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7S | Impeachment para entrar Mourão? Precisamos de uma nova Constituinte

Diante dos discursos golpistas nos atos bolsonaristas deste 7 de setembro não podemos apostar na saída do impeachment de Bolsonaro, e sim na força e disposição de luta que vemos nos indígenas, nas greves de trabalhadores que têm acontecido de Norte a Sul do país. Precisamos nos organizar para impor uma nova constituinte que revogue e derrote todos os governos, ataques e reformas.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

quarta-feira 8 de setembro | Edição do dia

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nos últimos tempos temos visto um aumento na retórica e discurso golpista por Bolsonaro, esquentando as disputas intraburguesas na política nacional. Apesar de terem sido menores do que as expectativas e investimentos contavam, os atos bolsonaristas de ontem, no 7 de setembro, contaram com discursos inflamados de Bolsonaro reafirmando que só sai da presidência “preso, morto ou vitorioso”, se direcionando ao Judiciário e STF, e à direita que vem tentando se alçar como oposição ao seu governo.

É neste contexto que justamente a direita, com partidos como o tradicional PSDB, mas também o PSD pela via de Kassab e sua declaração sobre os discursos de Bolsonaro, vêm acenando para a defesa do impeachment de Bolsonaro, querendo se consolidar como principal oposição ao governo federal e estabelecer uma disputa da política nacional que fique entre extrema direita e direita, apesar desta última ainda não ter conseguido lançar um nome que tenha peso e referência.

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Com o objetivo de ser esse nome da chamada terceira via para as eleições de 2022, João Doria, do PSDB, tem feito de tudo. Se posicionando recentemente pela primeira vez a favor do impeachment de Bolsonaro, o governador de São Paulo tenta agora esconder seu passado BolsoDoria nas eleições de 2018, buscando inviabilizar a candidatura de Bolsonaro e abrir espaço para a "terceira via", seu projeto neoliberal para o país.

Entretanto, diante das ameaças golpistas de Bolsonaro e toda a situação de crise que estamos vivendo, não podemos confiar e apostar todas nossas fichas em uma terceira via supostamente mais moderada e democrática, no STF, no Alexandre de Moraes e em demais setores deste regime político que hoje se colocam como oposição ao Bolsonaro, mas que foram parte fundamental do golpe institucional de 2016 que abriu espaço para que rasgassem direitos elementares, e ajudaram Bolsonaro a se eleger nas eleições manipuladas de 2018 em base a fake news. Sem nem dizer que do ponto de vista econômico, seguem juntos na agenda de ataques, privatizações e reformas.

É por isso que nós do Esquerda Diário viemos questionando e não apoiamos o impeachment como saída para a crise do país, como sustentado pelo MBL, pela ultrarreacionária e antiga apoiadora de Bolsonaro, Joice Hasselmann, pelo PT e por toda a esquerda, do PSOL ao PSTU, agora contando com o apoio também de mais um político reacionário como Doria.

O impeachment não é uma alternativa. Colocaria na presidência o Mourão, saudosista da ditadura militar que já declarou que o Brasil herdou “indolência” dos indígenas. Os mesmos indígenas que hoje ocupam Brasília contra o Marco Temporal e o PL 490 demonstrando disposição de força para derrotar os ataques que nos impõem. Façamos como os indígenas estão fazendo agora e durante os mais de 500 anos em que foram oprimidos e explorados. Nos inspiremos em sua força para organizar verdadeiras mobilizações em cada local de trabalho e estudo, questionar e derrotar o governo e cada ataque.

Para isso, é necessário que as centrais sindicais saiam da paralisia para organizar os trabalhadores em cada local de trabalho, com assembleias de base para erguer a força dos trabalhadores em todo o país, e não assinar uma carta que pede que o Legislativo, Judiciário, governadores e prefeitos, ou seja todos os golpistas e a direita, tomem à frente do país contra Bolsonaro. É preciso que os sindicatos, unindo todas as greves que têm ocorrido, os indígenas, coloquem de pé um forte plano de luta que dê um basta às reformas, privatizações, alta dos preços que seguem sendo aprovados por todo o regime, apesar da crise política e disputas entre eles.

A única saída que nós do Esquerda Diário viemos defendendo é que a população trabalhadora, organizada e através da nossa luta, possa impor uma assembleia constituinte livre e soberana, que revogue e anule todas as reformas desde o golpe institucional e coloque nas mãos da maioria da população a decisão sobre grandes temas de interesse de todos, como o combate à fome, o desemprego, o fim do pagamento da dívida pública e os direitos dos setores oprimidos, como as mulheres, indígenas, negros e LGBTQIA+.

Esse processo de luta, que questionaria todo o regime e defenderia uma nova constituinte, como ocorrido em outros momentos da história e em outros países, levaria a uma enorme reação do Estado capitalista, necessitando uma resposta à altura, com a auto-organização das massas, com seus próprios organismos de defesa, processo no qual é necessário batalhar por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

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