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Deputado Orlando Silva do PCdoB propõe prorrogar por 2 anos MP que reduz salários em até 70%

Deputado pelo PCdoB, o parlamentar busca negociar a prorrogação da proposta por dois anos, buscando apoio em todas as alas, inclusive da base do governo. A MP936 nada tem a ver com proteger empregos, mas cortar duramente salários e jornadas, tornando os trabalhadores ainda mais refens da crise, e com os capitalistas autorizados a demitir se assim quiserem. Choca, mas não supreende, que seja o partido que dirige a CTB que esteja dirigindo essa proposta cruel.

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

Orlando Silva (PCdoB-SP), deputado relator da MP 936/2020, medida que veio carregada de violentos ataques a classe trabalhadora, que prevê, entre outras coisas, redução da jornada de trabalho, redução de salários, suspensão de contratos e facilitação nas demissões, negocia, agora, com os partidos na câmara introduzir na proposta uma possível prorrogação por mais dois anos de reduções salariais.

Beneficiando o empresariado de diversos segmentos, dentre eles os call center, construção civil, transportes e diversos outros setores que detém mão de obra de um grande número de trabalhadores (cerca de 6 milhões de trabalhadores o total), o deputado deixa claro as intenções de atender as demandas e salvar o lucro dos capitalistas empresários, passando por cima das necessidades e da vida os trabalhadores precarizados sobre pretexto de salvar a economia e os empregos, mas ao mesmo tempo facilitando demissões e suspensões de contrato.

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De forma totalmente demagógica, o deputado "comunista" ainda fala sobre a área econômica do governo querer tratar do assunto dentro da reforma tributária: “O governo é contra tudo. O governo é contra até o distanciamento social [como instrumento de controle da pandemia], que dirá de medidas para ajudar a economia. O que temos que fazer é construir uma saída dentro do Congresso”. Fazendo suposta "oposição", pois esse tipo de política diretamente prejudicaria a vida de milhões de trabalhadores.

Ao apresentar proposta de tamanha crueldade, mesmo sendo um político de longa data no PCdoB (que comunista só tem o nome), é possível perceber que o deputado espera um aprofundamento de proporções estrondosas da crise econômica, que, no momento, já atinge um patamar de desemprego chegando na casa dos 13 milhões de desempregados. Diante disso, elevar ainda mais políticas que assolam a vida dos trabalhadores e relegam milhões de pessoas a miséria em nome do lucro dos patrões é inescrupuloso, tal qual o governo que critica, porém fazendo praticamente o mesmo jogo.

A situação evidencia o mau caratismo da burocracia institucional de membros de partidos que se dizem pelos trabalhadores, mas como diversas centrais sindicais (e com a mesma política) como CUT e CTB (dirigidas respectivamente pelo PT e PCdoB), que no 1º de maio que engrossaram movimentos que incluíam diversas siglas golpistas e até João Dória e Witzel, se mostraram oportunistas em formar frente com inimigos do povo em nome de uma oposição a política do Bolsonaro, mas se aliando a atores políticos que possuem políticas tão higienistas, racistas, e anti classe trabalhadora quanto o próprio Bolsonaro. É a mesma política que por meio destas centrais sindicais acaba sempre por trair a classe trabalhadora para negociar acordos com a patronagem, sem nunca promover a auto-organização da classe trabalhadora.

Não podemos ter nenhuma confiança em uma esquerda que faz uma oposição falsa ao governo reacionário de Bolsonaro mas que se debruça somente em saídas institucionais para a crise e, no primeiro momento que lhes for exigido, irão se voltar contra a classe trabalhadora, a favor dos capitalistas, aplicando as medidas mais devastadoras e se alinhando ao que existe de mais podre na política.

É preciso levantar a proibição de todas as demissões e a paralisação dos serviços não essenciais, com licença remunerada, e um auxílio emergencial de R$2 mil que seja efetivamente pago a todos os desempregados e informais. Contra os ataques aos trabalhadores, pelo não pagamento da dívida pública, e pela vida do povo acima dos lucros dos empresários e dos capitalistas, é preciso que os trabalhadores e trabalhadoras tomem a solução da crise pelas suas mãos, com auto-organização e gestão dos diversos setores chaves para o enfrentamento da enorme crise sanitária e econômica que vivemos para que a crise tenha, de fato, uma saída.




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