Mundo Operário

11° Congresso dos Metroviários

Um primeiro balanço do Congresso dos Metroviários

Thiago Mathias

São Paulo |

quinta-feira 2 de abril de 2015| Edição do dia

O 11° Congresso dos Metroviários veio com o desafio de democratizar o sindicato, eliminando a distância entre os trabalhadores e seus representantes e aprovar políticas que nos armasse para reverter à derrota, respondendo aos próximos ataques ofensivamente na campanha salarial de 2015 e 2016. Não houve, no entanto, ampla participação da categoria devido a sua preparação.

Foi aprovado um posicionamento fundamental do Congresso contrário aos “ajustes” do governo Dilma e a independência em relação ao governo e aos patrões, defendido pela esquerda contra os governistas da CTB/PCdoB. Desta forma também se aprovou a participação da categoria no dia de luta em Brasília, no 7/4, onde a diretoria se comprometeu em mobilizar a base dos trabalhadores e disponibilizar ônibus para a participação.

Viemos nós do Metroviários Pela Base (MPB), também, com propostas concretas para ligar a luta pela readmissão dos metroviários com a contratação de funcionários e redução da jornada para 36h, uma demanda urgente diante da falta de quadro. Também viemos com uma proposta do sindicato propor plenárias estaduais para as categorias em greve e luta, como os professores, para fazermos uma paralisação conjunta contra o governo. Ainda defendemos a contratação dos terceirizados sem concurso público, mas sofremos com a oposição de todas as forças políticas neste ponto, onde mais uma vez colocam os direitos do setor mais bem pago da classe trabalhadora contra os setores mais explorados, mantendo a divisão existente.

Infelizmente as correntes majoritárias CTB/PCdoB, PSTU e PSOL não priorizaram o debate sobre o plano de lutas e a campanha até agora. Isso é um problema, pois a campanha para ser vitoriosa se prepara com antecedência e planejamento, não na véspera, como estamos.

Se existe um balanço comum da greve de 2014, é que não podemos confiar na Justiça. A atual diretoria vai à contramão disso, apostando todas suas fichas na Justiça e com poucas medida de mobilização em relação aos demitidos da greve, na questão da PR de fevereiro, sobre as equiparações pendentes, todas essas questões centradas ao “jurídico”, e agora, na campanha não se prepara ainda nada, o que pode no colocar na mão do TRT novamente. Isso demonstra pouca confiança da diretoria na força dos trabalhadores e nos deixa muito inseguros.

Desta forma, a distância entre os trabalhadores e o sindicato se ampliou principalmente pelo problema estrutural da composição da atual diretoria, onde a democracia sindical não avançou conforme a expectativa e muitos “vícios” burocráticos permanecem mesmo sem a antiga diretoria governista.

Propusemos, no Congresso, a formação de um Conselho de Delegados de Base, eleitos nas estações, pátios e áreas de trabalho com mandato de um ano e que seja revogável, em substituição à Diretoria de Base que hoje não passa nas áreas e não tem cumprido seu papel, sendo “úteis” em momentos de eleição, mas não para orientar e organizar os colegas. Essa medida era muito importante pois abriria espaço para novos trabalhadores fazerem política e estabeleceria um controle maior da base sobre os representantes. Todas as demais forças políticas foram contrárias a essa medida por enxergarem uma ameaça à suas posições sindicais.

Infelizmente, na discussão sobre a reformulação do estatuto do Sindicato também primou o aparatismo das demais forças políticas, todos interessados em ampliar ou manter sua presença no Sindicato.

O PSTU, através da agrupação Alternativa Sindical, foi conservador. Se opuseram à mudança de estatuto por se colocar contrário à proporcionalidade. Este partido, dentro da Conlutas, fala da boca para fora em defesa da proporcionalidade, mas defende nos sindicatos hora ou outra o que é funcional para se manterem nos aparatos, à revelia do que é mais correto para a democracia sindical. Argumentaram que a proporcionalidade “traria o governo de volta ao sindicato”, mas no Brasil o PSTU fecha chapas majoritárias, inclusive, com o governo, ora com a CTB/PCdoB, ora com a CUT/PT para subir à diretoria dos sindicatos, como é o caso do CEPERS. Quando estão em oposição, defendem a proporcionalidade, como na APEOESP, para terem vagas na diretoria, mas quando são maioria, como no Metrô, defenderam a majoritariedade para estarem sozinhos no Sindicato. Foram vencidos.

Em seguida, foi votado a forma de proporcionalidade. Neste caso, a Unidos Pra Lutar, corrente vinculada à CST/PSOL, fez um bloco com o governismo em duas votações decisivas para que não houvesse chapas, mas sim votação nome a nome nas áreas. Nos opusemos propondo inscrição por chapas na proporcionalidade. Não concordamos com esse modelo aprovado, pois tem muitas contradições e favorece a eleição pelo “coleguismo”, a eleição de figuras conhecidas e não prioriza o debate de programa político, sendo vantajoso para os governistas da CTB que falam o que todos querem ouvir em troca de votos para estarem de qualquer maneira no aparato.

Nesta votação a Alternativa Sindical teve uma postura irresponsável: declararam que para não mostrar sua divisão interna no tema (algo que deveria ser levado com mais naturalidade nas agrupações sindicais vivas) resolveram se abster, o que decretou a derrota da proposta de proporcionalidade por chapas, deixando o MPB votando sozinho contra a Unidos e a CTB.

Ponto positivo é que se aprovaram critérios mais democráticos para a inscrição nas eleições, o que também auxilia a ideias minoritárias se expressarem sindicalmente, por isso precisamos explorar ao máximo essa vantagem para tentar modificar o caminho do sindicato nos próximos anos e buscar uma maior democratização no futuro.

Outro ponto que enxergamos positivamente foi a conformação da mesa de Opressões onde houve um debate fundamental de ser feito sobre racismo, machismo e homofobia em um cenário nacional tão avesso a essas demandas, assim como a aprovação da secretaria LGBTTI como meio importante para fomentar o debate interno entre os metroviários. A mesa sobre Memória e Justiça foi mais um ponto positivo, sem dúvida, onde se revela uma luta democrática de reparação às vítimas da ditadura militar imprescindível quando já se escuta setores pedindo o retorno desde regime anti-operário e reacionário.




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