Sociedade

EM 2016, IMPUNIDADE CONTINUA

Breve retrospectiva há dois meses da tragédia em Mariana

Dois meses da maior tragédia social e ambiental do país e os governos e a Vale, BHP e Samarco continuam impunes.

terça-feira 5 de janeiro de 2016| Edição do dia

Nesta terça-feira, 5 de janeiro, se completam dois meses da maior tragédia social e ambiental do país: a queda da barragem do Fundão em Mariana, um desastre capitalista que atingiu várias cidades dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, desalojou centenas de famílias e ainda contaminou rios da bacia do Rio Doce que abasteciam de água cerca dezenas de municípios.

Veja no link como foi o primeiro mês após a tragédia em matérias que foram publicadas no Esquerda Diário em 2015.

Há dois meses da tragédia: continua a crise no abastecimento de água potável

A lama de rejeitos que atingiu os rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce ainda escoa por esses mananciais e deixa as águas impróprias para o consumo direto. O índice de medição dos sedimentos em suspensão carreados pelos rios (NTU) atualmente está em 2.500, ainda que tenha baixado, esse índice ainda é 83 vezes acima do valor de 30NTU que caracteriza a água como turva.

Os números são dos relatórios do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que monitora a Bacia do Rio Doce e emite boletins periódicos sobre suas condições. A lama que ainda passa por estes rios é responsável por crises e conflitos em vários municípios atingidos pela lama, uns arrasados pela força destruidora, como em Mariana e Barra Longa, outros, deles sem condições de abastecimento de água potável, pesca, pecuária, turismo e mineração, como Governador Valadares, Resplendor, Galileia, Aimorés, Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Ao todo, são 37 municípios afetados em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Campanha pela reestatização da Vale

Contra os interesses nacionais e imperialistas das classes dominantes e seus governos é que impulsionamos com o Esquerda Diário nestes dois meses, uma campanha pela reestatização da Vale sob controle dos trabalhadores. Apenas a expropriação da empresa, sem a indenização para seus antigos donos, é que pode subverter o modelo de espoliação imperialista das riquezas naturais levados a cabo hoje pelos governos petistas e que é responsável por tragédias como a de Mariana. A maioria dos leitores do Esquerda Diário votou em enquete a favor da reestatização da Vale sob controle dos trabalhadores.

Solidariedade internacional

No mês de dezembro, Nicolas Del Caño, quarto colocado nas eleições presidenciais da Argentina e principal referência da esquerda na Argentina, se solidarizou aos trabalhadores e ao povo vítimas da ganância dos capitalistas da Vale, Samarco e dos governos que os representam.

http://www.esquerdadiario.com.br/Nicolas-Del-Cano-se-solidariza-as-vitimas-do-crime-cometido-pela-Vale-Samarco-e-BHP

Somente os trabalhadores podem dar uma resposta à essa tragédia

Após dois meses desta tragédia capitalista provocada pelas mineradoras Vale e Samarco, não houve nenhuma punição aos responsáveis e até a ONU qualificou como “inaceitável” a resposta das empresas e governos frente aos impactos da tragédia até o momento. Milhares de famílias seguem afetadas pela contaminação dos rios, pela falta de abastecimento de água, pelo desemprego e a queda na renda da pesca e turismo em MG e no ES. Uma triste constatação que afeta mais aos mais pobres do campo e da cidade.

Como apontamos em um de nossos últimos artigos “é necessário arrancar a Vale das mãos dos empresários e de altos executivos como Murilo Ferreira e que a empresa passe a estar sob controle de quem realmente faz a empresa funcionar, os trabalhadores. Apenas uma aliança dos trabalhadores com a população e com especialistas e estudantes é que pode apontar para uma reestatização da Vale em que as riquezas naturais estejam a serviço da população e não dos lucros. Só assim também será possível evitar novas tragédias.”




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