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14J: PLANO DE LUTA

4 pontos para derrotar o plano do golpe da Lava Jato, Congresso, militares, Bolsonaro e grande mídia

A entrada em cena do movimento estudantil e a greve geral de 14 de junho são demonstrações da nossa força para derrotar os ataques. Unir a juventude e os trabalhadores para impor que as centrais sindicais rompam a negociação em curso do nosso futuro e construam um plano de luta desde a base para derrotar os cortes, a reforma da previdência e o conjunto do plano do golpe institucional e do imperialismo.

quarta-feira 12 de junho| Edição do dia

As revelações do The Intercept confirmam: Moro, Dalagnol e a Lava Jato não vieram para combater a corrupção. A prisão do Lula, a manipulação das eleições, o assassinato da Marielle e o golpe institucional vieram para descarregar a crise econômica, que os capitalistas e governantes geraram, nas costas dos trabalhadores e da juventude, como agora querem fazer com a reforma da previdência, os cortes na educação e todos os ataques do governo Bolsonaro, junto ao congresso, ao judiciário, aos militares, à mídia golpista (com a Globo à cabeça) e ao imperialismo norte-americano. Para eles, não bastavam os ataques que o PT era capaz de fazer, como Dilma mostrou em 2015. Eles queriam nos fazer trabalhar até morrer, morrer no trabalho ou sofrer no desemprego. Querem acabar com a aposentadoria e a educação pública e vender o país para o imperialismo e os banqueiros. Seguem nossas propostas para derrotar esse plano:

1 – A unidade da juventude com a classe trabalhadora é decisiva para derrotar a reforma da previdência e os cortes na educação

Bolsonaro e essa extrema direita que odeia os trabalhadores, as mulheres, negrxs e LGBTs, desde o começo declarou guerra contra a educação, os professores, as universidades e o movimento estudantil, mas eles não esperavam uma resposta tão poderosa. No dia 15 de maio fomos mais de 1 milhão nas ruas, com os estudantes na linha de frente, junto aos professores. Voltamos às ruas em peso no dia 30 de maio, apesar das direções terem nos separado chamando um ato somente estudantil.

O governo quis nos chantagear e dividir dizendo que tínhamos que aceitar a reforma da previdência para se rever os cortes na educação, mas os estudantes contagiaram o país com a luta em defesa da educação e um dos cantos que mais se escutava era: "A nossa luta, unificou, é estudante junto com trabalhador". E é isso que precisamos mostrar com ainda mais força neste 14 de junho, na greve geral de 24hs, convocada por todas as Centrais Sindicais, com a classe trabalhadora parando em peso contra a reforma da previdência, construindo um dia que seja ativo, com greves, piquetes nos locais de trabalho, rodovias e ruas, e atos massivos da classe trabalhadora junto ao movimento estudantil, nos unificando em uma só luta pela educação e pela aposentadoria.

Dessa unidade, com as mulheres, negrxs e LGBTs na linha de frente, podemos fazer com que os capitalistas paguem pela crise.

2 - O 14 de junho tem que ser parte de um plano de luta com continuidade e construído pela base

Eles já mostraram que nossa luta tem que ser sem trégua. Fizemos uma grande paralisação nacional no 28 de abril de 2017, que parou a reforma da previdência naquele momento, mas as centrais sindicais boicotaram a continuidade da luta e foi aprovada a reforma trabalhista. Não param os ataques depois do 15 e 30 de maio, com mais cortes de bolsas de pesquisa e ameaças de repressão contra professores e estudantes em luta.

Para eles não tem limite o sofrimento dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre. Já são quase 30 milhões de desempregados e subempregados no país, o que só piorou nos governos Temer e Bolsonaro com a reforma trabalhista. Como agora com a reforma da previdência, diziam que ia gerar empregos, chantageando que para isso seria necessário reduzir direitos e salários, o que até os dados desmentem.
Para derrotar os ataques, não vai bastar grandes dias de luta dispersos, precisamos avançar na organização a partir da base e de um plano de luta com continuidade.
No movimento operário, devemos exigir dos sindicatos e centrais sindicais que convoquem assembleias de base para construir a luta que tem que ter continuidade a partir do 14 de junho, para quando a CUT e outras centrais vem com discurso de que devemos ficar em casa. Não! Precisamos nos organizar pela base e nos unir com a juventude em atos massivos de rua na greve geral!

