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Enquanto faz demagogia com vacina, Doria demite trabalhadoras terceirizadas da área da saúde

Trabalhadoras terceirizadas da Faculdade de Odontologia da USP foram surpreendidas com a notícia de que poderão perder seus empregos em meio à pandemia, fruto da política de precarização da universidade impulsionada por Doria.

segunda-feira 25 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Reprodução/Twitter/jdoriajr

Ao longo das últimas semanas ficou evidente os processos de disputa em torno da vacina entre os atores que compõem o regime brasileiro. Saindo fortalecido dessa disputa, Doria que desde o começo da pandemia quis se apresentar como oposição racional ao bolsonarismo, busca seguir com esse objetivo, apoiando-se na figura de uma trabalhadora negra como a primeira a ser vacinada, sendo que levou a cabo uma política de precarização da universidade e do trabalho que, conjuntamente com as medidas de Bolsonaro, agora podem custar o emprego de dezenas de trabalhadoras terceirizadas da FOUSP (Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo).

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Sendo assim, o mesmo Doria que nesse momento tenta se apresentar como herói, cumpriu um papel importante para atacar a produção científica das universidades, ao passo que garantiu a ampliação da terceirização no estado de São Paulo, que submete milhares de trabalhadoras negras a condições precárias de trabalho. É importante lembrar das suas ações para enxergar sua demagogia quando coloca a figura de uma mulher negra para ser a primeira a ser vacinada, enquanto dá aval para que dezenas de mulheres negras sejam demitidas em meio a uma crise econômica e sanitária que se aprofunda.

Veja também: Entidades estudantis declaram apoio às trabalhadoras terceirizadas da FOUSP contra as demissões

Se a empresa Interativa, atualmente, pode demitir essas mulheres, ela encontrou caminho para isso a partir das Medidas Provisórias de Bolsonaro. Nesse sentido, a alegação da empresa é de que o contrato que eles possuem com a Secretaria de Educação do município se encerraria agora em fevereiro e, com isso, a INTERATIVA não teria o que fazer com os quase 200 funcionários que prestam serviço de limpeza em dezenas de escolas da capital. Como estes funcionários possuem estabilidade até maio deste ano, devido a MP 936, a INTERATIVA havia tomado a decisão, então, de demitir trabalhadores de outros postos para realocar parte desses funcionários nesses locais.

Confira: Sintusp manifesta total solidariedade às trabalhadoras terceirizadas que lutam contra as demissões na USP

Como se não bastassem as dezenas de mortes de trabalhadores registradas, fruto da pandemia e das precárias condições de trabalho que o PSDB e a reitoria impõem à universidade, dezenas de trabalhadoras podem perder seu sustento depois de terem arriscado suas vidas nesses últimos meses. Isso escancara o caráter racista e elitista da universidade, ao mesmo tempo que mostra o destino que a direita reserva às mulheres negras trabalhadoras: a profunda exploração e o desemprego em meio a uma crise sanitária que, por conta da irracionalidade do sistema econômica, não garantirá o acesso universal e gratuito à vacina e outras medidas para combater a pandemia em curso.

As demissões das terceirizadas da FOUSP estão inseridas na política de agenda neoliberal que tem sua aplicação aprofundada desde o golpe institucional de 2016, cujo objetivo foi abrir alas para aprovação da lei de terceirização irrestrita, a reforma trabalhista e da previdência, tendo Temer, STF, a câmara e, agora, Bolsonaro à frente disso. Tais políticas vieram para precarizar ainda mais as condições de vida e trabalho dos trabalhadores para manutenção do lucro da burguesia diante do novo regime de acumulação que se impõem com a crise econômica atual que não encontra qualquer sinal de recuperação.

O preço de cada uma dessas reformas que foram aprovadas (e que ainda serão, tendo em vista o pacote de ataques previstos para o próximo ano), é ainda maior para as mulheres negras, enquanto os empresários seguem lucrando como nunca e economistas apontam o agravamento da desigualdade pela pandemia.

Nessa marco, é preciso dizer não às demissões na FOUSP e combater cada um dos ataques da direita. Desde o Pão e Rosas nos disponibilizamos, junto à juventude à Faísca a fortalecer a luta dessas mulheres contra as ações da Interativa.

Sobre o assunto: Entidades estudantis impulsionam abaixo-assinado contra as demissões na FOUSP




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