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Denúncia | Escolas particulares e cursinhos gaúchos pressionam professores pelo retorno em meio à crise das enchentes

Professores e estudantes denunciam ao Esquerda Diário pressões e assédio das direções de escolas e cursinhos particulares gaúchos pelo retorno às aulas. Muitos estão com suas casas alagadas ou cobertas de lama, sem água, energia elétrica, sem meios de se deslocar diariamente.

domingo 12 de maio | Edição do dia

Há mais de uma semana das primeiras chuvas e das enchentes que destruíram diversas cidades do interior e da região metropolitana do Rio Grande do Sul, muitas escolas e cursinhos particulares anunciam o retorno das aulas para esta semana, mesmo diante de um RS em estado de calamidade, com cidades submersas ou cheias de lama, serviços essenciais desativados, infraestruturas danificadas e uma nova onda de chuvas que já eleva mais uma vez o nível dos rios.

Denúncias ao Esquerda Diário revelam que colégios particulares de elite como o Anchieta mantiveram suas aulas por muitos dias, enquanto a população gaúcha se mobilizava em socorro às vítimas das enchentes. Também chegam denúncias de cursinhos pré-Enem e pré-vestibulares como Fleming, Fênix e Spartha que estariam pressionando professores pelo retorno às atividades. Também chegaram denúncias de um colégio particular da zona sul de Porto Alegre em que a direção está cobrando material na Internet e as aulas presenciais retornarão normalmente nessa segunda-feira, dia 12 de maio, mesmo com previsões de o Guaíba subir a 5,50 metros essa semana.

Quantos professores, funcionários e até mesmo estudantes podem ter sido prejudicados pela manutenção das atividades com o estado debaixo da água? Quantos serão com um retorno às salas de aula nesta semana? Muitos estão com suas casas e ruas alagadas ou cobertas de lama, sem água, energia elétrica, sem meios de se deslocar diariamente às salas de aula. Como cobrar atividades ou aulas online sem energia elétrica? Trabalhadores da educação tiveram de abandonar suas casas e estão sendo cobrados pelos patrões mesmo sem terem onde morar.

Muitos funcionários, professores e famílias de alunos estão abrigando outras pessoas, doando o pouco que tem ou então mesmo trabalhando em abrigos e centros de solidariedade. É um absurdo que as coisas "voltem ao normal" nessas circunstâncias. Além do mais, quantos não estão abalados psicologicamente nessa situação? A última coisa que essas direções pensam é na saúde de seus funcionários.

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