Negr@s

JUVENTUDE NEGRA

Nasce uma faísca para queimar de uma vez por todas o racismo e o capitalismo

Neste sábado, aconteceu o lançamento da Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária. Foram a este lançamento vários jovens lutadores de muitos lugares do país, jovens que estão insatisfeitos com a política nacional, que não se sentem contemplados com a política de ataques do PT, mas também não veem saída nesta direita conservadora que quer atacar cada vez mais os direitos dos oprimidos e dos negros, que não aguentam mais o racismo e veem a opressão como parte fundamental de combate dentro de nossas lutas.

Jenifer Tristan

ABC Paulista

terça-feira 5 de abril de 2016| Edição do dia

Havia mais de quatrocentos jovens das escolas ocupadas de São Paulo e do Rio, além de jovens universitários que estiveram em vários processos de luta: por transporte de qualidade, cotas em suas universidades, permanência estudantil, em defesa da rematrícula dos inadimplentes nas universidades privadas, pelo fim do vestibular, contra o machismo, racismo e LGBTfobia, ao lado dos trabalhadores terceirizados, operários daMABE e outras fábricas que demitem trabalhadores. Houve várias falas emocionantes que se confluíram em um objetivo, que se sentiram à vontade e com a certeza de estar compartilhando um sentimento comum: O CAPITALISMO NÃO DÁ MAIS, é preciso ser uma faísca para pôr fogo neste sistema que já é um cadáver em decomposição.

Estiveram presentes vários negrxs que cansaram de ser a mira da polícia e agora querem o revide, cansaram de ver seus irmãos morrendo e sua falta de perspectivas. O número de mortes entre negrxs aumentou 38,7% de 2002 a 2012¹, o que na prática expressa que a juventude negra está sendo morta e “impedida de seu direito ao futuro”. Mas, queremos dar esse combate nas escolas, universidades, locais de trabalho e, assim como nos Estados Unidos, dizer que sim! Vidas negras importam!

Debatemos algumas políticas e campanhas que incluem a discussão da questão negra, pois é importante o combate ao racismo estrutural que existe na nossa sociedade. Racismo que a burguesia constrói para nos dividir e acumular riqueza, quando a única coisa que importa é o nosso trabalho barato. E essa juventude coloca esse debate como central, pois isso é uma tarefa de todos nós: negrxs e não negrxs.

Com o fim do debate, houve atividades culturais, com essas minas negras que são muito foda, que nos prestigiaram e contribuem com sua música e arte para a nossa luta, uma arte de luta Yzalú, "Porque eu sou do gueto também e não ah o que me derrubar!". E Luana Hansen "Morre o povo que é carente e que não passa na novela”, que dão um tom também de nossas ideias que confluem para combater não só o racismo, mas também o capitalismo que mantém uma divisão de classes.

"O amor até constrói, mas o que transforma é o ódio!"

Com todo o racismo estrutural, o ódio e repulsa a nós com que convivemos diariamente, é necessário ter ódio de classe, e a juventude precisa estar ao lado dos trabalhadores que, assim como nós, são explorados e perdem suas vidas na superexploração do trabalho. É necessário alimentar este ódio de classe contra aqueles que querem nos manter na marginalidade, na pior escala social, e enriquecem com o fruto do que a gente constrói. É preciso ter ódio de classe para transformar nossa realidade e colocar para fora nossas ideias.

O PT, ao mesmo tempo abre caminho para a direita, pois indicou membros dessa ala a vários cargos, incluindo Eduardo Cunha e Sérgio Moro, dando liberdade de atuação para esses setores da direita racista que tem se expressado mais abertamente no último período. Além disso, o governo do PT, também para mostrar ao imperialismo que é capaz de governar, mandou soldados brasileiros ao Haiti para reprimir a população haitiana que se rebelou e fez uma revolução negra.

O Brasil, pela via do PT, ajuda a calar esse povo mandando soldados brasileiros para lá. Depois da excelência em matar, eles vêm para as favelas cariocas com UPP´s, para seguir calando as revoltas, tal como fazem no Haiti. Matam a população negra, atiram nas nossas costas, pois tem muito medo de nos encarar! Temem justamente que comecemos a combater nossos reais inimigos, que são o imperialismo e a burguesia nacional, e que façamos um governo dos trabalhadores, um governo socialista!

Para impedir que isso aconteça, fazem de tudo para garantir à juventude uma vida precária. Com cortes na educação, escolas de péssima qualidade e a falta de merenda, eles arrancam o nosso futuro. O nível de desemprego para os jovens permanece altíssimo, enquanto aos jovens e mulheres negras oferecem os trabalhos mais precários. Ou seja, a juventude negra está na mira da polícia e na fila do desemprego, com a mais precária educação. (Onde está o nosso futuro? Cadê a pátria educadora?) Uma das votações da plenária foi de combater o impeachment, mas pelos métodos da classe trabalhadora e com o ânimo da juventude das fábricas, em luta contra as demissões, das escolas ocupadas e em luta por educação de qualidade e das universidades.

Nós jovens negrxs temos que ter consciência de que as artimanhas do sistema político e as manobras da direita, para tirar a Dilma do poder, serão usadas num futuro não tão distante contra os trabalhadores e o povo negro! Querem nos tomar o futuro, mas nós o arrancaremos! E isso significa que, nessa crise política, a juventude negra tem que ter voz! Tem que ser ouvida e tem que decidir sobre os rumos políticos do país e suas vidas. A burguesia tem medo da juventude da periferia pelo poder social que carregamos. Mas, se eles são responsáveis pela crise, nós que vamos resolver! Por isso é tão importante lutar por uma assembleia constituinte livre e soberana onde nossa voz tenha eco e sejam debatidos os dramas que este sistema nos impõe.

O Esquerda Diário é aberto a toda a juventude negra e periférica que queira se expressar. Este espaço é o da voz dos oprimidos, ao contrário dessa mídia reacionária que apoiou a ditadura que expressa as ideias dos setores mais conservadores, e que tem feito campanha para o impeachment, que na pratica significa fortalecer a direita e aprofundar o nível de miséria entre os negrxs, trabalhadores e juventude que já estão desempregados, assim como o conjunto dos oprimidos. Precisamos lutar contra este sistema que utiliza o Estado, a mídia e as forças repressivas para nos oprimir, explorar e garantir suas políticas.

Nós nos organizamos no Faísca, porque somos parte desta juventude que cansou de ficar calada, de ficar parada, e agora quer construir o novo. Sabemos que nós jovens nunca temos voz, por isso abrimos esse canal para todos que queiram colocar para fora suas angústias e lutas. Reforço um chamado a todos aqueles que querer ser parte dessa faísca e incendiar a opressão, a exploração e o capital!




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