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DECLARAÇÃO FT-QI | Pelo fim do genocídio em Gaza e da repressão aos jovens que se solidarizam com a Palestina pelo mundo! Por uma juventude anti-imperialista, internacionalista e revolucionária!

Neste 15 de maio, por ocasião do dia internacional marcado pela Nakba, que em árabe significa “catástrofe”, como é chamado o processo durante o qual o Estado de Israel organizou o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos, as juventudes da Fração Trotskista - Quarta Internacional chamam a se mobilizar amplamente em todo o mundo. Hoje estamos diante de uma nova "nakba". Israel com a cumplicidade dos estados imperialistas está perpetrando um genocídio contra o povo palestino.

terça-feira 14 de maio | Edição do dia

Desde abril, o exército israelense se preparava para uma invasão da cidade de Rafah, provocando uma profunda crise humanitária como parte de seu plano genocida contra o povo palestino. Quando começa a invasão da cidade, centenas de estudantes de universidades de todo o mundo se mobilizam. Nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha, Brasil, Alemanha, Suíça, Bangladesh, Austrália, Países Baixos e na Cisjordânia ocupada: o movimento estudantil internacional se mobiliza em solidariedade à Palestina e contra o genocídio perpetrado pelo estado de apartheid israelense. A mobilização anti-imperialista dos jovens que se mobilizaram nas últimas semanas em Columbia e em mais de cem universidades nos Estados Unidos são um exemplo da radicalidade e combatividade que a juventude deve abraçar para deter o genocídio e construir um movimento solidário em defesa da autodeterminação do povo palestino. Desde que os estudantes da Columbia nos Estados Unidos abriram o caminho, milhares de jovens ao redor do mundo ocuparam suas universidades, organizaram acampamentos, ações e comícios para denunciar a cumplicidade de seus Estados no genocídio perpetrado em Gaza e exigindo que suas universidadedes desfaçam seus vínculos econômicos com Israel, vendendo as ações que possam ter em empresas israelenses e abandonando qualquer relação financeira com este país. Nossa juventude apoia, impulsiona e acompanha todas as iniciativas que permitam denunciar o genocídio em curso em Gaza, a política do Estado israelense e a cumplicidade dos Estados imperialistas e seus aliados.

Diante da denúncia do genocídio, houve uma repressão sem precedentes nas universidades. Nos Estados Unidos, França e Alemanha, policiais foram deslocados para universidades para prender e reprimir acampamentos e ocupações. Por vezes, ajudados pelos ataques de grupos sionistas como no caso da UCLA, cujo acampamento foi atacado durante várias horas. Em campi como Columbia, Sorbonne, Sciences Po Paris, FU Berlim ou Amsterdã, a polícia reprimiu violentamente e prendeu centenas de estudantes. Algumas universidades chegaram a impor sanções administrativas contra estudantes, incluindo suspensões e expulsões. As direções universitárias e Reitorias agem em perfeita cumplicidade com os Estados. Ameaçam, reprimem e despedem pesquisadores e professores, como Nancy Fraser, cuja nomeação foi suspensa pela Universidade de Colônia no início de abril. Trata-se de uma repressão escandalosa que busca sufocar a possibilidade de qualquer crítica ao Estado de Israel, bem como o ressurgimento de um movimento estudantil anti-imperialista. Ao associar qualquer crítica ao Estado israelense como uma forma de antissemitismo, os Governos e as Reitorias insultam os milhares de jovens judeus que hoje se organizam para rejeitar a instrumentalização de sua opressão por parte do Estado israelense e do governo de Netanyahu. Com a repressão do movimento palestino, os meios capitalistas estão travando uma campanha islamofóbica que pretende associar todos os estudantes muçulmanos e palestinos com potenciais antissemitas.

Nos recusamos a normalizar essa ofensiva contra nossas universidades, que representa uma grave repressão autoritária contra o movimento estudantil. Os jovens estudantes e trabalhadores devem estar à frente da unidade contra a repressão em todo o mundo para exigir a retirada de todas as punições aos estudantes suspensos de suas universidades, contra toda confiança nas Reitorias, lutamos pela organização de um movimento estudantil com total independência das Reitorias, do Estado e dos organismos internacionais. Vemos a força da classe trabalhadora em todo o mundo, os trabalhadores, por meio de greves e bloqueios são os que podem paralisar o envio de armamento a Israel e seu apoio político, como fizeram os trabalhadores portuários de Tacoma nos Estados Unidos e em muitos países. As greves políticas gerais dos sindicatos podem paralisar toda a economia capitalista e deter a máquina de guerra. Portanto, é necessário que nós, jovens estudantes e trabalhadores, apoiemos as próximas greves sindicais internacionais e lutemos por um movimento antimilitarista comum.

