Política

PRONUNCIAMENTO

Pressionado por imperialistas sedentos, Bolsonaro faz pronunciamento recuado e mentiroso

Bolsonaro realiza pronunciamento de TV depois da enorme repercussão das queimadas que escalaram na Amazônia na última semana. Pressionado pelas ameaças e sanções por parte dos países imperialistas que também têm interesse em devastar a Amazônia, Bolsonaro aparece com postura recuada.

sábado 24 de agosto| Edição do dia

Veja aqui o pronunciamento:

Encurralado por um lado pela pressão vinda das ruas em diversos locais do país e do mundo (manifestações que acontecem hoje e que acontecerão nos próximos dias), por outro, pressionado internacionalmente por diversas nações imperialistas e pela péssima imagem internacional, foi obrigado a recuar de seu discurso ofensivo e predatório contra as reservas ambientais, os povos indígenas, quilombolas e povos originários, e fez um discurso defensivo e demagógico.

Bolsonaro já havia tomado uma série de medidas em nome dos lucros insaciáveis do agronegócio, como a nomeação de Ricardo Salles (acusado de crimes ambientais); liberação de agrotóxicos cancerígenos; deslegitimação dos dados alarmantes sobre o desmatamento divulgados pelo Inpe; revisão de 334 Unidades de Conservação; tentativa de extinção de reservas ambientais, enfim, uma longa lista.

Contudo, hoje foi foi impelido a tecer elogios à região Norte do país e à própria Amazônia, falando do necessário desenvolvimento dos estados do Norte (mantendo o aceno ao agronegócio). Bolsonaro também mencionou a autorização do emprego de militares em uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater as queimadas na região da floresta.

Segundo o decreto estabelecido na tarde dessa sexta (23) as Forças Armadas poderão ser usadas já a partir deste sábado (24) em "ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais" e "levantamento e combate a focos de incêndio". Os militares serão empregados, de acordo com o decreto, nas áreas de fronteira, terras indígenas, unidades federais de conservação ambiental e "em outras áreas dos estados da Amazônia Legal".
Ainda está em aberto as dimensões do estrago desta política, mas como mínimo podemos apontar que os povos originários estarão ainda mais em risco.

Ficou claro o medo das diversas retaliações que ameaçam atingir em cheio Brasília e a economia brasileira por parte do imperialismo europeu. França declarou posição contrária ao acordo entre U.E e o Mercosul, Irlanda ameaçou ser contra. Finlândia, que detém a presidência rotativa da U.E, declarou intenção de propor banir a compra de carne bovina brasileira. Na reunião do G7 - cúpula que abriga os países líderes da espoliação mundial - Macron sugeriu tomar medidas. Jornais alemães como o Die Zeit sugeriram que chegou o momento de aplicar sanções contra Bolsonaro.

Como apontamos no Esquerda Diário, uma ameaça de um bloco econômico liderado por potências europeias seriam pesados golpes contra economia brasileira. Não somente Bolsonaro, o agronegócio e a corja de capitalistas, mas a população pobre e trabalhadora que vem sofrendo com o alto desemprego e estagnação econômica, também sentiria os efeitos das sanções tomadas pelas potências europeias. Isso só mostra que a U.E vê somente a defesa dos seus interesses econômicos e políticos como objetivo central, sendo a questão ambiental, só um meio para impor seus interesses.

Bolsonaro, agronegócio e G7: tirem suas mãos da Amazônia

Se é evidente que a expansão da soja e os interesses do agronegócio brasileiro - intimamente vinculados ao capital financeiro e aos bancos - são uma ameaça direta ao meio ambiente, é certo que a voracidade dos governos imperialistas e colonialistas estrangeiros não representa perigo menor. Falam da Amazônia porque a querem integralmente para seus interesses monopólicos. Ao lutar contra Bolsonaro, não podemos esquecer de exigir que as grandes potências capitalistas tirem suas mãos de nossos recursos naturais.

Em diversas partes do mundo os jovens protagonizam inúmeras manifestações contra as mudanças climáticas fruto da devastação ambiental, como as "sextas-feiras pelo futuro na Europa". Hoje, ocorreram em diversos locais do país importantes e numerosos atos em defesa da Amazônia e contra a política predatória de Bolsonaro. Foram e são os jovens a linha de frente dos questionamentos às políticas devastadoras de Bolsonaro. É preciso um programa e uma estratégia anticapitalista ao lado da classe trabalhadora para que essa jovem geração possa lutar pelo seu futuro.

É necessário impor a imediata suspensão de todos repasses financeiros bilionários do plano Safra aos latifundiários e sua imediata aplicação em planos de combate ao incêndio, reflorestamento e gestão das florestas. Frente aos bilhões de dólares exportados anualmente em soja, milho e carne às custas de devastação ambiental e humana, é preciso levantar uma campanha pela estatização sem indenização de todas as traders e seus bilionários recursos financeiros, logísticos e tecnológicos. A posse dessas empresas implicaria em um monopólio estatal do comércio da soja, permitindo que essas riquezas não sirvam apenas a um punhado de imperialistas e latifundiários. Uma empresa estatal, controlada pelos trabalhadores, permitiria o uso das mais modernas tecnologias, hoje empregadas para o lucro e a devastação, para o desenvolvimento humano e de outro metabolismo, orgânico com a natureza e todos povos tradicionais e originários.

Uma reforma agrária radical, abolindo o latifúndio depredador, é uma tarefa democrática que no Brasil está indissociavelmente vinculada com a perspectiva de um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo. Os governos do PT, de conciliação com a direita e o agronegócio, apenas incrementaram os milhões de hectares em latifúndios, que passaram a representar quase 25% do PIB em 2015. O projeto de país petista, apoiado naqueles que hoje são base do bolsonarismo, não é nenhuma alternativa ao cataclismo da extrema direita.

Elementos de um programa como este, operário e anticapitalista, seriam uma poderosa alavanca na luta para os trabalhadores de todo país tomarem em suas mãos a luta junto dos camponeses, quilombolas e povos originários para abolir essa herança colonial e escravocrata do latifúndio, e oferecer terra, crédito e tecnologias a todos que queiram trabalhar nela.

Impulsionemos com todas as forças os atos em todo o país contra a destruição do meio ambiente pelos capitalistas, inclusive aqueles que se revestem com peles de cordeiro para melhor explorar os recursos mundiais.




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