Juventude

UNICAMP

Por um DCE e CACH que unifique os estudantes pela base para enfrentar Bolsonaro

Estamos diante de eleições do DCE e do CACH na Unicamp que vão escolher quais ideias estarão à frente das nossas entidades no próximo ano. Desde agora, nós da juventude Faísca queremos convidar todos estudantes que compartilham da ideia de unificar o movimento estudantil contra os ataques de Bolsonaro e lutar por uma universidade à serviço dos trabalhadores e do povo pobre, a debater conosco quais entidades precisamos para o próximo ano.

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terça-feira 29 de outubro| Edição do dia

“Nos sacaron tanto, que nos sacaron el miedo” (“Nos tiraram tanto, que nos tiraram o medo”) gritam a juventude e os trabalhadores que se levantam no Chile contra Piñera e toda herança da ditadura de Pinochet, ferindo o modelo mais radical do neoliberalismo na América Latina e tão adorado por Paulo Guedes. Junto à luta no Equador, são uma verdadeira ameaça à Bolsonaro e toda direita regional, que de joelhos a Trump, submetem mais o continente aos interesses imperialistas para descarregar a conta da crise nos trabalhadores e na juventude.

No Brasil, estamos no fim do primeiro ano de Bolsonaro, fruto do golpe institucional e de todo plano da lava-jato que prendeu arbitrariamente Lula, e hoje carregamos nas costas ataques à educação, ao trabalho e a natureza. Mas a força da juventude chilena expressa a retomada da luta de classes na América Latina e deve servir para renovar a força da juventude brasileira que neste ano já se enfrentou contra os ataques da extrema direita. Uma juventude que só não foi adiante por conta da estratégia da direção da UNE, composta por PT e PCdoB, que convocou atos dispersos sem nenhum plano de lutas real para vencer e, junto às centrais sindicais, promoveram um silêncio ensurdecedor diante da votação da reforma da previdência.


estudantes no Chile se manifestando contra Piñera

Na Unicamp, o conjunto do movimento estudantil veio respondendo aos chamados das entidades. Paralisamos cursos e estivemos nos atos durante todo o ano. Exigimos da reitoria um espaço unificado de toda a universidade contra os ataques à educação. Na assembleia universitária, que reuniu 8 mil pessoas, os estudantes deram um recado pro reitor Marcelo Knobel desmascarando seu discurso de unidade e dizendo: ”Nenhuma Família Na Rua”. Uma resposta ao show midiático da reitoria que, ao mesmo tempo que aprova uma moção em defesa da universidade pública, em nome de todas as categorias da Unicamp, planeja demitir 330 trabalhadores da Funcamp e avançou para demitir Sidney, o único trabalhador terceirizado que falou na assembleia. Assim, se perdeu a oportunidade de unificar todas as categorias debatendo como nos mobilizar frente aos ataques, pois não é demitindo 330 trabalhadores que se defende a universidade pública.

A força da resposta dos estudantes durante o ano e na assembleia universitária não foi acompanhado de uma ferramenta que pudesse servir a sua organização. É isso que expressou o 13º Congresso dos Estudantes da Unicamp (CEU), que aconteceu dos dias 14 ao 18 de outubro. Nós da Faísca colocamos desde a Calourada a necessidade de um CEU na Unicamp, como um espaço que servisse a nossa preparação dos embates que vieram durante o ano. Essa proposta foi negada e colocada para o segundo semestre com o argumento de que seria melhor organizado. Mesmo assim, batalhamos por um Congresso organizado desde a base, onde os representantes fossem eleitos em assembleias, com base na mais ampla discussão nos cursos para envolver os estudantes nos espaços e nos objetivos políticos que o Congresso poderia comprir.

O 13º CEU poderia ser um espaço de grandes debates, que servisse para os estudantes tirarem conclusões que fortalecesse nossa organização para o próximo ano, que é nossa necessidade frente a tamanhos ataques que vem se colocando. Mas foi o contrário, muitos estudantes não sabiam que existia o congresso, quem eram os representantes dos cursos, onde eram as mesas e atividades e nem mesmo para o que ele poderia servir. Um CEU esvaziado e rotineiro para constar no calendário foi o que primou, se sobressaindo assim uma concepção que não se baseia na auto-organização pela base do movimento estudantil.

