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Legado de retrocessos | Mil dias de governo Bolsonaro: 600 mil mortes, 14 mi de desempregados, fila por osso, e devastação ambiental

Esta semana completa-se mil dias do governo de Bolsonaro eleito, em 2018, com o apoio do judiciário e dos militares que, junto com a grande mídia, orquestraram o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula. O objetivo de todos esses atores, assim como dos partidos que representam as diferentes frações da burguesia no Congresso, era devastar os direitos da classe trabalhadora. Reveja o legado do governo Bolsonaro para este objetivo comum a todos.

Babi DellatorreTrabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

segunda-feira 27 de setembro | Edição do dia

Inflação nas alturas, desemprego recorde, 600 mil mortes pela covid, reforma da previdência, privatizações, devastação ambiental e corrupção. Enquanto Bolsonaro chega esta semana à marca de 1000 dias, os trabalhadores sofrem com o legado perverso de um governo reacionário, alçado pelo regime para implementar esses ataques. Recapitulamos aqui alguns dos legados devastadores desse período:

Desemprego, inflação e fome: a crise econômica nas costas dos trabalhadores

São mais de 14,4 milhões de brasileiros sem conseguir emprego, 14% da população que está à procura de emprego. Enquanto o custo de vida só aumenta, reforçando o cenário de profundo desemprego no país de Bolsonaro e militares. Em PE, o desemprego chega a 21,6% da população. No RN, são 17% da população vivendo em extrema pobreza, um aumento de 29% em 2 anos.

A inflação está nas alturas e o prato do brasileiro também ficou mais caro por causa do arroz (32,7%), do feijão fradinho (40,3%) e das carnes em geral (30,8%). Bolsonaro extinguiu os estoques públicos de alimentos e a conta você que paga. Também houve aumento no botijão de gás, 31,7% na média nacional. O álcool (etanol) disparou 62,3%, a gasolina subiu 39,1% e o diesel, 35,4%.

Reformas e privatizações para seguir atacando os trabalhadores

As reformas neoliberais pavimentaram o caminho para a explosão da inflação e do desemprego. A reforma da previdência, tão celebrada por Bolsonaro, Guedes e todo o mercado financeiro, mostrou seus resultados perversos durante a pandemia com a fragilidade da seguridade social no país. Bolsonaro e Guedes ainda sonham com a implementação de outros ataques aos trabalhadores, como: a reforma administrativa e a carteira verde-amarela para rasgar de vez a CLT no país.

Na noite do dia 23/09, a aprovação da Reforma Administrativa na Comissão Especial da Câmara dos Deputados com a qual busca-se acabar com os serviços públicos oferecidos à população e abrir espaço à terceirização da mão de obra. É a aplicação da reforma trabalhista no funcionalismo público e o avanço da privatização do SUS e privatização dos serviços. Bolsonaro, a direita liberal e o judiciário estão juntos para impor a reforma administrativa.

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“E daí?” 600 mil vidas perdidas para o cálculo consciente do negacionismo bolsonarista

Sob a política negacionista de Bolsonaro, o país chegou a tornar-se epicentro mundial da pandemia, protagonizando tragédias marcantes, como a crise de oxigênio no Amazonas, da qual o governo teve conhecimento e não agiu para evitar. As revelações dos escândalos de corrupção em torno da aquisição de vacinas ajudaram a concretizar como a política negacionista de Bolsonaro foi um cálculo premeditado do governo colocando em primeiro plano seus interesses, eleitorais e materiais, mas também o interesse dos patrões em reabrir a economia. Porém, os resultados trágicos da pandemia em todos os estados e cidades do país mostram como nenhum ator do regime adotou medidas consequentes que colocassem a prioridade na defesa da vida dos trabalhadores, também se subordinando a ânsia pela reabertura econômica e manutenção dos lucros.

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Bolsonaro e a ganância do agronegócio fazem a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal arderem

Nessa mesma semana, o cerrado brasileiro perdeu 24 mil hectares destruídos pelo fogo. Desconfia-se que a origem da queimada seja criminosa, esta é uma área de grande pressão pela expansão das fronteiras do agronegócio - apoiado pelo Bolsonaro - sobre as reservas naturais da Chapada dos Veadeiros, como se expressa no projeto do Deputado Federal Delegado Waldir (PSL) que propõe reduzir em 73% a area deste Parque Nacional.

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. Esta semana também veio à tona a organização para desvio de dinheiro público, chefiada por Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro, que também envolvia a ex-esposa de Bolsonaro. Esquemas que seguem aprofundando o famigerado caso de rachadinha, envolvendo Fabríco Queiroz e todo o clã bolsonarista.

Em 1000 dias de governo, Bolsonaro conseguiu com sucesso implementar o programa reacionário de ataques e retrocessos aos direitos dos trabalhadores pelo qual foi eleito pela burguesia para dar prosseguimento a degradação do regime do golpe. A conivência dos demais atores do regime, mesmo diante de seus embates e oposição demagógica, deu sustentação ao presidente com intuito de que ele seguisse descontando a crise sob as costas dos trabalhadores. Foi assim, que mesmo em meio às crises políticas, Bolsonaro e o regime conseguiram implementar uma ofensiva sem precedentes, passando inúmeros ataques, como a reforma da previdência, a privatização da Eletrobras e a flexibilização da legislação trabalhista.

É contra esse legado de miséria, fome e mortes que vimos a população se revoltar em atos massivos, mesmo em meio a pandemia, para derrubar um governo que é mais perigoso que o vírus. Entretanto, o enorme repúdio a Bolsonaro não pode servir para que o restante do regime que esteve ao lado do governo em todos esses ataques, se mostre agora arrependido e busque lavar sua cara através da política do impeachment que conduziria Mourão a presidência. No dia 02 de outubro precisamos mais uma vez tomar às ruas contra Bolsonaro, mas sem nos unir a essa direita. É preciso constituir uma força independente, confiando apenas na mobilização dos trabalhadores, por isso fazemos um chamado de unidade para que as organizações de esquerda constituam um bloco classista, sem misturarmos nossas bandeiras com aqueles que defendem e promovem os mesmo ataques desse legado de retrocessos de Bolsonaro.




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