Mundo Operário

DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES

O Rio de Janeiro teve um 1 de Maio em que os setores em luta não se expressaram

O 1 de Maio desse ano esteve cruzado pela crise aberta com o golpe, e pela aceleração dos ajustes. Nesse marco, o Rio de Janeiro está marcado por uma gravíssima crise da dívida pública, e que o governo se apoia para justificar o atraso e o não pagamento de salários de vários setores do funcionalismo público.

segunda-feira 2 de maio de 2016| Edição do dia

O 1 de Maio desse ano esteve cruzado pela crise aberta com o golpe, e pela aceleração dos ajustes. Nesse marco, o Rio de Janeiro está marcado por uma gravíssima crise da dívida pública, e que o governo se apoia para justificar o atraso e o não pagamento de salários de vários setores do funcionalismo público.

até pouco, estimava-se que cerca de 33 categorias de trabalhadores desse setor estariam com atividades paralisadas ou em greve. Ainda que esse número possa ter diminuído, há lutas importantes, como a greve dos professores estaduais que está há dois meses em greve já encaminha-se para adentrar no seu segundo mês, bem como a de servidores e professores da UERJ. E a juventude está protagonizando um grande movimento, ocupando 73 escolas.

Essa situação especial do estado do Rio de Janeiro, somada à crise política que assola o país com o golpe institucional que avança, obrigaria e permitiria que o 1 de Maio desse ano fosse uma plataforma para a organização dos trabalhadores e da juventude mediante um plano de lutas contra o golpe e os ajustes. No entanto, não foi isso o que ocorreu. Duas manifestações foram convocadas. No entanto não serviram para avançar nessa perspectiva. Ao contrário das manifestações que ocorreram em várias outras capitais do país, as manifestações do Rio de Janeiro não conseguiram reunir mais que algumas centenas de pessoas. O primeiro ato convocado pela CUT e CTB reuniu direções sindicais apenas e foi um showmício na Lapa. O segundo, convocado por diversas organizações da esquerda, reuniu apenas setores da militância das correntes, mas ficou claro que não foram construídos na base dos trabalhadores ou da juventude.

A CUT e a CTB, ao contrário do que ocorreu em outras capitais como em São Paulo, sequer realizaram um ato no dia 1 de Maio. Se restringiram a convocar uma manifestação no dia 29 de abril, que não reuniu mais que 250 pessoas, composta por dirigentes sindicais. No tradicional modelo de showmício, o ato da CTB e da CUT não expressou em nenhuma medida as lutas dos trabalhadores que hoje se mobilizam contra os ataques do governo, ou da juventude.

Os discursos da burocracia sindical limitaram-se a defender que “haveria luta contra o golpe”, mas a nula presença dos trabalhadores em greve naquele ato atestava que essas direções não estão dispostas a preparar um combate efetivo contra o golpe e os ajustes nas categorias que dirigem. Apesar de chamarem a paralisação nacional que a CUT e a CTB estão convocando para o dia 10 de maio, ficou claro por essa manifestação que não têm uma disposição efetiva para preparar uma luta séria, à altura das tarefas que estão colocadas. Que uma mobilização real, organizada por assembleias de base, que unifique todos os setores em luta no Rio de Janeiro, deve ser imposta, mediante uma luta política que as exija em cada local de trabalho e de estudo.

Já o ato convocado pela esquerda no Parque Madureira, a partir de uma iniciativa impulsionada pela Frente de Esquerda Socialista, que se originou do NOS (Nova Organização Socialista) e integrada por diversas organizações e entidades, que ocorreu no dia 1 de Maio, constituiu-se como uma iniciativa que teve o mérito de organizar algo no dia do trabalhador. Porém, tampouco foi construída nas bases dos trabalhadores, que não se expressou aí, e não conseguiu reunir mais que algumas centenas de pessoas. Para isso haveria que ter-se dado uma luta política, que inexistiu, nas categorias em luta. Um exemplo é o ocorrido na greve de professores estaduais.

Apesar do NOS (Nova Organização Socialista) e da LSR (Liberdade Socialismo e Revolução) ter diretores do Sepe, sindicato que reúne os professores do estado do Rio de Janeiro em greve, e ter estado na mesa na última assembleia em que Carolina Cacau, professora em greve militante do MRT, defendeu que se votasse a incorporação dos professores em greve ao ato do 1 de Maio, encaminhou-se a proposta de que os professores em luta tomariam uma resolução geral de “incorporar todos os atos que houvessem”. O resultado é que somente um setor muito minoritário dos professores em greve se expressou no ato do 1 de Maio, e a maioria não se orientou para compor nenhuma das manifestações.

Além disso, como viemos debatendo aqui, também há o problema de que apesar da convocatória do ato colocar a necessidade de lutar contra o golpe, ligando isso ao combate contra os ajustes, isso aparece diluído em meio a diversas outras questões, que em geral até podem ser corretas, mas que na verdade tinha o objetivo de permitir um amálgama entre diversas posições contrárias. Ainda que algumas organizações que o compuseram defendam essa perspectiva, e a tenham colocado, outras como a corrente do PSOL, MES, defendeu a bandeira de “Eleições Gerais”. Uma posição que já dá como certa a aceitação do golpe, e que portanto, não pode servir para preparar os trabalhadores e a juventude. Somado a isso, o clima pouco combativo de um “ato-show”, que sequer marchou, como o que ocorreu no Parque Madureira, termina reproduzindo a lógica de “showmício” dos atos da CUT e da CTB.

Mesmo assim, o MRT e a Faísca compuseram o ato do dia 1 de Maio, num Bloco contra o Golpe e aos Ajustes e defenderam a necessidade de organizar um plano de lutas imediatamente, que seja concretizado a partir das bases e possa efetivamente, preparar um combate sério contra o golpe e os ajustes, unificando as lutas no Rio de Janeiro para radicalizar as ações por essas demandas. Que se votasse em todas as categorias, locais de trabalho, e escolas ocupadas, uma exigência à que a CTB e a CUT organizem assembleias de base para preparar uma grande greve geral e unificada no dia 10 de maio. E que a manifestação das escolas ocupadas proposta para o dia 4 de maio, fosse incorporada como parte desse plano de lutas. É preciso avançar imediatamente nessa perspectiva.




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