Devemos mostrar solidariedade diante da repressão. Em Nova York, professores da Universidade CUNY se mobilizaram contra a repressão dos estudantes. Em muitas universidades como Oxford, Cambridge, Columbia, Berlim e Toulouse, os docentes se juntaram à denúncia da repressão e exigiram o fim das ofensivas das Reitorias contra sua liberdade acadêmica e contra a criminalização de seus estudantes e colegas. Esses exemplos mostram o caminho para lutar contra a criminalização do movimento em solidariedade. Esta repressão, que hoje tem como alvo o apoio à Palestina, é um ataque a todo o movimento sindical e às nossas liberdades democráticas. A repressão atual ao movimento pró-palestino cerceia nossos direitos democráticos, ao limitar a liberdade de se reunir e se expressar e impor demissões por motivos políticos. Essas medidas também serão utilizadas amanhã contra o movimento operário, como na França onde militantes sindicais como Jean Paul Delescaut foram condenados por terem se pronunciado contra os crimes de guerra do estado israelense ou por terem se solidarizado com a Palestina. Mais do que nunca, é necessário que os líderes sindicais de docentes universitários e, em geral, que todas as organizações de trabalhadores peçam o fim da repressão e criminalização do movimento estudantil.

Nem o direito internacional nem a ONU deterão o genocídio em Gaza e as tendências à guerra. Os organismos internacionais participaram da criação e do apoio político do Estado de Israel e, posteriormente, justificaram numerosas intervenções imperialistas no Oriente Médio que se preocupam em manter o saque da região e até, se necessário, em intervir militarmente para defender seus interesses econômicos e geopolíticos, como na Síria ou no Iraque, onde Israel serve de base de retaguarda. A luta da juventude contra os massacres imperialistas e a solidariedade com os povos colonizados na onda de luta de classes que seguiu após Maio de 68 abriu o caminho para grandes alianças entre trabalhadores e estudantes em uma das maiores ondas revolucionárias da história.

Estamos lutando para recuperar essa história e tradição de luta do movimento estudantil, baseada na auto-organização e na possibilidade de construir um movimento massivo contra a repressão e a defesa de uma perspectiva internacionalista, e em aliança com o movimento operário. Para infligir a derrota às potências imperialistas e seus cúmplices, os acampamentos e outras ações organizadas em todo o mundo devem ser pontos de apoio para generalizar o movimento que toma força e massividade: para isso, é necessário organizá-lo através de assembleias gerais, comités de solidariedade e ação, onde sejam o conjunto dos estudantes os que decidam como seguir. Quando ocorre a tentativa de amedrontamento por parte das autoridades e dos Governos para derrotar nosso levantamento, mais ainda é necessária a participação e a deliberação coletiva em que também se debaterão as diferentes estratégias para alcançá-lo. Para nossas juventudes, é necessário uma luta massiva, decidida e em aliança com os trabalhadores, para enfrentar o massacre dos estados imperialistas sobre Gaza assim como também a opressão e subordinação a que submetem a muitos outros países.

76 anos após a primeira Nakba, continua a luta do povo palestino contra a colonização. Defendemos o direito à autodeterminação nacional do povo palestino com total independência da estratégia, do programa para a construção de um estado teocrático e dos métodos do Hamas que vão contra a auto-organização do povo palestino e da classe trabalhadora árabe contra a opressão imperialista. Lutamos por uma Palestina operária e socialista, nos marcos de uma federação socialista no Oriente Médio. Somente um Estado que busque pôr fim à opressão, à exploração e à reação imperialista pode garantir a recuperação do território da Palestina histórica, o direito ao retorno dos refugiados palestinos e a coexistência democrática e pacífica entre árabes e judeus. Os governos das burguesias árabes de ontem e de hoje demonstraram sua incapacidade para realizar essas tarefas. Hoje, parte da burguesia árabe desempenha um papel proativo na defesa do Estado israelense e na opressão do povo palestino, como a ditadura militar de al Sissi no Egito, o regime de Assad na Síria e o rei Abdalá II da Jordânia - eles não são aliados para a libertação do povo palestino. Isso implica pôr fim ao conjunto dos processos de normalização econômica e política e das relações entre os regimes árabes e o estado de Israel, como pedem as massas árabes como no Egito e em Marrocos. No mesmo sentido, embora nos oponhamos a todas as sanções ocidentais contra o Irã e qualquer intromissão imperialista, rejeitamos o regime iraniano autocrático e teocrático. Esse regime é profundamente reacionário e oprime especialmente as mulheres com as quais nos solidarizamos quando se rebelaram após a morte de Mahsa Amini, assim como busca usar a religião como uma ferramenta para manter a disciplina interna, reprimir greves e manifestações e instrumentalizar a causa palestina segundo seus interesses regionais. De forma alguma é um aliado das massas palestinas. Consideramos que as mobilizações que ocorreram nos países árabes desde outubro passado são um ponto de apoio para reconstruir a perspectiva de uma intervenção da juventude e do movimento operário árabe, reconectando com as tradições de luta das ondas revolucionárias desde os anos 70 e da Primavera Árabe.

