Educação

LUTA NA USP

Comando de delegados e plenárias unificadas: Faculdade de Educação dá passos importantes na organização da luta na USP

Desde o início das aulas, os estudantes da Faculdade de Educação da USP vêm se organizando para barrar os ataques da reitoria e dos governos. Na última assembleia de curso, os estudantes deram um importante passo na auto-organização criando um comando de mobilização com delegados eleitos.

Flávia Toledo

São Paulo

quinta-feira 23 de março de 2017| Edição do dia

Em 2017, a Reitoria recebeu os novos estudantes com um ataque sem precedentes, chamado sem qualquer exagero de “PEC do Fim da USP”. Esse ataque mantém o congelamento de contratação de professores e funcionários, congela salários e benefícios e, como parte do corte de gastos, prevê a demissão de mais cinco mil funcionários.

A aprovação do projeto de desmonte ocorreu no Conselho Universitário do dia 07/03 graças à brutal repressão da Polícia Militar contra um lindo ato composto por estudantes, professores e funcionários que, a mando da reitoria, se utilizou de extrema violência, bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, agressões e detenções.
A FEUSP compareceu ao ato com um importante bloco de estudantes, professores e funcionários, que se reuniram algumas horas antes em um café-da-manhã conjunto. Após a repressão, alguns professores passaram em sala junto ao centro acadêmico para denunciar o ocorrido e convocar a Assembleia Geral que o DCE estava chamando para quinta-feira. A incorporação dos estudantes ao ato foi votada em plenária ocorrida na véspera, como contamos aqui.

APÓS A REPRESSÃO, ESTUDANTES DA FEUSP SEGUEM EM LUTA

Como bem disse o representante dos funcionários na fatídica reunião do Conselho Universitário, Bruno Gilga, se a reitoria e os burocratas se impactaram com a resistência e a disposição de luta das centenas que estavam ali, deveriam ficar cientes de que aquilo era só o começo.

Inspiradas pela luta de agora na USP contra os interesses privatistas e pela luta diária contra o machismo, estudantes da Pedagogia conformaram um forte bloco junto ao CAPPF (Centro Acadêmico Professor Paulo Freire) para fechar um dia de muita luta no 8 de março, que começou com ato na USP que denunciava a repressão do dia anterior, no grande ato que saiu da Praça da Sé, se colocando contra a violência machista e transfóbica.

Na quinta-feira, lá estavam as estudantes (principalmente mulheres!) da Faculdade de Educação no ato convocado pelo DCE na frente da Reitoria contra a repressão da terça-feira. E mais tarde, na Assembleia Geral, novamente a FEUSP muito bem representada e atuando nos fóruns do movimento estudantil.

Na assembleia de curso realizada dia 14 de março, a repressão sofrida pelas três categorias foi profundamente discutida, bem como o projeto do reitor e a reforma da previdência, tema que levou ao chamado por uma paralisação nacional do dia 15 de Março.

A assembleia aprovou incorporação à paralisação do 15M e ao trancaço realizado em conjunto com os trabalhadores da USP com o mote: “Nenhuma trégua ao Zago! Basta de ataques à universidade pública. Por uma mobilização nacional em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade! Contra a PEC do Fim da USP. A responsabilidade sobre a repressão de 07/03 é da Reitoria, do CO e do Governo Alckmin.”

COMANDO DE MOBILIZAÇÃO: OS CENTROS ACADÊMICOS E O DCE PRECISAM ORGANIZAR OS ESTUDANTES SE ALIANDO A PROFESSORES E TRABALHADORES PARA VENCER

Além da importante participação das e dos estudantes da FEUSP nos poucos dias de aula em que a Reitoria mostrou claramente o seu projeto nefasto para a universidade, nessa assembleia também foi aprovada uma medida que pode servir de exemplo ao conjunto do movimento estudantil.

Criticada por diversas correntes e pela atual gestão do DCE, a proposta da Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária (que compõe a gestão A Plenos Pulmões do CAPPF) de conformação de um comando de mobilização com delegados eleitos não passou na assembleia geral, mas foi aprovada por unanimidade nas assembleias de curso da Faculdade de Educação (que chegaram a 250 estudantes).

Com 17 delegadas e delegados eleitos, o curso agora conta com uma maior qualidade democrática para pensar o plano de lutas necessário para se enfrentar com a reitoria nesse ano que já começa difícil. Além disso, o comando já começa a pensar em como se articular com os trabalhadores de diversas categorias e principalmente da educação para conformar uma forte luta nacional contra os ataques dos golpistas e seus aliados, como Zago.

É urgente que a organização dos estudantes se dê desde a base, com comandos eleitos que dialoguem e construam junto aos centros acadêmicos e ao DCE a mobilização desse ano na USP. Só com uma forte auto-organização poderemos barrar os ataques e reverter a precarização da USP, e pra isso é fundamental que a mobilização dos estudantes deixe de estar unicamente nas mãos das entidades estudantis.

Além desse primeiro passo, no mesmo dia da assembleia foi realizada uma Plenária dos Três Setores envolvendo estudantes, funcionários e professores da FEUSP. Foram discutidas as perspectivas para o dia 15 e para a luta em defesa da educação e da reforma da previdência. Um primeiro passo também por parte das três categorias da faculdade, que demonstram como é fundamental a unidade para se enfrentar com os ataques que estamos sofrendo, seja na USP, seja estadual e nacionalmente.

A próxima plenária ocorrerá no dia 27/03, pra que o diálogo entre os estudantes, professores e funcionários não acabe.

A mobilização que estamos buscando construir na Faculdade de Educação da USP junto a centenas de estudantes pode servir como um ponto de apoio pro conjunto dos estudantes da USP organizarem comandos de mobilização em suas unidades, com delegados eleitos e também organizar plenárias unificadas. A luta que queremos travar necessita de uma ampla mobilização construída desde as bases, com espaços de auto-organização dos estudantes e unidade com os trabalhadores de dentro e fora da USP. É preciso que os comandos de mobilização se espalhem por toda a universidade e que conformem um comando unificado, e que os centros acadêmicos e DCE construam nas bases amplos debates entre estudantes, funcionários e professores para termos força de enfrentar o ataque da Reitoria.




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