Gênero e sexualidade

HOMOFOBIA

Papa diz que “o casamento e a família passam por uma séria crise cultural”

quinta-feira 18 de junho de 2015| Edição do dia

Na semana passada, Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, deixou claro que a Igreja considera que a sanção do Matrimônio Igualitário na Irlanda é um “atraso da humanidade”.

A República da Irlanda, de forte tradição católica, disse sim ao casamento igualitário mediante um referendo que aprovou com 62,07% do eleitorado a sanção desta demanda de diversidade sexual. O norte da Irlanda é parte do Reino Unido e é a única região onde não existia o casamento igualitário, em contraposição ao País de Gales, Escócia e Inglaterra.

O sexo é mau. O discurso de Francisco frente aos bispos dominicanos veio um dia depois da tradicional audiência de quarta-feira, dedicou sua catequese à corte, dizendo que deve ser um período em que as pessoas aprendam a conhecer umas as outras antes de chegar ao casamento.

“Sim, muitos casais levam muito tempo também na intimidade, convivendo, mas sem se conhecer de verdade. Parece algo estranho, mas a experiência demonstra que é assim”, disse o Papa na Praça de São Pedro. Ainda acrescentou: “É urgente uma ampla catequização sobre o ideal cristão da comunhão conjugal e da vida familiar, incluindo uma espiritualidade da paternidade e da maternidade”.

“Vamos apresentar a beleza do casamento cristão: ‘casar ante o Senhor’ é um ato de fé e amor, em que os esposos mediante o livre consentimento, se convertem em transmissores da benção e da graça de Deus para a Igreja e a sociedade”, defendeu o Papa. Uma maneira rebuscada e sádica de ver o amor, o mesmo que declarou pela Guerra de Deus quando se discutia o casamento entre pessoas do mesmo gênero, defendendo o modelo familiar. Sem ir mais longe, em declarações recentes, impôs seu modelo de doutrinação infantil, onde recomendava algumas “palmadas” caso as crianças não se comportem.

Dessa maneira fica claro que para a Igreja e seu obscurantismo, o sexo só possui uma finalidade reprodutiva, pretendendo legislar o desejo das pessoas e impondo uma moral retrógrada, de um modelo que defende a submissão das mulheres e a imposição patriarcal. É fundamental exigir a separação da Igreja do Estado; ninguém deve legislar sobre nossos sentimentos.

Tradução: Ana Fulfaro




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