Mundo Operário

VACINA PARA TODOS

Mobilização de metro-ferroviários de SP conquista vacina para parte dos trabalhadores: é possível ir além!

Com medo da força e da unificação dos trabalhadores dos transportes em uma greve neste dia 20, o governo Doria anunciou uma data para vacinação de parte dos trabalhadores do Metrô e da CPTM. Isso mostra a força da mobilização dos trabalhadores. Mas grande parte dos que estão na linha de frente ficaram de fora, inclusive os rodoviários. É hora de fortalecer a mobilização pela base e a unidade na luta, para garantir vacina para todos, medidas de emergência contra a pandemia e a crise, e barrar a retirada de direitos!

Fernanda Peluci

Diretora do Sindicato dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

Rodrigo Tufão

diretor de base do sindicato dos Metroviários de SP

segunda-feira 19 de abril| Edição do dia

O secretário de transporte de São Paulo, Alexandre Baldy, anunciou nesse sábado (17) a vacinação de parte dos funcionários da CPTM e Metrô. Uma primeira conquista da mobilização dos trabalhadores, que organizaram um "dia de luto, dia de luta" nesta sexta feira (16), trabalhando de preto, sem uniforme como habitualmente fazem, e indicaram greve sanitária no dia 20/04, assim como rodoviários e trabalhadores do transporte de outros estados. 

Essa força fez o governo anunciar a vacinação para os operadores de trem de todas as idades e, a partir dos 47 anos, todos os demais funcionários do Metrô (linhas públicas e privadas) e da CPTM, incluindo os terceirizados nessa faixa etária. Mesmo assim, muitos funcionários da linha de frente nas estações do metrô que tem menos de 47 anos, e também todos os rodoviários, estão de fora da vacinação de acordo com o anúncio do secretário, mostrando ser necessário fortalecer a mobilização pela base e a unidade dos trabalhadores dos transportes na luta por vacina para todos, com os metroviários de SP se unindo às outras lutas dos transportes em todo país, para garantir a vacinação para todos e impedir a retirada de direitos, num punho só, pois os governos e os patrões não se importam com as nossas vidas.

Baldy, secretário de Dória, não tem nenhum compromisso com a população que trabalha e usa o transporte público no estado. Seu compromisso único é com os interesses políticos do governador Doria e os empresários, basta ver a situação dos transportes durante a pandemia, diminuiu a oferta de trens, terceirizou e demitiu trabalhadores no momento que o transporte necessitava de mais funcionários para aumentar a oferta e diminuir a lotação, não garantiu EPIs adequados para terceirizados, chegou a distribuir máscaras de pano para metroviários e ferroviários, não garantiu testes massivos, o que acarretou até hoje ao menos 1150 funcionários afastados por conta da contaminação do covid-19 e 24 óbitos somente no Metrô estatal. 

Agora faz demagogia com a vacina, como se ele fosse consequente nas medidas de combate a Covid, quando sabemos que as medidas de restrições feitas pelo governador, foram insuficientes e não acompanhadas de auxílio e garantia de emprego. Apesar da demagogia que faz frente ao negacionismo de Bolsonaro, Dória não se pautou pela segurança sanitária dos trabalhadores, mas sim pelos interesses dos grandes empresários. O país caminha para as 400 mil mortes por culpa do negacionismo genocida de Bolsonaro e da demagogia privatista de governadores como Dória. Nos dois casos, o lucro está acima da vida.

Apesar da divisão imposta pelas direções sindicais, que até agora estão separando as lutas de todas as categorias do país, a disposição para lutar na base de diversas categorias começa a se mostrar. São muitos ataques a direitos que estão colocados na vida do trabalhador e da trabalhadora durante esse período de crise sanitária, como demissões, falta de condições sanitárias para trabalhar e ameaças das patronais. A esquerda e a vanguarda dos trabalhadores precisa exigir que os sindicatos e suas respectivas centrais saiam do imobilismo e organizem a luta, pois sindicato é pra defender o trabalhador, não homologar demissões.

A conquista da vacina para uma parcela, mesmo que pequena, dos metroviários e ferroviários de SP mostra, por mais uma vez, que a luta é o único caminho para que os trabalhadores conquistem seus direitos. 

Nesta batalha, nenhum trabalhador e nenhuma categoria deve ficar pra trás. Os Metroviários e Ferroviários de SP devem seguir juntos com os rodoviários na luta, fazendo o chamado a unificar com outras categorias que estão em luta hoje, para lutar por vacina para todos e pela imediata quebra das patentes e intervenção estatal das indústrias farmacêuticas sob controle do trabalhadores, exigindo também auxílio emergencial de ao menos um salário mínimo para desempregados, informais e todos que precisam e paralisação dos serviços não essenciais com liberação remunerada pelos grandes empresários. As centrais sindicais como CUT, CTB e UGT devem convocar todos os sindicatos de suas bases a uma grande mobilização nacional , a começar por unificar as lutas em curso, como a da LG em Taubaté e a heróica greve das trabalhadoras de fábricas fornecedoras da região, junto à luta em curso dos transportes.

Veja aqui: Unificar os focos de resistência: que as centrais sindicais construam um dia nacional de lutas no 20 de Abril

Não podemos aceitar a política do PT e das centrais sindicais de esperar as eleições de 2022 enquanto o povo passa fome, perde o emprego e morre infectado. As centrais sindicais como CTB e CUT, mas também a UGT, precisam parar de negociar a vida dos trabalhadores em nome dos seus interesses e unificar professores, operárias, trabalhadores do transporte, terceirizadas e profissionais da saúde, junto com os entregadores, os trabalhadores mais precarizados, informais, desempregados, que são os que mais estão sofrendo com a crise. Essa deve ser a obrigação dos sindicatos de todo país.

Os trabalhadores precisam aproveitar as divisões no governo e nas instituições do regime, a crise entre governadores e Bolsonaro para golpear com um punho só os capitalistas e seus representantes, ganhar força exercitando seus músculos na luta de classes, caso contrário, esperar 2022 significará dar tempo à burguesia enquanto nossa classe é massacrada.




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