Juventude

13/03

Não é acaso a juventude não ter saído às ruas nesse dia 13

Isabel Inês

São Paulo

terça-feira 15 de março de 2016| Edição do dia

O dia acordou com os jornais noticiando o suposto maior ato da história do Brasil, maior que as “diretas já” ou Junho, que não por acaso mal é citado. Esse esquecimento seletivo de junho é a tentativa de apagar da história justamente o processo de massas de juventude que abriu uma nova situação no Brasil e foi a primeira expressão de um inicial rompimento com o governo do PT e de revolta contra a precariedade da vida, da situação dos transportes, saúde e educação.

Os atos atuais, e a movimentação da direita em tentar fortalecer as instituições do Estado através da operação Lava Jato, do Juiz Sergio Moro e da polícia federal, como respostas aos problemas de corrupção do sistema político brasileiro, são a tentativa de jogar essa situação de descontentamento aberta em junho de 2013 nas mãos da direita.

A dicotomia entre o PT e a direita não responde a crise de representatividade aberta com Junho, nem dá vazão ao descontentamento com as questões sociais, e a atual situação econômica com aumento do desemprego, principalmente entre os jovens, a inflação e a queda no nível de vida da população.

Essas pautas não apareceram no ato do dia 13/03, marcando o perfil de classe média alta dos participantes, mas também a juventude não aderiu a esse ato, juventude essa que desde 2013 vem sendo o sujeito ativo na defesa das demandas sociais, e da luta contra as opressões aos LGBTs e negros, que também não estiveram no ato.

Esse fato ratifica que, desde 2013, está aberto um movimento de juventude que rompe com o Lulopetismo e ao mesmo tempo não se encanta pela política da direita. Nas lutas por permanência estudantil que atravessam as universidades desde 2014 – que levaram ao ato extremo de greve de fome na Paraíba esse ano, Universidade essa que passou pela maior expansão sem estrutura do governo petista que é símbolo da falsa “Pátria Educadora” – na emblemática batalha dos secundaristas de São Paulo que influenciaram subjetivamente toda essa geração, que agora está se levantando no Rio de Janeiro, novamente colocando o espírito da revolução, vide suas faixas “Toda a revolução começa com uma faísca” e “O pensamento leva a revolução”. A juventude não só pode apontar para uma saída independente da polarização PT e direita, mas também levantar um questionamento mais estrutural ao regime.
 
Apagar Junho é justamente a tentativa de apagar esse espírito radical e espontâneo da juventude, para jogar o descontentamento a uma tentativa de estabilizar o regime ainda mais a direita, e abrindo espaço para a maior intervenção do imperialismo no pais, vide a entrega do Pré Sal por Dilma e Serra, ou a manobra reacionária do impeachment que também é parte de aumentar os ajustes contra a classe trabalhadora e a juventude, atingindo com maior força a juventude trabalhadora.
 
Ter a consciência dessa situação, e que foi justamente o governo do PT que abriu espaço para a direita, para os Cunhas, Bolsonaros e Felicianos, coloca para a juventude um papel histórico apaixonante: que é se colocar como uma alternativa política que combate a direita e todas suas manobras reacionárias, mas também que não quer fortalecer o petismo, o sujeito dos ajustes e um partido que foi fundamental para conter as greves operarias na década de oitenta e se constituiu como sustentáculo do regime burguês brasileiro baseado nas direções burocráticas sindicais e estudantis que atuam para desviar e derrotar as lutas.
 
Resgatar o espírito de junho sob as novas experiências da juventude, como dos secundaristas de São Paulo que entusiasmaram pelo espírito espontâneo que superou essas burocracias petistas, como UNE e Ubes, mas também a ampla camada de juventude trabalhadora que está nas fábricas e nos empregos mais precários Brasil afora, deve levar a juventude elevar suas lutas hoje, como as lutas por educação, a um questionamento radical do regime político chamando uma assembleia constituinte livre e soberana, eleita sob regras amplamente democráticas que permitam que o "espírito de junho" se expresse, e não esses velhos políticos tradicionais e antipovo. Podendo ser assim também um fator para atrair os trabalhadores que também não estavam na marcha do dia 13, mas que ainda não consegue aparecer como sujeitos independentes justamente pela contenção dessas burocracias sindicais históricas. 
 
