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Educação federal em greve | Por que mais de 700 se manifestaram em Natal pela educação, contra o arcabouço e os cortes?

Ontem, dia 9, aconteceu o ato nacional unificado das universidades e institutos federais. Em Natal, mais de 700 estudantes, professores e servidores fizeram o primeiro ato de rua desde que iniciaram as greves estudantis, denunciando a precarização da UFRN, desde o campus central até os campi dos interiores, bem como dos IFs, relatando as péssimas condições de permanência, de estudo e de trabalho.

Emilly VitoriaEstudante de ciências sociais na UFRN e Militante da Faísca Revolucionária

sexta-feira 10 de maio | Edição do dia

Lado a lado dos trabalhadores que se enfrentam contra o reajuste zero de Lula-Alckmin, os estudantes mostraram uma forte disposição de luta contra o desmonte da educação pública e o arrocho salarial fruto dos sucessivos e bilionários cortes na educação que iniciaram desde 2015 com o governo Dilma, foram aprofundados pelos reacionários Temer e Bolsonaro e seguem sendo mantidos e reatualizados com o Arcabouço Fiscal e o projeto neoliberal de país levado adiante pela Frente Ampla com a não revogação das reformas trabalhista e da previdência, a reforma do novo ensino médio e o PL da uberização!

O Esquerda Diário esteve presente no ato ontem recolhendo denúncias e perguntando aos estudantes porque estavam se manifestando: "Estamos aqui no primeiro ato de rua dos três setores em greve em defesa da educação em Natal e perguntamos aos estudantes, por que vocês vieram ao ato lutar?

Estudantes de Psicologia da Facisa: A gente, estudantes da Facisa, estamos aqui porque lá nós temos uma estrutura extremamente precarizada, a residência universitária é extremamente ruim, não tem uma cozinha com tamanho suficiente para o número de pessoas que tá ocupando atualmente, a gente não tem acessibilidade, não tem quadra, não temos lugares para socializar, não temos RU. Não temos políticas de permanência, não temos estrutura de sala de aula e nem alimentação, nem auxílios ou pesquisa suficientes.

Denzel (estudante de Teatro na UFRN e presidente do Centro Acadêmico): Estamos aqui na rua hoje pela importância da luta pelo orçamento da universidade, fazendo uma intervenção de arte e mobilizando o Teatro, desde o corpo discente ao docente, expondo alguns materiais e levantando um questionamento acerca da questão orçamentária que é a nossa principal pauta e que diz respeito às nossas reivindicações nesse período de greve. Isso é sobretudo um ato de muita luta e de resistência, porque do jeito que está não dá pra continuar, não dá pra continuar nessa situação que se encontra a educação pública, federal, municipal e que está indo de mal a pior nos últimos anos. Não dá pra aceitar isso passivamente. Embora eu seja pessimista, eu ainda quero acreditar um pouco que pelo menos vamos conseguir um pouco de recomposição orçamentária nos próximos anos, se não para mim, para os próximos estudantes que virão depois. É isso, obrigada.

Estudante de arquitetura e urbanismo da UFRN: Eu acho importante estar aqui principalmente pela recomposição orçamentária e também não é só pensando no momento que estamos dentro da universidade, em que precisamos de mais professores e mais assistência, mas também pensando no momento em que vamos sair para o mercado de trabalho.

Ane (estudante de pedagogia da UFRN e parte do Centro Acadêmico Paulo Freire): Estou aqui para divulgar essa greve e essa marcha em defesa da educação porque a universidade pública precisa de qualidade e isso precisa ser feito com a recomposição orçamentária e a recomposição salarial!

Nesse sentido, as entidades de base precisam ser ferramentas de organização dos estudantes, fortalecendo a luta, a confiança nas nossas próprias forças, para não deixar que essa força demonstrada no ato se dissipe. É urgente que o DCE da UFRN, que é dirigido pelas juventudes do PT e do PCdoB, rompam com sua inércia por serem parte do governo federal, que impede que os estudantes sejam parte, ombro a ombro dos técnicos e professores, de tomar nas próprias mãos os rumos dessa luta, em espaços democráticos em que cada estudante tenha direito a voz e voto. Os Centros Acadêmicos podem ser exemplo também, convocando já assembleias setoriais, como nós da Faísca defendemos no CEB (Conselho de Entidades de Bases) da UFRN.

Fazemos esse chamado às organizações e setores que fazem parte de gestões de Centros Acadêmicos e que se reivindicam oposição à gestão do DCE, como Correnteza, Juntos, UJC RR, que poderiam estar dando exemplo, mas na verdade não impulsionam de fato a auto organização dos estudantes, sequer convocando assembleias regulares. Sendo assim, o potencial da greve que vem sendo demonstrado entre os estudantes vêm sendo desviado pelas correntes que se colocam como oposição à majoritária da UNE como Juntos/PSOL e Afronte/PSOL, sendo o PSOL parte do governo Lula-Alckmin, e Correnteza/UP e UJC-RR, que na prática e mesmo tendo cadeiras dentro da UNE se adaptam a política de paralisia da UNE (PT, UJS e Levante). Bem como no RN, a UP ocupa um cargo dentro do governo da deputada Natália Bonavides (PT) que votou a favor do Arcabouço Fiscal.

Sem contar que nos diversos DCEs e CAs que estão pelo país vem atuando com uma política por fora da construção da greve pela base, mal convocando assembleias, para desviar e conter a disposição de luta e greve dos estudantes, sendo funcionais à preservação da Frente Ampla que fortalece a extrema-direita.
Assim, fazemos esse chamado às organizações e setores que fazem parte de gestões de Centros Acadêmicos e que se reivindicam oposição à gestão do DCE,
para organizar os estudantes, tanto na UFRN, frente ao corte de R$1,2 milhões no RU e na residência, quanto nos IFs por bolsas e auxílios que atendam toda a demanda e pela construção de RU nos interiores.

A disposição de luta mostra o caminho: fortalecer a luta unificada dos estudantes e trabalhadores pelo reajuste, pela revogação integral dos cortes e recomposição orçamentária dos IFs e UFs, pelo fim do Arcabouço Fiscal, o teto de gastos de Lula-Alckmin.




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