Este 15 de maio estaremos presentes para exigir o fim do genocídio em Gaza e a ruptura dos acordos de pesquisa e associações universitárias com instituições, universidades e empresas israelenses, e com quem financia o genocídio. Denunciamos a cumplicidade dos governos imperialistas no massacre em curso e exigimos o fim dos envios de armas ao Estado colonial de Israel.

Ressurge o fantasma da onda revolucionária aberta por Maio de 68 na França. O movimento estudantil contribuiu para denunciar os crimes do imperialismo no Vietnã, Argélia e em outras partes do mundo e sacudiu a burguesia, abrindo caminho para uma das maiores ondas revolucionárias da história. Mesmo hoje, o capitalismo nos promete uma nova onda de militarização e tensões crescentes que só podem nos trazer morte e miséria. A construção de um movimento de juventude anti-imperialista internacional é mais necessária do que nunca. O genocídio que está sendo realizado em Gaza é a face mais visível e violenta da realidade de um sistema capitalista que impulsiona a guerra e a miséria. O movimento internacional de solidariedade com a Palestina pode se tornar a ponta de lança para um questionamento mais profundo de todo o sistema capitalista e do imperialismo que submete os países dependentes e semicoloniais à militarização, às suas políticas anti-imigratórias e ao saque de suas riquezas através das dívidas externas e do extrativismo de recursos e matérias-primas. Precisamos estender este movimento de solidariedade impulsionado pelos estudantes das universidades dos EUA e em vários países da Europa ao resto do mundo, como os estudantes que no Chile saltaram catracas contra 30 anos de políticas neoliberais, ou os estudantes da Argentina que estão defendendo o acesso à universidade pública frente ao ultradireitista e sionista Milei. Em muitos desses países, a solidariedade internacional com a Palestina faz parte de uma luta contra seus próprios Governos, bem como contra os países imperialistas que através do FMI e múltiplos outros fundos os submetem à pobreza e à precarização. Em todos os países onde militamos, a juventude da Fração Trotskista se opõe ao giro militarista e chauvinista que as burguesias imperialistas e seus aliados tentam impor. Estamos lutando para construir uma perspectiva internacionalista, anti-imperialista e revolucionária, como parte de uma mudança radical e profunda na sociedade e uma ruptura com o capitalismo. Convidamos todos os jovens que desejam construir um movimento socialista, revolucionário e internacionalista a se juntarem contra a brutalidade do sistema capitalista.

Le Poing Levé - France
Contracorriente - État Espagnol
Faisca revolucionaria - Brasil
Waffen der Kritik - Allemagne
Juventud Anticapitalista -México
Vencer - Chile
En Clave Roja - Argentina
Juventud de la OSR - Costa Rica
Combate rojo juventud -Bolivia
Juventud de la LTS - Venezuela

Diarios

La Izquierda Diario ( Argentina, Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS) Chile, Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR); México, Movimiento de Trabajadores Socialistas (MTS); Bolivia, Liga Obrera Revolucionaria (LOR-CI); Estados Unidos, Left Voice; Venezuela, Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS); Uruguay, Corriente de Trabajadores Socialistas (CTS). Perú, Corriente Socialista de las y los Trabajadores (CST); Costa Rica, Organización Socialista Revolucionaria (OSR). CRT Corriento

Left voice - Etats Unis
Esquerra diari - Catalogne
Révolution Permanente - France
Klassen Gegen Klasse - Allemagne
Esquerda Diario - Movimento Revolucionario de Trabalhadores (MRT);
Izquierda Diario.es - Estado Espagnol




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