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BOLSONARO E MAIA

Disputa entre Bolsonaro e Maia é “bomba-relógio” contra os trabalhadores

Ontem, a disputa entre Bolsonaro e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, se acirrou com o programa de socorro a Estados e municípios de R$89,6 bilhões, que se expressa com a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

sexta-feira 17 de abril| Edição do dia

Bolsonaro vem articulando nas últimas semanas reuniões com dirigentes, deputados e senadores, de partidos do Centrão, como PP, PR e PSD. A intenção é pedir o auxílio desse setor da política para votar projetos econômicos de ataques à classe trabalhadora na conjuntura da crise sanitária. A avaliação de Bolsonaro é que há uma “bomba-relógio” fiscal em curso armada por Maia.

A imprensa burguesa coloca que toda essa articulação se deve ao receio de Bolsonaro é que a votação do contrato verde e amarelo perca a validade. Vale lembrar que a MP Verde e Amarela é uma nova forma de contrato de trabalho, que parte do princípio de “baratear” a contratação para o patrão, com todo tipo de isenção, à custa da precarização das relações de trabalho e da vida do trabalhador, sobretudo o mais jovem. Se não for votada até segunda (20), caduca.

Veja mais em: Trabalho Verde-Amarelo é aprovado por deputados, aprofundando demissões em meio a pandemia.

Essa situação de disputa se agrava ainda mais com a demissão de Mandetta. Mandetta se mostrava divergente da postura obscurantista de Bolsonaro que, no esteio de líderes como Trump, cujas ações colocaram os EUA no topo do ranking em mortes, defende a reabertura de comércios, estimula manifestações, jejuns e inclusive vai às ruas para dar o exemplo para seu séquito de apoiadores. O que está claro é que Mandetta não apenas não implementou as medidas sanitárias mais elementares contra o contágio, como testes massivos, como também sempre foi um grande defensor dos capitalistas da saúde privada, sendo responsável também pelo estado de calamidade da saúde pública que hoje custa tantas vidas em meio à pandemia. Nelson Teich, o novo ministro da saúde nomeado por Bolsonaro, também é representante do setor privado da saúde. É um empresário que fez sua vida com a mercantilização e privatização da saúde brasileira.

Em relação à disputa que ganha novos contornos com o programa de socorro a Estados e municípios, seu histórico também reside na queda de braço do controle do orçamento impositivo. Aparentemente o que estava em disputa é se o Congresso poderia controlar mais o uso da dita “verba livre” do orçamento que fica sob arbítrios do presidente. O que está por baixo do iceberg é a disputa entre Bolsonaro e o chamado bonapartismo institucional, representado por Maia, STF e o Congresso.

E ainda agora com a crise política aprofundada com o coronavírus, vemos os militares querendo se alçar como árbitro da situação. Num cenário em que estamos diante da mais profunda crise econômica mundial desde a Grande Depressão da década de 1930, já sendo aproveitada pelos capitalistas para incrementar a precarização do trabalho, e que se contabiliza mais de 1500 mortos, o general Mourão tenta aparecer como alternativa, enquanto comemora o golpe de 1964.

Na verdade, somente os trabalhadores podem dar uma saída com um programa emergencial para a crise sanitária (testes massivos, multiplicação dos leitos, centralização do sistema de saúde, readequação produtiva nas fábricas, revogação do Teto de Gastos, não pagamento da dívida pública, taxação das grandes fortunas e impor que seja o povo a decidir os rumos do país, com uma Assembleia Constituinte livre e soberana. Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, sem nenhuma confiança em Rodrigo Maia, no STF e nos governadores como João Dória, Wilson Witzel, Eduardo Leite, Romeu Zema e tantos que governam contra os trabalhadores.

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