No movimento estudantil, precisamos ir além, organizando a luta em cada local de estudo, com assembleias, coordenando pela base em cada município e estados todos os locais de ensino e urgentemente organizando um Comando Nacional de Delegados, que sejam eleitos e revogáveis nas assembléias de base, para que seja a base dos estudantes que defina democraticamente o calendário, objetivos e métodos da nossa luta. Não pode ser que depois que saímos em massa nas ruas, a UNE siga sem convocar nenhum organismo democrático para que a base dos estudantes possa definir os rumos da luta, uma necessidade tão urgente.

3 - Centrais sindicais e estudantis: parem de negociar nosso futuro com Bolsonaro e o Centrão!

É a base que está em movimento que precisa decidir os rumos da luta, sem nenhuma confiança nas cúpulas, que já deram muitas demonstrações que não vão levar à frente uma luta séria. A burocracia sindical da UGT e da Força Sindical diretamente apoia a Reforma de Bolsonaro ou pretende somente "desidratá-la". Toda a burocracia sindical busca negociar sua colaboração em troca do financiamento sindical. PT e PCdoB (que dirigem a CUT e a CTB, respectivamente, e são direção majoritária da UNE) se declaram contrários, mas os governadores do PT no Nordeste assinam carta defendendo a reforma da previdência, com alguns ajustes, e que seus estados também estejam incluídos, um escândalo. Ao mesmo tempo, atacam quem luta pela educação, cortando o ponto de grevistas, como faz o PT na Bahia e no Piauí. O PCdoB de Flávio Dino do Maranhão, além de assinar a mesma carta, negocia com Rodrigo Maia, peça crucial da Reforma da Previdência e do pacto defendido por Bolsonaro, como se fosse um aliado. E o que dizer de figuras como Tábata Amaral, do PDT de Ciro Gomes? Não só quer aprovar sua versão da reforma da previdência, após reuniões com Maia e Guedes, mas diz que "tem faculdades e universidades que dá pra cortar mais que outras". Estão negociando descaradamente a reforma da previdência pelas nossas costas, enquanto jovens e trabalhadores mostram nas ruas que queremos derrotar a reforma da previdência, não "modificá-la"!

Para não deixar a luta nas mãos desses setores, nos organizemos pela base. Fazemos um chamado ao PSOL para que coloque as entidades estudantis e sindicais que dirige a serviço dessa batalha para tirar o controle das cúpulas da mobilização, usando inclusive seu peso parlamentar e de figuras como Guilherme Boulos para fortalecer essa perspectiva. Foi nesse sentido que propusemos batalhar juntos por um Comando Nacional de Delegados de base, e que chamassem a juventude para ir aos locais de trabalho na construção do 14J. São batalhas que devem seguir após essa greve geral, para que a luta tenha continuidade até barrar os ataques e avançar por nossas demandas. Vai na contramão dessa perspectiva a política de buscar alianças com políticos e partidos da burguesia, como fazem com o PDT e PSB, ou recentemente Boulos que chegou a participar de reunião para debater uma "frente" com o PSDB e outros setores ainda piores.

4 – Tomemos a política em nossas mãos: por uma Constituinte imposta pela luta para que os capitalistas paguem pela crise

Não podemos separar a luta econômica da batalha política. Contra os ataques, precisamos levantar um programa para que os capitalistas paguem pela crise. Contra a reforma da previdência, exigimos o não pagamento da fraudulenta dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial para atacar o desemprego e a precarização. Contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, exigimos que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares. Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares, abolindo os tribunais superiores. Sem prestar apoio político ao PT, que abriu caminho ao golpe institucional com sua estratégia de conciliação de classes, defendemos a liberdade imediata de Lula.

Nós, trabalhadores e jovens, na luta por estas demandas, tomando a política em nossas mãos, podemos impor pela luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que debata todos os problemas do país. Nela seria possível batalhar por um programa como este e em defesa dos setores oprimidos, mulheres, negrxs, LGBTs. Uma luta dentro da qual possam surgir as forças para batalhar por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, baseado em organismos de democracia direta das massas.

Não aceitemos que nos digam que não é possível. Trump e Bolsonaro são radicais e querem tudo. Na crise estrutural que vive o capitalismo mundial e o Brasil, não há espaço para saídas intermediárias e para as ilusões reformistas e suas eternas apostas de resolução parlamentar dos problemas. Nessa crise, somos nós ou eles. É preciso romper com os capitalistas e imperialistas e impulsionar uma mobilização no Brasil e na América Latina que impeça essa barbárie que essa extrema direita quer nos impor.




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