Educação

GREVE DE PROFESSORES

Professores e alunos da ZN fazem grande ato contra Reforma da Previdência

sexta-feira 31 de março de 2017| Edição do dia

Ontem (30), os professores da zona Norte de São Paulo deram um importante exemplo de como podemos nos auto organizar desde já para combater os ataques que os golpistas tentam nos empurrar. O ato organizado pelo Comando de Greve Unificado de professores municipais e estaduais, seguido de uma aula pública chamada "ZN em luta contra a reforma da previdência", juntou centenas alunos e professores que saíram da E.E. João Baptista (que já havia dado exemplo de luta no 8M e 15M) e percorreram as ruas do bairro até chegar a Praça do Jaçanã e se unir aos professores municipais e alunos de várias escolas, com destaque para a E.E. Gustavo Barroso, E.E. Pedro Alexandrino e E.E. Julio Pestana, localizada em frente à praça onde ocorreu o ato, além da presença de pais e a comunidade da região que se somaram ao ato e demonstraram seu apoio com buzinas e palmas por onde este passava.

Alunos da E.E. João Baptista chegam em ato para se unir aos demais alunos e professores na praça.

Nas falas de professores e alunos, ficou evidente a disposição de luta da população e o enorme rechaço às reformas propostas pelo governo Temer e sua corja golpista, com destaque para a Reforma da Previdência, que ataca frontalmente os professores e tira a perspectiva de se aposentar dos jovens, lhes deixando apenas a opção de trabalhar até morrer. Nem mesmo a manobra do governo de delegar a responsabilidade de aplicar a reforma para os governos estaduais e municipais fez com que os professores em greve recuassem da luta.

Secundaristas fazem fala durante a aula pública.

Também se denunciou a Reforma do Ensino Médio e a Terceirização Irrestrita, recentemente aprovadas pelo governo e que todos reconhecem como diferentes faces de uma mesma política que leva à privatização da educação e tira dos professores, profissão estressante e uma das recordistas em doenças laborais, a aposentadoria especial. Para os jovens, essas reformas significam atacar frontalmente essa geração que cada vez mais se politiza e questiona, formando-os como mão de obra barata cujo único direito que terão será trabalhar por uma vida para ter o mínimo para se manter vivo.


Alunos mostram cartazes que fizeram para o ato

Na contramão de toda essa mobilização, a direção (PT e PC do B) da subsede norte da APEOESP, se negou a participar dessa importante demonstração de força dos professores e comunidade escolar, preferindo fazer um ato sozinhos para eles mesmos e que só serviu para mostrar o quanto estão voltados para construir a luta séria contra as reformas, ou seja: Nada! A burocracia do sindicato antecipou as eleições deste ano e enquanto mobilizam suas bases para reuniões de representantes escolares que confirmaram seu nada democrático estatuto eleitoral, esvaziam a luta efetiva ao lado de professores e alunos.

Essa linha da direção da APEOESP nada mais é do que o reflexo da linha central da CUT e das direções petistas, que se negam a tomar a luta no momento em que se faz mais necessária, empurrando a construção de uma greve geral junto à outras centrais apenas para o dia 28 de abril, totalmente em dissonância e desacreditando do espírito de resistência que os trabalhadores e a juventude vêm demonstrando. Em professores, categoria que esteve à frente das mobilizações do 15M em todo Brasil com diversas greves, a data do dia 28 de abril serve apenas para isolar e enfraquecer as lutas que estão em andamento. Tudo isso para tentar emplacar sua linha de que "tentou lutar" mas que a única saída para o Brasil é nas urnas, mais especificamente com o projeto Lula 2018.


Diversos professores fizeram falas durante a aula pública

Este importante exemplo de disposição de luta dado na zona norte de São Paulo também pode servir de lição para o conjunto das organizações da esquerda que se encontram adaptadas ao calendário petista. Estão saudando e embelezando a paralisação das centrais para o dia 28 de abril, como se centrais historicamente traidoras fossem agora, construir de fato uma Greve Geral. Não percebendo e embelezando (ou ignorando em nome de uma suposta unidade acrítica) a manobra das centrais para desgastar e esfriar os ânimos da classe trabalhadora nesse momento de grande rechaço ao governo.

O feito dos professores e alunos da zona norte mostra que o caminho para se lutar contra os ataques nas ruas, nas escolas, bairros e locais de trabalho está aberto. Como resultado da mobilização, foi chamado um comitê para que os próprios trabalhadores organizem na região a defesa dos seus direitos, a primeira reunião acontecerá na próxima semana e o Esquerda Diário continuará cobrindo suas atividades.

Professora Marcella Campos fala direto do ato




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