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Greve Global pelo Clima | Faísca discute manifesto internacional pelo clima em plenária nacional com saudações de trabalhadores

O Brasil está em chamas, enchentes na China e na Alemanha, catástrofes da crise ambiental pela qual apontamos o culpado, no evento chamado com o lema “O capitalismo e seus governos destroem o planeta: destruamos o capitalismo!”, não há dúvidas, o problema para o clima não somos nós humanos mas sim o sistema de produção destrutivo no qual vivemos, como gritamos aqui no Brasil, porque queremos derrubar esse sistema de miséria e crises e se enfrentar com os reacionários negacionistas da crise climática no Brasil, como Bolsonaro, Mourão e os militares.

Calvin de OliveiraEstudante de Geografia da UFF - Niterói

sábado 25 de setembro | Edição do dia

Marcada para às 16h deste sábado(25), a plenária foi realizada pela plataforma Zoom e contou com a presença de estudantes de Norte a Sul do país, jovens trabalhadores, saudações indígenas e de trabalhadores como da MRV, Sae Towers e Carris, utilizando como base o manifesto publicado por grupos de jovens estudantes e trabalhadores da Argentina, Brasil, Estados Unidos, Chile, México, França, Estado Espanhol, Alemanha, Itália, Venezuela, Bolívia, Peru, Costa Rica e Uruguai.impulsionados pela Fração Trotskista - Quarta Internacional, assim como a Faísca.

Vídeo-manifesto Internacional

Abrindo a sessão, Vitória B, estudante da UFRJ abordou a questão de como o problema da crise climática é causado pela ganância das grandes empresas e seus governos, e como é preciso superar esse sistema miserável sem acreditar em nenhuma saída com a dos “imperialistas verdes”, partidos de esquerda como Podemos na Espanha ou Partido Verde na Alemanha, ou saída que buscam reformar o capitalismo em um “capitalismo verde”, como o Green New Deal de Bernie Sanders.

Leia aqui a fala na integra: "Nenhum governo e partido capitalista, nem os verdes ou de esquerda, está disposto a tomar as medidas que a situação exige" diz Vitória da UFRJ

Em seguida Luiza, estudante da UnB, falou como para superar esse sistema temos que levantar uma alternativa socialista e ao lado dos trabalhadores, e debateu mais detidamente com cada variante que não responde à fundo os problemas da crise climática que adaptam a burguesia, e apresentou alguns processos de luta dos trabalhadores contra seus patrões mas também apontando uma “saída verde”.

Na integra: “Nossa estratégia para ativar o freio de emergência é ao lado da classe trabalhadora” disse Luiza da UnB

Pedro, estudante da USP, destrinchou os processos da luta de classes que a Faísca veio intervindo recentemente, como em cada lugar, a Faísca e o Esquerda Diário colocaram todas as suas forças para apoiar cada luta. Nomeou, os casos da MRV, Carris, Sae Towers e do acampamento indígena. E afirmou que os trabalhadores comandando as grandes empresas é o que pode criar as condições para outra relação com a natureza.

Veja aqui: Pedro: o que destrói o planeta não é o ser humano em si, mas os capitalistas e seus governos

Após isso, intervieram Thaís, da Biologia da UFMG, sua fala ficou marcada quando disse "Esse sistema é irracional, não tem sentido e os trabalhadores da SAE Towers mostraram quão conscientes é a classe trabalhadora!”, Gabriel da UFSCAR, falando “O tema ambiental é central para pensar o marxismo hoje” e Caio da UnB, destrinchando processos internacionais da luta de classes como os mencionados por Luiza.

Depois dessa rodada de intervenções, trabalhadores da Sae Towers, Carris e MRV mandaram suas saudações para a plenária, contagiando o conjunto da reunião e mostrando que a aliança revolucionária é da juventude com a classe operária. Sikune Alcione Katxuyana, comunicadora indígena contou um pouco sobre como é se enfrentar com os bolsonaristas na sua aldeia em Oriximiná no Pará e como foi participar do Acampamento Indigena contra o Marco Temporal.

