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Os 18 anos do 11 de setembro e a "Guerra contra o Terrorismo"

Os terríveis atentados contra as torres gêmeas em que mais 2900 pessoas morreram, em sua maioria trabalhadores e transeuntes, não marcaram apenas a história em solo norte americano.

quarta-feira 11 de setembro| Edição do dia

Este repudiável crime, concebido para causar a maior quantidade de mortos possível entre a população, foi utilizado como justificativa política e moral da infelizmente conhecida “guerra contra o terrorismo”, lançada pelo então presidente George Bush e continuada por Barack Obama. Além de ser o motivo para um ataque sem precedentes contra as liberdades democráticas fundamentais: desde a espionagem e a "islamofobia" até a legitimação da tortura.

O primeiro capítulo foi a invasão do Afeganistão em outubro de 2001. O ataque seguiu em 2003, baseado na escandalosa mentira das armas de destruição em massa, que levou à queda de Saddam Hussein e à ocupação militar do país por mais de 100.000 soldados norte americanos.

As guerras foram (e são) profundamente impopulares nos países beligerantes. Ao ponto de terem desencadeado uma das maiores mobilizações anti-guerra em várias décadas, e as primeiras de caráter verdadeiramente global.

Barack Obama foi eleito com a promessa de acabar com as guerras do Afeganistão e Iraque. E enquanto reduziu a presença de tropas terrestres, manteve o militarismo. Em seus mandatos, os Estados Unidos bombardeou, com mais ou menos regularidade, sete países: Afeganistão, Líbia, Somália, Paquistão, Iêmen, Iraque e Síria. Colocou em voga as execuções sumárias e os ataques com drones. E deixou a Casa Branca com o país em uma nova guerra, contra o Estado Islâmico. Todo um currículo para um Prêmio Nobel da Paz.

A “guerra contra o terrorismo” foi engendrada pelos neoconservadores, que dirigiam nesse momento a política exterior do governo republicano de Bush, com uma estratégia militarista e unilateral para recompor o poderio norte-americano, que já dava sintomas de decadência após ter desfrutado de uma década de hegemonia quase sem questionamentos, depois de seu triunfo na guerra fria.

Entretanto, logo após seu início, essa se demonstrou em um erro grotesco de cálculo, que levou os Estados Unidos a embarcar em uma guerra sem fim, com consequências desastrosas para a chefia da principal potência mundial, pelas quais muitos analistas comparam seus efeitos a uma espécie de “Vietnã em prestações”.

Segundo informações da Boston University, a guerra custou aos Estados Unidos pelo menos 1,6 bilhões de dólares. O custo humano é infinito: ao redor de 1 milhão de mortos no Iraque, 220.000 no Afeganistão, 80.000 no Paquistão. Se estima que as baixas relacionadas de maneira direta e indireta com a guerra contra o terrorismo poderiam chegar a 2 milhões. A isto se somam os 12 milhões de desabrigados pela guerra civil na Síria, transformada em um cenário para diversos conflitos: Arábia Saudita-Irã, Turquia-curdos e em última instância Estados Unidos-Rússia.

A ocupação norte americana no Iraque criou as condições sobre as quais, logo após a derrota nos processos da “Primavera árabe”, surgiu o Estado Islâmico, uma organização que hoje é o nome próprio de um novo tipo de terrorismo, imprevisível e inorgânico, que ataca o ocidente.

A administração de Trump definiu mudanças nos objetivos estadunidenses. “A competição estratégica interestatal, não o terrorismo, é agora a principal preocupação da segurança nacional dos Estados Unidos”, afirma um documento sobre a Estratégia de Defesa Nacional publicado em janeiro de 2017.

Pouco antes de completar um novo aniversário dos atentados de 11 de setembro, o presidente Trump tirou de seu governo John Bolton, o grande “falcão” da diplomacia americana, que com a nominação de Mike Pompeo como chefe do Departamento de Estado, permitiu que Trump alinhasse temporariamente a Casa Branca atrás de algumas “linhas vermelhas” de sua agenda externa, que encontram grande resistência em um setor significativo do aparato estatal.

Embora ainda não se saiba quem será o sucessor de Bolton, já se mencionam alguns nomes. Entre os possíveis candidatos estão Stephen Biegun, que atualmente é o representante dos Estado Unidos para a Coréia do Norte, e Douglas Macgregor, um coronel aposentado do exército e ocasional membro do painel da Fox News, com posições menos beligerantes e mais próximas à ala “realista” da política externa.
O distanciamento do governo é parte de um cálculo eleitoral de Trump. As guerras com que sonha Bolton não são populares entre os eleitores do presidente, mais preocupados com uma eventual futura recessão do que com empreender em novas aventuras militares.

Ainda que haja perspectiva do “conflito entre potências”, o militarismo e as tendências bonapartistas são sinais de que em tempos convulsivos as classes dominantes não hesitaram a recorrer à “soluções de força”. No marco de uma crise capitalista que já dura mais de uma década, a necessidade de enfrentar as políticas de guerra e a ofensiva imperialista seguirá estando na ordem do dia.




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