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Inimigo dos negros | O racista Alckmin: Qual é o legado do vice de Lula para com a população negra?

Com a recente consolidação da chapa Lula-Alckmin, vemos grande parte da esquerda cada vez mais se adaptando a política de conciliação de classes do PT, que agora tenta dar a Geraldo Alckmin, ferrenho defensor do mercado e inimigo da classe trabalhadora um “ar” de amigável para com os interesses dos oprimidos no país. Entretanto, o histórico do ex-tucano enquanto governador gestor no Estado de São Paulo, traz consigo um rastro de sangue em suas mãos, um rastro de sangue da juventude negra paulistana.

quarta-feira 11 de maio | Edição do dia

A política de segurança pública de Alckmin, sempre foi um dos carros chefes de suas gestões do governo de São Paulo, o que resultou em dados catastróficos de violência para com a população negra do Estado. Entre 2014 e 2016 a polícia militar de Alckmin foi a que mais matou no Brasil. Entre os seus mortos, 99,6% eram homens, 48% entre a idade de 18 a 29 anos, e sendo 67% negros. Um índice de mortos acimas do percentual universal dos homicídios paulistas, um estado composto por 46% de homens negros no mesmo período anteriormente apresentado. Ainda São Paulo tem a maior população carcerária no país, número que teve uma explosão durante a época do primeiro mandato de Alckmin.

Em 2017, o número de mortos pela polícia de São Paulo chegou ao número de 943, um recorde em 25 anos.

A posição agressiva do Ex-governador de São Paulo com a população negra e periférica do país, não se alçou apenas em sua última gestão, mas foi uma constante em toda sua política de segurança pública. Em seu primeiro Governo, em 2001 quando assumiu a governança após a morte de Mário Covas, a primeira mudança realizada pelo tucano foi em relação à polícia, aumentou os seus recursos, pavimentando uma verdadeira gestão da segurança pública marcada pela repressão à trabalhadores e ao povo negro.

“Em São Paulo, bandido tem dois destinos: prisão ou caixão”,foi o que Alckmin declarou logo no início de sua gestão, antecipando em quase 20 anos uma frase parecida com a que João Doria teria proferido e se aproximando da política dos aliados de Bolsonaro, Witzel e Cláudio Castro que suas polícias bateram inúmeros recordes de assassinatos e chacinas no Rio de Janeiro.

Foi no início do governo Alckmin que a polícia armou uma emboscada em que atraiu 12 membros do PCC para um roubo a um avião pagador (que não existia) e atirou mais de 700 vezes no ônibus em que viajavam, até não sobrar ninguém com vida, na rodovia Castelinho, em 5 de março de 2002. Todos os envolvidos no massacre da Castelinho foram absolvidos na Justiça e os comandantes da operação foram promovidos por Governador Alckmin.

Houve uma verdadeira mudança com a gestão Covas-Alckmin no início dos anos 2000. Segundo um dos secretários da Segurança Pública da gestão Covas, José Afonso da Silva, a chegada dos tucanos ao poder levou uma mudança geral da orientação do uso de violência por parte da polícia militar: “Havia uma orientação anterior [no governo de Luiz Antônio Fleury Filho, antecessor de Covas] de que o policial deveria matar os delinquentes. Em nosso período implantamos uma orientação diversa, instruindo os policiais a prender os suspeitos e levá-los a julgamento. Acho que [no governo Alckmin] essa orientação [de matar] voltou a ser tal como era antes.”

Todas essas polêmicas culminaram nos crimes de Maio em 2006. Em maio de 2006, quando Alckmin estava nominalmente afastado do governo para concorrer à Presidência da República, mas na prática continuava a influenciar nas ações do governador Cláudio Lembo, o governo de São Paulo executou um dos maiores massacres da história do país. Em resposta a uma onda de ataques do PCC que matou 59 agentes públicos, a polícia matou 505 pessoas nos bairros periféricos, mais do que a ditadura militar em 21 anos. Mais da metade das vítimas eram negras, e 94% das vítimas não tinham antecedentes criminais, segundo dados do coletivo Mães de Maio, organização que se formou com parentes e vítimas do atentado que lutam até hoje para que o atentado seja responsabilizado. Até o momento apenas uma pessoa foi presa relacionada ao massacre. E essa foi a maior chacina da história do nosso país e ela está também na conta de Alckmin.

Em 2012, a polícia paulista voltou a colocar em prática o mesmo lema da ditadura que havia adotado em 2006: “para cada um dos nossos que cair, dez deles devem morrer” — “eles”, no caso, entendidos como qualquer morador de periferia que estivesse na rua à noite e que pudesse ser "suspeito". Como por exemplo quando centenas de moradores do Jardim Rosana foram assassinados pela polícia em represália a ataques cometidos pelo PCC. Prática que se tornou método na polícias do país, como vimos no último ano com o massacre de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, o maior massacre da história daquele Estado.

Alckmin, portanto, instrumentalizou em seus anos gestão uma politica de assassinato sistemático da população negra e periférica do Estado, tendo inclusive, em 2015, ocultado os dados sobre homicídios causados por policiais militaresno Estado, divulgando apenas os caudados por policias em horário de folga. Ainda, segundo dadosde um levantamento realizado pela Universidade Federal de São Carlos, 1 a cada 4 mortos pela polícia de Alckmin tinha entre 13 e 17 anos. Como isso se torna claro que a política repressiva e racista do PSDB, tinha como alvo a população jovem e negra do Estado, que viviam com a repressão diariamente.

Se não bastasse sua política de repressão nas favelas, também temos os exemplos de usos desta polícia assassina, para a repressão aos trabalhadores, como por exemplo aos professores nas greves das escolas estaduais em 2015, onde a polícia agrediu milhares de professores e estudantes em luta.

É nesta figura que a política de conciliação de classes do PT coloca força como aliado na luta contra o racista e misógino Bolsonaro. Bolsonaro representa o que há de mais repugnável na política brasileira, retomando os marcos ideológicos da ditadura militar, um legado de repressão aos trabalhadores e à população negra que vive nos setores dos braços armados do Estado e dos militares. Por isso a política de conciliação de classes do PT, que inclusive foi responsável pela implementação das UPPs no Rio, e da repressão ao Haiti e ao Congo junto a militares que agora são aliados de Bolsonaro, não é uma opção para a população negra no país, principalmente junto a uma figura como Alckmin que agora é pintado como uma figura progressista.

É por isso que temos que ter clareza que Alckmin não é um aliado da população negra e periférica do país, como agora tenta pintar o PT, não podemos nos adaptar a política de conciliação de classes, como faz o PSOL neste momento, que apoia desde o primeiro turno a candidatura de Lula, e realiza uma federação com o partido burguês financiado pelo Itaú, que é a Rede de Marina Silva.

Por isso chamamos os militantes do PSOL e que não concordam com os caminhos do partido a romper com ele e construir um Polo de independência de classe. Hoje, junto a companheiros e companheiras da esquerda que se reivindicam socialistas, nós do MRT construímos juntos pelo Brasil o Polo Socialista e Revolucionário, como forma de apresentar aos trabalhadores e a juventude, um programa de independência de classe, sem aliança com asseclas da burguesia como Alckmin, que tenha como central o apoio a luta dos trabalhadores que estão em curso, e a aos interesses do conjunto da população pobre e negra do país.

Leia também: Muito além da representatividade: os significados da chapa Lula-Alckmin para os negros




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