Emilly, coordenadora geral do CACS Marielle Franco na UFRN, abordou a questão do stalinismo e como toda uma geração de revolucionários que pensavam a ecologia foi morta e reprimida pela gestão burocrática do Stalin, levando a desastres como de Chernobyl e do Mar de Aral, além disso intervieram Victoria da Unifesp falando mais um pouco sobre a greve dos servidores da Proguaru e Maria Eliza da UFMG sobre como os trabalhadores constroem uma selva de pedra mas tem que saber que na verdade são eles que constroem tudo e podem construir também um outro mundo, muito mais harmônico com a natureza e que a esquerda rumo ao dia 2 tem que organizar blocos classistas unificados desde a base. Maré também apontou a centralidade de dar uma resposta independente para a crise política brasileira, com a defesa de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, para defender nossos direitos democráticos, a revogação de todas as reformas e varrer este regime apodrecido do Golpe Institucional, que mesmo antes já tinha em sua marca histórica a destruição da natureza, aprofundada com Temer e Bolsonaro.

Leia mais sobre: Chamado a construir Blocos Classistas nas manifestações de 2 de outubro

Antes de encerrar e se apoiando na fala da Victoria, foi proposta e aceita uma foto de todos os presentes em apoio à importante luta dos servidores da ProGuaru, reproduzidas aqui na capa da matéria.

Saiba mais sobre a greve da Proguaru aqui pelo Esquerda Diário

Odete Cristina, mestranda da UFMG e dirigente nacional da juventude Faísca, partiu do que a burguesia quer que a juventude acredite, que somos uma geração sem revolta, porque tem medo do direito incontestável de revolta que nos marca. Relembrou os exemplos de coragem e decisão da juventude palestina e do Estado Espanhol, que demonstram que não temos nada a perder. Neste sentido, abordou as valiosas lições de Leon Trotski, principal dirigente da Revolução Russa ao lado de Lênin, e sua Teoria da Revolução Permanente para pensar respostas reais e definitivas para o Brasil, tomado pelo agronegócio, no qual defendemos as demandas democráticas de reforma agrária e demarcação de terras, país que é todo de terra indígena. Neste sentido, a atualidade da Teoria da Revolução Permanente se concretiza na completa incapacidade da burguesia brasileira em garantir o direito à terra, como um direito democrático que só pode ser garantido com a classe operária à frente, como único sujeito histórico capaz de dar uma resolução a estas questões e neste caminho avançar para demandas diretamente socialistas. As experiências recentes no apoio à greves operárias demonstram o quanto quem realmente faz absolutamente tudo existir e funcionar é a classe operária, e se estes deveriam controlar uma fábrica, como fazem os operários gráficos de Zanon e Madygraf na Argentina, porque não deveriam determinar a organização de toda a sociedade, junto à juventude, indígenas, camponeses e todos seus aliados. Este é o caminho para pensar como revolucionar permanentemente a sociedade, pelo qual a Faísca batalha. Neste sentido, Odete apontou como as fronteiras são integralmente criadas pelos capitalistas, já que a classe trabalhadora e os povos de todo o mundo não tem pátria, reforçando o caráter internacionalista da defesa da Teoria da Revolução Permanente e do nosso manifesto hoje apresentado e neste sentido, recuperar o legado da Revolução Russa apresentado e arrancá-lo da deturpação e falsificação stalinistas.

Por fim, a Faísca organizará mais debates para pautar o Manifesto “O capitalismo e seus governos destroem o planeta, destruamos o capitalismo!” e estão organizados rumo às manifestações do dia 02 de Outubro, na defesa de Blocos Classistas nas manifestações, que defendam abertamente que a unidade da juventude precisa ser com os indígenas e a classe trabalhadora e não com a direita que nos ataca. Por isso, em cada universidade e local de trabalho que estamos, vamos batalhar e defender esta unidade, com assembleias com direito a voz e voto para todes, frente às ilusões que são plantadas por setores da esquerda como Isa Penna no último dia 12, quando marchou ao lado daqueles que atacam os povos indígenas como o MBL e outros supostos defensores dos direitos democráticos como o PSDB. Não são nossos aliados, a tarefa mais urgente hoje é unificar todos aqueles que verdadeiramente querem lutar contra Bolsonaro e Mourão, lutar contra o desemprego e carestia de vida e derrubar os ataques, como a PL 490 e o Marco Temporal de Bolsonaro, agronegócio e STF. Convidamos todes a darmos estas batalhas lado a lado!

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