Mundo Operário

GREVE GM

Termina greve na GM de SJC, centenas de demissões estão preparadas

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quarta-feira 27 de janeiro de 2016| Edição do dia

Foto retirada do site do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

A assembleia que decretou o fim da greve, iniciada dia 18, ocorreu nessa terça, 26, com centenas de operários votando unanimemente a proposta de R$ 5.600 de segunda parcela de PLR, mais antecipação de 50% do 13º e estabilidade de 60 dias – o que não se aplica aos 798 que estão em lay-off. Além disso, a patronal pagará somente metade dos dias parados, a outra metade será descontada dos trabalhadores – essa foi a votação que mais dividiu opiniões, pois boa parte preferia trabalhar aos sábados para compensar esses dias. A proposta inicial da patronal era de R$ 4.250, sendo que já havia oferecido R$ 5 mil em negociação passada, dia 21. Apesar do sindicato fazer uma avaliação inteiramente positiva, "Foi uma greve forte. Os trabalhadores começaram o ano dando um recado claro para a GM. Eles não vão ceder a pressões e vão lutar por direitos e emprego", como disse o presidente do sindicato, Antônio Macapá, as controvérsias entre os trabalhadores são muitas, questionando, por exemplo, o quanto foi possível conquistar realmente a mais, considerando que boa parte dos dias parados serão descontados.

A patronal também gostou do acordo, mas já adiantou que ainda pretende atacar mais, “A GM acredita que essa decisão é positiva, mas não resolve a situação de competitividade do complexo de São José dos Campos visto que a paralisação da operação na fábrica por seis dias só contribuiu para aprofundar a séria crise que afeta hoje a GM e a indústria automotiva”, o que também foi confirmado por Renato de Almeida, da diretoria do sindicato, “Ontem (25) a GM falou na frente do Tribunal que deve demitir mesmo. O sindicato é veementemente contra e vai iniciar outra mobilização.” Para quem estava presente na assembleia, infelizmente, não parece ser fácil que ocorra tal mobilização contra as demissões em menos de uma semana, inclusive porque nada foi encaminhado nesse sentido durante as votações dessa terça-feira. A expectativa do sindicato é que o número de demissões caia em relação ao total dos trabalhadores em lay-off devido a adesão ao PDV (Plano de Demissão Voluntária), que a GM está abrindo.

Desde agosto de 2015 nós do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), em diversas oportunidades, nas reuniões da CSP-Conlutas etc., temos chamado o PSTU, que dirige o Sindicato dos Metalúrgicos de SJC, para que seja feita uma ampla campanha em torno da defesa dos postos de trabalho na GM, fazendo dessa fábrica uma verdadeira trincheira para os trabalhadores do país terem um exemplo de como enfrentar a situação de ataques da patronal de do governo, com seus métodos de luta e com independência de classe. Apesar disso, o quadro atual da relação de forças na GM não parece favorável e pode ser que as centenas de demissões se quer encontrem uma dura resistência. Uma grande luta, mesmo que não chegasse à vitória, seria um exemplo para os milhares que estão ameaçados com o desemprego em toda categoria metalúrgica nacionalmente.

A grande disposição de luta demonstrada pelos operários da GM durante o ano passado para barrar as 798 demissões e agora novamente nessa greve contra a proposta rebaixada de PLR são um indício claro de que com uma mudança na orientação da direção do sindicato é possível sim dar grandes exemplos de combates de classe nessa fábrica, unificando as demandas econômicas com a defesa dos postos de trabalho e impedindo que a GM descarregue suas dificuldades com a crise nas costas dos trabalhadores enquanto mantém lucros bilionários para seus acionistas.




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