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Campinas | STMC segue campanha salarial sem organizar a categoria!

sexta-feira 20 de maio | Edição do dia

Maio é mês da data-base dos servidores municipais de Campinas. Historicamente foi um mês marcado por lutas e greves, embora muitas delas traídas pelo sindicato. No momento, a categoria segue três anos sem reajuste e o sindicato inicia as negociações com a prefeitura de Dário Saadi (Republicanos) sem nenhuma assembleia de preparação, definindo as pautas da campanha salarial completamente por fora da categoria. Ironicamente, a diretoria convocou somente essa semana uma assembleia para o dia 23 de maio, após a 1° mesa de negociação com a prefeitura. Em outras palavras, para a direção do STMC (sindicato dos servidores municipais de Campinas) assembleia serve apenas para informar os trabalhadores do que eles já decidiram. É necessário impor com a força dos servidores uma campanha salarial organizada desde a base, em aliança aos trabalhadores terceirizados e as lutas de outras categorias!

A atual direção do sindicato, encastelada no STMC já há alguns anos, sempre esteve próxima das gestões da prefeitura. Ligada ao PSB, do ex-prefeito Jonas Donizette, mantém esse mesmo nível de proximidade na gestão do Republicanos também. Sem nenhuma discussão com a base dos trabalhadores, a comissão de negociação, composta pela direção do sindicato e pela prefeitura, já foi publicada em diário oficial. Não é de se espantar, uma vez que métodos antidemocráticos como fraude em assembleia e perseguição da oposição e de movimentos sociais fazem parte do histórico recente da direção do STMC.

A categoria dos funcionários públicos de campinas já mostrou que existe disposição para construir uma campanha salarial na base e em diálogo com a população, que é quem acaba sofrendo com nosso arrocho salarial, com a precarização de nosso trabalho e dos serviços públicos. Em março, servidores junto aos coletivos de oposição, realizaram uma assembleia autônoma, frente a recusa da direção do sindicato em organizar qualquer mobilização, e ainda perseguir militantes da oposição. Na altura, o STMC apoiava a provocação de Dario Saadi do Bônus de 800 reais e argumentava que deveríamos esperar pacificamente o início oficial da data-base. Agora é evidente, que além das negociações a portas fechadas com a prefeitura, nada foi organizado.

É fundamental lembrar que nós também temos um grande exemplo de luta para nos espelharmos esse ano. Em fevereiro as trabalhadoras da limpeza da empresa Especialy entraram em greve contra o calote que a empresa tentava organizar e seguiram mobilizadas contra as contínuas irregularidades nos pagamentos dos salários e benefícios. Essas trabalhadoras mostraram que a prefeitura de Dário Saadi também era responsável, tanto pelo calote às trabalhadoras, quanto pela piora dos serviços públicos na cidade.

As práticas burocráticas e pelegas da direção do STMC, estão longe de poder garantir não só um reajuste que minimize as perdas dos trabalhadores nos últimos anos, mas melhores condições de trabalho, contratação de mais funcionários, entre tantas outras demandas específicas da categoria. É a mobilização pela base, a organização democrática da nossa luta e unidade com as trabalhadoras terceirizadas que estiveram em luta recentemente, que são os verdadeiros métodos que devemos construir.

Nos últimos meses, vimos irromper duras e importantes lutas de trabalhadores. Greve de professores da educação básica e superior em Minas Gerais contra Kalil e Zema; dos metroviários da CBTU contra as privatizações incentivadas por Bolsonaro e Mourão; Uma forte greve da CSN em várias cidades do país; greve de professores da rede municipal de salvador; e, essa semana, uma greve de trabalhadores terceirizados da Replan. Greves como essas vão continuar a surgir na conjuntura do Brasil e de Bolsonaro, Mourão e Guedes, onde os salários são corroídos pela inflação, os direitos são negados impondo precariedade da vida a população e beneficiando empresários e acionistas.

Assim, consideramos que devemos nos preparar para métodos deste tipo, para formar alianças com outras categorias que também sairão em luta e, fundamentalmente, estar lado a lado aos trabalhadores terceirizados que também são fundamentais para os serviços funcionarem. Desta forma devemos exigir da prefeitura que, contra a precarização do trabalho, todos os trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas da prefeitura sejam incorporadas ao quadro de funcionários efetivos, e o imediato pagamento das verbas rescisórias das empresas que romperam ou terminaram seus contratos, como a Especialy que ainda não pagou várias trabalhadoras.

Não é com reunião a portas fechadas com a prefeitura que vamos arrancar os direitos dos trabalhadores efetivos e terceirizados, mas com mobilização, organização desde a base. Consideramos também fundamental que a comissão de negociação seja eleita pelas assembleias da categoria.




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