Educação

REITORIA

Rui e Jane são reeleitos na UFRGS, mesmo tendo 4264 votos a menos que oposição

terça-feira 14 de julho| Edição do dia

As eleições para reitoria na UFRGS ocorreram nessa segunda-feira (13). Na verdade trata-se de uma consulta, a ser referendada pelo Conselho Universitário, cuja reunião ocorrerá dia 17 de julho. Foi uma eleição bem expressiva, contando com um total de 15.725 votos, mais que o dobro da eleição de 2016.

Como de praxe, as eleições contam com uma regra altamente antidemocrática onde o voto de um professor vale mais do que o de 60 estudantes. Sim, essa é a proporção. A chapa 2, de Rui e Jane, da situação há anos na universidade, contou com um total de votos de 4683 entre professores, técnicos e estudantes. A chapa mais votada, a 3, de Karla e Claudia, obteve 8947 votos no total. Uma diferença de 4264 votos entre a primeira e a colocada. A terceira chapa, mais à direita, obteve 1860 votos, em último lugar.

O que explica essa anomalia é o sistema 70-15-15, onde o voto de técnicos e estudantes valem 15% cada, enquanto o de professores vale 70%. Os resultados específicos podem ser vistos aqui. Trata-se de um sistema que joga no lixo a decisão da maioria de estudantes e técnicos da universidade em prol do controle da universidade nas mãos de um grupo encastelado há anos na reitoria. Essa é a mesma reitoria que, beneficiados pelos mecanismos antidemocráticos de escolha de reitores, usa e abusa de suas posições para aprofundar a absurda terceirização na universidade (que explora trabalhadoras da limpeza, segurança e alimentação), que permite as empresas privadas se utilizarem da estrutura pública para obter lucros, que ataca os cotistas indeferindo matrículas e segue os ataques do governo federal contra os setores mais precários. Ou seja o mesmo grupo que aprofunda o elitismo na UFRGS e a lógica mercadológica que tanto penetra em nossos departamentos.

Como se não bastasse, o processo é tão arcaico que o presidente Bolsonaro ainda tem o aval de escolher a chapa que bem entender da lista tríplice. Trata-se de uma lógica quase feudal, onde a democracia não passa de palavras ao vento dos senhores Rui Oppermann, Jane Tutikian e aliados.

Uma coisa ficou clara nessa eleição farsesca: a oposição bolsonarista não teve lugar nas eleições. Venceu, de forma antidemocrática, o mesmo candidato que setores do PT fez campanha no passado. Como colocamos em outros momentos, não víamos nenhuma alternativa no pleito, tendo em vista os problemas pertencentes a todas as chapas (veja aqui declaração que soltamos). Mas não podemos deixar de nos indignar com tamanho absurdo uma chapa com 4264 votos a menos ser eleita numa das principais universidades federais do país. É preciso ampla mobilização dos estudantes, técnicos e professores para alterar o estatuto antidemocrático e arcaico da universidade, a fim de garantir democracia plena e radical, com o fim da reitoria e a conformação de um governo democrático que conduza a universidade ao seu objetivo de pesquisar, produzir e ensinar de acordo com os interesses da maioria da população, e não do mercado.




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