Política

ESQUERDA DIÁRIO IMPRESSO

Erro da política do PSTU e de Luciana Genro se expressou no fracasso do seu ato no 1 de maio

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

segunda-feira 9 de maio de 2016| Edição do dia

A política nacional esteve cruzada no último período pela tentativa de impor um golpe institucional com esse impeachment, organizado pelos setores mais reacionários do país. Nós do MRT estamos travando uma batalha contra o golpe porque, como ficou escancarado na sua votação na Câmara, significa lutar contra os planos de setores que querem atacar ainda mais os mínimos direitos democráticos, trabalhistas e sociais. Direitos estes que foram conquistados com muita luta, sangue e suor de gerações de trabalhadores, e não pela benevolência dos governos do PT.

Denunciamos que foi o PT que alimentou essa direita, e se lutamos contra o golpe não é para defender o governo Dilma e o PT, pelo contrário. Sempre fomos críticos duros e combatemos os governos petistas com uma política de independência de classe. Mas qualquer organização de esquerda tem o dever de batalhar contra este golpe porque ele terá grandes impactos negativos para os trabalhadores, as mulheres, os negros e a juventude. Nos opomos a este avanço reacionário da direita, sem deixar de enfrentar contundentemente os ataques do governo do PT.

Foi essa tarefa mínima que o PSTU, e também a corrente de Luciana Genro (PSOL), se negaram a cumprir. O PSTU de Zé Maria, que encabeça a CSP-Conlutas, preferiu fazer coro com o “Fora Dilma”, e gerar uma ilusão de que, mesmo ela caindo pelas mãos da direita, isso poderia melhorar a situação para os trabalhadores e abrir espaço para um suposto “Fora Todos”. Com isso, só alimentou este movimento da FIESP, Sérgio Moro, Bolsonaro, Cunha e toda a corja por trás do impeachment. Diante daquelas manifestações domingueiras de direita, da classe média branca na Av. Paulista, em Copacabana e Brasil afora, que gritavam “Fora Dilma e PT”, mas não escondiam o ódio de classe das elites racistas, machistas, homofóbicas e anti-esquerda... diante delas o PSTU, que se diz socialista, se recusou a combatê-las como o que são: reacionárias e antipovo. Preferiu dizer que eram “contraditórias”, para deixar uma margem de diálogo. Esse partido fala em “greve geral” mas esse discurso não se passa de uma farsa, pois onde tem peso de direção sequer lutam seriamente contra as demissões, como na GM ou na Sun Tech, base do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Além do mais, não abrem a boca para denunciar a paralisia cúmplice da burocracia sindical petista (CUT e CTB) que busca impedir o desenvolvimento e triunfo das lutas contra o golpe e os ataques dos governos.

A corrente de Luciana Genro também fez coro com a direita e seu “Fora Dilma” gerando ilusão de que abriria espaço para um “Fora Todos”, com a diferença que frente à pressão que sofreu, nos últimos dias, resolveu se posicionar formalmente contra o impeachment. Mas isso não melhora muito o papel nefasto que cumpriram, pois não deixaram nunca de alimentar uma enorme ilusão na Lava Jato e Sérgio Moro, chegando agora ao delírio de dizer que o afastamento do reacionário Cunha teria acontecido “pelas mãos da juventude”, e não pelos golpistas do Judiciário.

Seguem juntos na política de “eleições gerais”, que ao contrário do que se pode pensar, mantendo-se as regras do jogo de hoje, só vão servir para revitalizar o desacreditado sistema político que temos. Ou seja, fazer pequenas mudanças de peões num tabuleiro já viciado, e mantendo um Judiciário superpoderoso que agora busca “disfarçar o golpe”, para poder limitar a luta de classes, rasgando a Constituição sempre quando queira. Contra isso, nós levantamos a necessidade de impor pela mobilização uma nova Constituinte, que possa de fato mudar as regras do jogo. Somente assim será possível encarar efetivamente a corrupção e os problemas de fundo do país. É preciso acabar com os privilégios dos políticos e juízes, impondo que todo funcionário de alto escalão ganhe igual a um professor e seja eleito e revogável (substituído a qualquer momento). Assim como encarar problemas estruturais como a concentração de terras nas mãos de poucos (que tem que acabar), a subordinação ao imperialismo que só pode se romper com o não pagamento da dívida pública, o fim das polícias assassinas de negros e pobres, entre outras demandas.

O fracasso dessa política se concretizou de maneira dramática no 1 de maio

O PSTU e a corrente de Luciana Genro convocaram uma “manifestação nacional” pelo “Fora Todos” e “eleições gerais” que foi um enorme fracasso. Apesar de falar em 4 mil presentes, a equipe do Esquerda Diário esteve presente e identificou o que se pode ver também nos vídeos e fotos: eram cerca de 300 militantes que se aglomeraram em frente ao carro de som, cercados por outros 300 mais dispersos, que por sua vez já se misturavam às centenas de transeuntes e esportistas que lotam a Av. Paulista aos domingos. Se contava nos dedos os trabalhadores e jovens independentes. Nem mesmo a militância dessas correntes se mobilizou por completo. Ou todo o PSTU, a corrente de Luciana Genro e os demais que foram no ato se resumem a algumas centenas? Um ato sem o mínimo de entusiasmo, no qual se assiste parado aos pronunciamentos se sucederem no carro de som.

Um chamado aos que compõem a CSP Conlutas e o Espaço de Unidade de Ação

Essas correntes estão impondo essa política de linha auxiliar da direita em entidades onde estão em maioria, como a CSP-Conlutas e o Espaço de Unidade de Ação. Com essa política, somente estão levando essas entidades ao isolamento e a mancharem seu caráter independente dos patrões e da direita reacionária do país. Chamamos todos que compõem essas entidades a batalharmos juntos para mudar urgentemente essa política, adotando uma postura clara contra o golpe institucional.

E que não se pense que, caso o golpe seja consumado, bastaria “virar a página”: pelo contrário, denunciar fortemente um possível governo Temer como golpista continuaria sendo fundamental pra angariar os apoios necessários para as lutas contra seus ataques.

Isso deve se combinar com uma política decidida de exigência à CUT e a CTB, as maiores centrais sindicais do país que juntas representam dezenas de milhões de trabalhadores, para que rompam sua paralisia e subordinação com o governo do PT e impulsionem um plano de luta efetivo contra os ataques em curso, as demissões e o golpe.




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