Esse é um debate que abrimos com PSOL e PCB, que estão à frente do nosso DCE, são parte da Oposição de Esquerda da UNE e foram responsáveis pela construção do CEU. Se de um lado vemos essa concepção calendarista e rotineira, de outro temos um movimento estudantil que atropelou o script da reitoria na assembleia universitária respondendo a um chamado de um trabalhador que denunciava as centenas de demissões. Entidades que possam corresponder a essa força, fazendo dela um pólo ativo que unifique o movimento estudantil independente da reitoria, e faça da Unicamp uma trincheira contra Bolsonaro e por uma universidade à serviço dos trabalhadores e do povo pobre é o desafio que devemos nos dar, rompendo o rotineirismo que está colocado.


Assembleia Geral da Unicamp vota paralisar contra os cortes na educação e a reforma da previdência em maio

Somos estudantes de uma das principais universidades do país, a melhor da América Latina, onde a crise chega à ritmos diferentes se comparado às federais. Diferente da maioria das entidades estudantis do país que são dirigidos pela majoritária da UNE de forma completamente burocrática e a serviço de uma estratégia que negocia com Maia vendendo nosso futuro, na Unicamp o DCE e a maioria dos CAS são de gestão da Oposição de Esquerda da UNE. Isso coloca a necessidade de reunir desde aqui um pólo antiburocrático, que possa reunir forças para exigir da majoritária da UNE um verdadeiro plano de lutas.

Também desde o Congresso viemos colocando para o PSOL e PCB que estão no DCE e no CACH a necessidade de construir uma convenção programática onde pudéssemos debater com o conjunto dos estudantes um programa em comum para as entidades, justamente para estar à altura desse grande desafio, mas infelizmente foi negado. Acreditamos que ainda há tempo de se fazer e por isso queremos aqui abrir um debate com todos estudantes que compartilham dessas ideias a debater qual programa devemos levar à frente para o DCE e CACH.

Qual programa defender no DCE e CACH para unificar os estudantes ao lado dos trabalhadores contra Bolsonaro?

Em primeiro lugar nossa concepção é a que se baseia na auto-organização dos estudantes. Entendemos que só a partir dos nossos espaços independentes, como as assembleias, reuniões, o CEU, em que a base dos estudantes possa expressar suas ideias e tomar decisões é que podemos levantar um movimento estudantil que tenha força para enfrentar qualquer ataque. Por isso, junto a outros estudantes independentes, nós estivemos a frente de defender a necessidade das assembleias e do Congresso desde o inicio do ano, mas também fomos os primeiros a retomar as festas no IFCH, que é um espaço nosso atacado pelo judiciário golpista e reprimido pela reitoria.

Defender a vivência dos estudantes é defender uma universidade viva, com debates, cultura, arte, política, contra o produtivismo do Future-se e sua universidade-empresa que quer nos robotizar. É defender a liberdade de expressão, do corpo e da sexualidade da juventude, das mulheres, negros e lgbts, e abrir as portas da universidade para que os jovens de Campinas também possam vir na Unicamp para se divertir.


Atividade cultural na Unicamp - Festival em defesa das Cotas em 2017
foto: Robson Sampaio

Entidades proporcionais e em defesa de uma universidade à serviço dos trabalhadores do povo pobre!

Para unificar os estudantes e enfrentar o projeto da extrema-direita acreditamos que as entidades estudantis devem ser proporcionais, onde todas as chapas que fazem parte do processo eleitoral, também possam ser parte e se comprometer com a gestão de acordo com seu número de votos.

Se o DCE fosse proporcional, todas as chapas poderiam apresentar suas ideias aos estudantes se comprometendo com a construção da entidade de acordo com seu número de votos, e os estudantes fariam experiência com as distintas concepções. A proporcionalidade já é uma experiência no CACH hoje e permitiu durante esse ano que a chapa minoritária pudesse impulsionar a retomada das festas no IFCH e a campanha em defesa de Sidney e das 330 demissões.