Para isso é fundamental superar as direções rotineiras da esquerda, e nem falar das governistas, superar a lógica corporativa das mesmas, onde só se luta pela pauta restrita e especifica, e não se dá objetivos audazes de transformar cada luta em uma batalha para que a juventude saia com política e personalidade frente a situação nacional.

Unificar as lutas da EACH na USP, dos estudantes das Universidades Federais e do Rio de Janeiro em um grande movimento contra os cortes na educação, que seja parte da luta contra os ajustes e assim imponha uma constituinte que se enfrente com esse regime podre, levantando o fim dos privilégios dos políticos, da impunidade, que impeça a entrega do Pré Sal para o imperialismo e o reverta para a educação, que demarque as terras indígenas e todas as pautas estruturais do país.
 
A juventude do Sergio Moro?
 
O Juntos! agrupação de juventude da mesma organização de Luciana Genro (MÊS) que aplaudiu a ação da Lava Jato e o Juiz Sergio Moro, mostra todo seu descompasso com a juventude de junho e mesmo a secundarista, enquanto essa quer uma saída radical, a esquerda insiste em uma política parlamentar. Ao contrario de querer se ligar com o espírito revolucionário da juventude, o Juntos! (e as entidades estudantis que dirigem) acabam atuando como barreiras para desenvolver a potencialidade criativa e espontânea da juventude, tudo para levar as lutas para uma saída parlamentar e eleitoral.

Luciana Genro e sua juventude saúdam o Moro por conta de um objetivo mesquinho de aproveitar eleitoralmente a crise do petismo e eleger mais um ou outro parlamentar, mas se calam sobre como a sua política fortalecem a justiça burguesa e racista e a polícia federal corrupta e assassina, ao passo que não colocam seus parlamentares atuais para denunciar a fundo esse regime e usarem dessa posição para dar voz às lutas operarias e de juventude.
 
Por outro lado, sem mudar de lado é a juventude do PSTU defendendo fora todos e eleições gerais, novamente, nada de revolução, e sim de uma alternativa parlamentar, chamando novas eleições e ainda se colando com a direita, que é hoje o único movimento real que esta pedindo fora Dilma, impeachment e novas eleições. Essas duas políticas não podem dar uma saída revolucionária e independente à juventude.
 
Do funk ao glitter, essa juventude não é verde e amarelo
 
Não só Junho se “esqueceram”, mas também a massiva parada gay. A hipocrisia do discurso da mídia, destacadamente a Globo, que transformou do dia 13 em um dia da “família brasileira” – da moral e dos bons costumes – encoberta os casos de abuso sexual, na maioria domésticos, dos altos índices de assassinatos da população LGBT, mas também é a tentativa de castrar a sexualidade e busca por libertação da juventude, para uma moral casta, opressora das mulheres e patriarcal.

A liberdade, “esse sentimento difícil de definir, mas ansiado por muitos” (se não todos), foi apropriado pela direita como a liberdade individual do neoliberalismo, ou seja individualismo e consumismo, e o que vimos no dia 13 é o oposto da liberdade real. E não só por ser um espaço onde grupos neonazistas se sentem à vontade para disseminar sua ideologia racista, xenofóbica e homofóbica, mas também pelo espírito de fortalecimento da justiça e da policia federal, que significa fortalecer uma instituição assassina de negros e uma justiça que prende sem provas, no pais com uma das maiores populações carcerárias do mundo.

Não é isso o que a juventude quer.

A juventude quer a liberdade para usar gliter, rosa choque, desenvolver sua vida e sexualidade sem as mão do estado ou da igreja, cantar seu rap e seu funk, fazer rolezinho onde bem entender, por isso o sentimento que é preciso revolucionar vem a tona nos momentos de crise. Queremos convidar a todos que querem lutar contra o capitalismo, pela revolução para dar uma saída radical a esse regime podre para o lançamento da nova juventude rosa choque de combate, dia 02 de abril!




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