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SÃO PAULO

Covas e Doria deixam milhares de famílias desabrigadas com despejos e especulação imobiliária

segunda-feira 13 de julho| Edição do dia

Com centenas de famílias, são entregadores de aplicativos, diaristas e desempregados, sua maioria negros, aqueles que estão sendo despejados, durante a pandemia na grande São Paulo, por Bruno Covas e João Dória.

Imagem: Folha

O prefeito Bruno Covas e o governador João Dória presenteiam, em pleno inverno, milhares de pessoas a ficarem sem casa e a cidade de São Paulo com uma nova ocupação urbana (mais uma). O Parque Novo Mundo, próximo ao município de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, sob a jurisdição da dupla, formou-se a alguns meses e possui data para reintegração de posse (leia-se despejo das famílias) marcada.

Nela, moram pessoas como Paula, 30, diarista desempregada, Thais, 28, operadora de telemarketing que não consegue pagar o aluguel com o salário de fome, Luiz, motorista, Mateus, 25, entregador de aplicativos desempregado - está sem veículo para trabalhar - e Rosileide, 36, operária de pequena fábrica de crachás.
O perfil dos moradores da favela coincide bastante com aquele dos trabalhadores que participaram no Brasil da do 1J, (paralisação Internacional dos entregadores de aplicativos) conforme pesquisa realizada O Observatório da Precarização do Trabalho e da Reestruturação Produtiva do Esquerda Diário.

A economista da UNICAMP Daphnae Helena expõe os dados coletados: “Os dados coletados mostram que, entre os entregadores por aplicativo que estiveram nas mobilizações, a esmagadora maioria é de homens (96%) e possuem idade de até 34 anos (82%). A grande maioria também é composta de negros que representam 67% dos entrevistados - na somatória dos que se reconhecem como pardos ou pretos. Ao passo que 31% se reconhece como branco. A questão racial é marcante e em alguns casos ficou explícita com entregadores que colocavam cartazes em cima das bags de trabalho com os dizeres "as vidas negras importam".

Leia na íntegra: Quem são os entregadores de Apps que estiveram na paralisação do primeiro de junho

Apoiados na pesquisa, não é difícil concluir que a política de despejo é uma política racista de habitação que vem sendo perpetuada governo após governo em São Paulo, com despejos de milhares e centenas de incêndios criminosos de favelas, como na Favela do Moinho na região central ou a Favela do Canão (onde residia o rapper Sabotage), que nunca são investigados com independência e estão dentro de um processo maior de gentrificação das áreas centrais da cidade, em que os pobres são expulsos – pelos incêndios ou pela violência policial de outro tipo - para dar lugar a empreendimentos de grandes incorporadores e imobiliárias, prédios de luxo e shoppings para atender os ricos e milionários da cidade, conforme analisa Grupo de Geografia Urbana Crítica Radical da USP.

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Quem não sabe lembra do projeto “Cidade Linda”, em 2017, de então prefeito João Doria (antes de renunciar ao cargo para se candidatar para governador – algo que disse que não faria) que apagou obras da arte nas paredes do centro de São Paulo, chegando a destruir a maior mural de grafite da América Latina.

Relembre no depoimento de Diana Assunção

Mais de 2500 famílias foram despejadas em São Paulo desde de o início da pandemia, dos dados que temos acesso. Em cidades como Nova York, o governador Coumo e do prefeito De Blasio, ambos do partido Democrata, administram a mesma política racista de habitação em nome dos proprietários e contra os trabalhadores e à população mais pobre. Nos Estados Unidos, formaram-se sindicatos de inquilinos para protestar com greves de alugueis e ações diretas contra os despejos, pelos cancelamentos dos aluguéis enquanto dure os efeitos sociais e econômicos da quarentena e, mais de fundo, contra a especulação imobiliária e gentrificação das cidades pelo capitalismo.

Para saber mais:Cancele o aluguel e acabe com os despejos: Sindicato de inquilinos de NY lutam contra os despejos

Para reverter essa situação, nós devemos exigir dos nossos sindicatos de trabalhadores aqui no Brasil que sigam esses exemplos dos Estados Unidos e incorporem essas pautas e promovam ações, em conjunto com movimentos sociais, de moradores e organizações de esquerda, pelo fim dos despejos e das cobranças de aluguéis em um momento de desemprego em massa e diminuição profunda da renda, que faz com que muitos, nos grandes centros, sejam forçados à viver nas ruas e nas favelas.




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