Frente à radicalidade dos ataques de Bolsonaro à educação, que tem como objetivo isolar as universidades mais ainda da população - historicamente apartada do conhecimento produzido aqui - nossa resposta deve ser também radical: por uma Unicamp completamente à serviço dos trabalhadores e do povo pobre.

Marcelo Knobel diz que quer defender a Unicamp das mãos de Bolsonaro, mas faz isso demitindo 330 trabalhadores terceirizados e Sidney, e aprovando os fundos patrimoniais no Consu. Agora vamos à votação do programa de "Inovação" (uma política completamente privatista, em que as empresas podem diretamente controlar a produção de conhecimento na Unicamp) e a pós lato sensu paga. A única forma de defender de fato a universidade pública é justamente indo na contramão de Knobel, é enfrentar o capital privado na universidade e se ligar radicalmente a quem está apartado dela, os trabalhadores e a população, para que estes vejam a necessidade de também defendê-la.

Por isso, estamos propondo uma série de medidas para que nossas entidades estejam a frente de defender Sidney e lutar contra o plano de demissão dos 330 trabalhadores. Também acreditamos que o DCE e o CACH devem ser independentes da reitoria e seu projeto que privatiza e demite. É preciso levar a frente a defesa da permanência estudantil que vem sendo atacada por Knobel, defendendo moradia e bolsas de acordo com a demanda e sem contrapartida. Defender a ampliação das cotas que são odiadas pela extrema-direita e um programa que se coloque pelo fim do vestibular e a estatização das universidades privadas.

Só na Unicamp são 80 mil jovens que ficam de fora todos os anos da universidade. Basta da juventude negra e pobre se endividar pagando as altas mensalidades das universidades privadas enquanto lucram os monopólios da educação. Nosso conhecimento também deveria ser produzido para resolver os grandes dilemas sociais e não para os lucros das empresas como é hoje. Esse é um programa que poderia enfrentar os monopólios da educação e convencer os jovens que estão fora da universidade com a realidade do trabalho precário do Ifood, Rappi, Uber, a também defender a universidade pública.

Além disso, o momento que estamos enfrentando na Unicamp mostra que é fundamental que as entidades estudantis rompam qualquer corporativismo e estejam ao lado dos trabalhadores levantando a efetivação dos trabalhadores terceirizados, sem necessidade de concurso público, para que possam ser integradas ao quadro de trabalhadores da universidade com todos os direitos, já que não podemos aceitar que a cada troca de licitação sejam centenas mulheres negras demitidas, colocando famílias na rua.

Para que as decisões tomadas na Unicamp sejam de fato democráticas, nós defendemos a necessidade de uma processo em que possamos debater e decidir, com representantes eleitos em cada unidade, um novo estatuto para Unicamp, já que este é herdeiro da ditadura militar. Um novo estatuto poderia rever as formas de decisão na Unicamp e defendemos que os rumos da universidade não devem ser definidos pela reitoria e um Consu, onde estudantes têm 15% das cadeiras, trabalhadores 15% e professores 70%. Poderíamos avançar pelo fim do reitorado e para que as decisões sejam tomadas a partir do peso de cada categoria na realidade.

Se o Chile expressa o retorno da luta de classes na América Latina e os ataques da extrema direita só vem se aprofundando, nossas entidades devem querer se preparar para organizar jovens e trabalhadores brasileiros para se levantarem contra os ataques de Bolsonaro e de mais de uma década de crise capitalista mundial. Servir como uma verdadeira ferramenta de organização dos estudantes, pela base, se ligando aos trabalhadores pra poder contra-atacar e por abaixo todo projeto que quer uma universidade de classes, de costas aos trabalhadores e que vende nosso conhecimento às empresas.

Por isso, acreditamos que ainda há tempo de uma convenção programática onde possamos debater qual programa o CACH e o DCE deveriam levar à frente no próximo ano e chamamos todos estudantes e organizações parte da Oposição de Esquerda a debater a perspectiva que pode unificar o movimento estudantil contra os ataques de Bolsonaro.




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