VIOLÊNCIA POLICIAL

Vídeo flagra PM anunciando o massacre em Paraisópolis: "Vai morrer todo mundo"

O mais recente vídeo divulgado das barbáries policiais cometidas em Paraisópolis flagra policiais gritando “Vai morrer. vai morrer todo mundo!”, uma evidência da política de genocídio da população negra e periférica de Doria.

sexta-feira 6 de dezembro de 2019| Edição do dia

Neste domingo Paraisópolis sofreu com um massacre cometido pela PM de Doria, que deixou 9 mortos. Laudos médicos apontaram como causa da morte a asfixia, contrariando a versão da polícia de que os jovens foram mortos no tumulto causado pelo "confronto" e por "acidente". Diversas imagens e relatos de agressões e violência policial repercutiram, como policiais espancando os jovens encurralados em vielas e e impedindo que as pessoas ajudassem quem estava sendo agredido. O mais recente vídeo mostra policiais flagra policiais gritando “vai morrer. vai morrer todo mundo”, uma evidência da política de genocídio da população negra e periférica de Doria.

Segundo entrevista da Folha de São Paulo com comerciantes da região, eles aproveitam a clientela do baile da Dz7 durante a noite para vender suas mercadorias, então a PM chega e invade os estabelecimentos, quebrado mercadorias e mandando fechar as portas, contando inclusive com caso de agressão à comerciante idosa. Devido ao prejuízo causado pela repressão policial, os comerciantes estão deixando de poder trabalhar, não abrindo seus comércios durante o período do baile.

As repressões desse tipo tem se intensificado após a morte de um general com suspeita de troca de tiros em Paraisópolis, como relata um trabalhador:
"Chegaram na minha loja, pegaram as roupas, os bonés e foram atirando tudo no chão falando que tinha droga. Desde que morreu um PM aqui, é assim. É a PM quem decide o que abre e o que fecha."

Os trabalhadores da região durante os tumultos gerados pela repressão policial tentam abrigar os frequentadores do baile em suas estabelecimentos, que também sofre repressão, como afirma a dona de uma lanchonete local:

”Às vezes, a gente abriga pessoas lá dentro na correria. Eles mandam abrir e batem nas pessoas. Se a gente não abrir, eles estouram a porta."

Dória desde o início do ano vem dando aval para a polícia atirar e matar os moradores das favelas, e agora, frente a esse massacre, afirma que PMs serão preservados e que irá garantir a suas impunidades.

Enquanto ataques como esse acontecem nas favelas de São Paulo, foi aprovado hoje na câmara dos deputados o pacote Anticrime de Sérgio Moro, com votos a favor de deputados como Fernanda Melchionna e Freixo, do PSOL, e grande parte da bancada do PT junto com toda a extrema direita. O pacote aprovado, mesmo com retirada de pontos como o excludente de ilicitude, ainda possui pontos ultrareacionários que aumentam a impunidade da polícia racista em casos de “legítima defesa” e que aprofundam o encarceramento em massa da população.

Lutamos por justiça para os jovens de Paraisópolis e suas famílias, pelo fim da repressão e da criminalização. Basta de mortes à juventude negra e pobre!




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