia 12 faz parte da tentativa de construir uma terceira via de direita e liberal para 2022.

Nesse sentido, a adesão de setores como a CTB, central sindical dirigida pelo PCdoB, explicita sua estratégia eleitoral e sua política de subordinar os trabalhadores à direita liberal. Ao invés de organizar a força de categorias como os metroviarios de SP, os metalúrgicos de diversos locais do país e outras cujos sindicatos são vinculados à CTB, se soma ao chamado da direita liberal para o dia 12 em torno da pauta do impeachment. Além disso, setores minoritárias do PSOL, com figuras como Isa Penna e Sâmia Bomfim, também se mostraram entusiastas dessa unidade com inimigos da classe trabalhadora.

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Isso num contexto de atritos entre Bolsonaro e STF, que não podem nos enganar em pensarmos que o judiciário - que foi parte constitutiva e dirigente do golpe institucional, de seus ataques econômicos e da continuidade de medidas autoritárias que levaram Bolsonaro ao poder - possa exprimir algo de progressismo. Passar pano para o STF e Alexandre de Moraes é fortalecer quem nos persegue achando que, por se oporem a Bolsonaro, são possíveis aliados. Por isso é absurdo o manifesto das Centrais Sindicais e de organizações que se reivindicam de esquerda pedindo para que o Legislativo, o Judiciário, governadores e prefeitos - o conjunto do golpismo e da direita que vêm passando ataques junto com o governo - assumam o protagonismo político nacional contra Bolsonaro.

Opinião

Querem que a disputa se mantenha entre direita e extrema-direita, buscando de todas as formas impedir que nosso ódio do governo e da situação de profunda crise social saia dos limites institucionais e entre no campo da luta de classes. Partidos tradicionais da direita como o PSDB agora assumiram a bandeira do impeachment justamente com esse propósito. Se encontram de mãos dadas na defesa do impeachment, que leva Mourão à presidência, um grande espectro político, que inclui aberrações como Kataguiri e Frota, junto com o PT, PCdoB, PSOL e até mesmo o PSTU. Viemos desde o início denunciando que um processo como esse, encabeçado pela direita do Congresso, com o aval do STF, não tem nada a oferecer para os trabalhadores além de mais ataques.

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A esquerda, as centrais sindicais, o movimento estudantil e os movimentos sociais deveriam estar no terreno da luta de classes enfrentando Bolsonaro e toda essa corja que junto com ele vem aprovando uma série de reformas, privatizações e ataques aos indígenas, e não abdicando de levantar qualquer projeto político independente, entregando o destino do país hoje nas mãos de nossos inimigos e fortalecendo as mobilizações da direita no próximo domingo.

As grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e o PCdoB, ao invés de fortalecerem e unificarem as lutas da nossa classe que surgem pelo país junto da luta dos povos indígenas, que deram um grande exemplo em Brasília, estão em uma trégua que resulta no isolamento de cada um desses processos. Isso porque diretamente buscam manter a estabilidade do regime e transformar as mobilizações em ganho eleitoral para Lula e seus acordos reacionários com a direita em 2022

Confira: | Lula faz campanha eleitoral enquanto Bolsonaro avança nas ameaças golpistas e nos ataques

Por isso, nós do MRT e do Esquerda Diário não iremos às ruas neste dia 12, pelo contrário, é preciso desmascarar essa armadilha e defender contundentemente que não é possível enfrentar Bolsonaro, Mourão e os ataques com essa direita golpista, nem confiando nas instituições do golpe de 2016, como seria o caso do impeachment. Viemos cobrindo de solidariedade e fortalecendo a luta dos povos indígenas em Brasília e greves como a da MRV em Campinas, da Carris em Porto Alegre, da Sae Tower em Betim e da Rede TV em São Paulo. Acreditamos que a esquerda poderia estar fazendo a diferença em processos desse tipo, contribuindo para que se unifiquem e articulando uma exigência conjunta às grandes centrais sindicais, por um plano de luta efetivo contra os ataques, Bolsonaro e essa direita demagógica.

Uma força unificada, da classe trabalhadora com seus aliados em luta, poderia impor uma assembleia constituinte livre e soberana que revogue e anule todas as reformas desde o golpe institucional e coloque nas mãos da maioria da população a decisão sobre grandes temas de interesse de todos, como o combate à fome, ao desemprego e a defesa dos direitos dos setores oprimidos, como as mulheres, indígenas, negros e LGBTQIA+. Um processo assim levaria a uma enorme reação do Estado capitalista, que precisaria de uma resposta à altura, com a auto-organização das massas e de seus próprios organismos de defesa contra a reação burguesa, explicitando a necessidade de batalhar por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo."

Professora Maíra Machado.




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