Juventude

DESEMPREGO DA JUVENTUDE

O drama da juventude sem emprego

O desemprego já esta instalado como o novo problema que os brasileiros estão enfrentando com a crise, contudo entre os jovens de 18 a 24 o problema é ainda maior. Enquanto a taxa geral de desemprego no Brasil está em 6,4%, esse numero salta para mais de 16% entre os jovens.

Fernanda Inês

São Paulo

terça-feira 28 de julho de 2015| Edição do dia

foto: SindMetal

Muitos desses jovens desempregados são formados ou estão cursando ensino superior, e a contradição é que o diploma não é mais garantia de emprego, e muito menos de salário ou ascensão social. O numero de alunos que se formam no ensino superior hoje cresce a uma taxa mais acelerada que a oferta de emprego. Em dez anos, o número de formandos foi de 528 mil para 830 mil, por ano, em um país com cerca de 51 milhões de jovens.

Estes números são espantosos por dois motivos: em primeiro lugar, a ínfima minoria que tem acesso ao diploma; em segundo lugar, mesmo sendo uma parcela restrita a que possui diplomas, a falta de empregos evidencia uma crise do ensino superior no Brasil.

Enquanto o Brasil crescia a ritmos chineses, nos últimos dez anos, a expansão das universidades foi um dos sustentáculos do PT no governo, a possibilidade de um emprego melhor parecia completamente possível. A expansão das Universidades Federais e os programas de acesso como FIES e PROUNI fizeram com que as universidades atingissem um pequeno setor popular, além da elite e, assim, sofreram uma mudança recente, deixando de ser apenas um espaço de formação de quadros intelectuais para a elite, passando também a formar mão de obra mais especializada para empresas. Esse projeto neoliberal fez surgir uma série de cursos tecnológicos e ligados aos interesses do capital. Ainda assim o ensino se manteve restrito, e a nova cara da crise das universidades e da juventude é que a anterior expansão – ainda restrita – das universidades gerou uma série de cursos precários, campus sem estrutura, e por outro lado um mercado supersaturado de mão de obra.

O problema é que com a crise muitas empresas tem preferido contratar jovens sem formação, para reduzir os custos, através de trabalhos rotativos com baixos salários. Frente aos ritmos lentos da economia não é necessário mais formar tantos jovens, ainda menos porque podem ser uma massa crítica pensante que pode estourar, como em Junho de 2013.

Em relato para o jornal “Estado de São Paulo”, jovens colocam o desespero de não conseguirem se sustentar, enquanto muitos vão procurar serviços mais precários e fora da sua área. “Terminei a faculdade em julho do ano passado e esperava que as empresas pudessem me dar uma oportunidade de crescimento, mas não foi isso que aconteceu”, relata Mateus de Oliveira, 21 anos, formado em Gestão de Recursos Humanos pela Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda. Assim como Larissa, 21 anos, formada em biologia e morando em Guarulhos, está desde o ano passado desempregada, “Me inscrevi em algumas vagas para trabalhar como recepcionista e tradutora”, na falta de emprego na própria área.

Com o PL4330, e os acordos de Dilma com a China, bem como sua recente reaproximação com os Estados Unidos, o governo do PT já mostra que está articulando um plano conjunto para conseguir reaquecer a economia brasileira à custa de precarizar amplas camadas da juventude, cortando verbas da educação – torna-la ainda mais restrita – e preparar uma nova classe trabalhadora mais terceirizada e precária para exploração do capital internacional.

Assim, o Brasil se aproxima rapidamente da realidade de países como Espanha, Grécia, Tunísia, onde grande parte da população jovem não tem emprego, lugares de onde surgiu a expressão “juventude sem futuro” e uma série de movimentos e revoltas. No Brasil, que já passou por junho, a crise na educação, a falta de emprego e perspectivas de futuro, gestam contradições ainda maiores que as levantadas em Junho.




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