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Incêndio na Chapada Diamantina: entrevista com voluntária da Brigada de Lençóis

Sabrina Cristina Martins, ecóloga, mestre em Geociências e meio ambiente e educadora na Chapada Diamantina explica para o Esquerda Diário os impactos ambientais e sociais dos incêndios, alguns criminosos, na Chapada.

domingo 22 de novembro de 2015| Edição do dia

Foto: Açony Santos

ED – Este é o segundo grande incêndio registrado em menos de três meses. Quando começou o incêndio no Parque Nacional da Chapada da Diamantina?

Sabrina – O incêndio começou no início do mês de novembro. Saliento que o fogo não atinge apenas o Parque Nacional da Chapada Diamantina, envolve também a APA. Mucugê e Seabra, por exemplo estão fora do Parque e apresentam focos preocupantes. Também há um foco entre Jacobina e Pindobaçu.

ED – Já se sabe o que ocasionou o incêndio?

Sabrina – Não sabemos ainda, mas já está sendo averiguado. Há muitas especulações em torno, portanto, prefiro não mencionar uma ou outra para não acabar sendo injusta. O que é fato é que muito desse fogo na Chapada é sim criminoso.


Foto: Açony Santos

ED – Já são 15 mil hectares que foram atingidos pelo fogo, quais os impactos ambientais e sociais que estão tendo?

Sabrina – Os impactos são inúmeros. Ambientalmente falando posso citar o que acontece com as nascentes que são queimadas com o fogo, a fauna e a flora que são perdidas com esse incêndio é sem sombra de dúvidas, um declínio para a biodiversidade do país. Além do que, muitas espécies migram para áreas não atingidas procurando refúgios, o que pode gerar nesses locais a caça predatória, além dos grandes impactos para a fauna local. No lado social o que não exclui o ambiental, o brigadista atua de maneira voluntária e em alguns casos toda sua família está envolvida no processo do combate em diferentes frentes, considerando que o combate envolve inúmeras atividades, desde a mobilização, recebimento das doações, triagem, preparação da alimentação adequada, manutenção dos equipamentos, participação de reuniões estratégicas etc. Além de disso, o combatente deixa a família para passar dias e noites no fogo. Não há nenhum benefício assistencial ou seguro de vida. Eles deixam suas famílias sem o amparo financeiro e emocional para ir voluntariamente colocar sua vida em risco. Cabe aqui o exemplo de uma criança de 4 anos, filha de um brigadista: “Por que o papai sempre tem que salvar a Natureza”?


Foto: Sabrina Cristina Martins

ED – Você é uma das brigadistas que está no combate acabar com o incêndio. Conte-nos qual está sendo a rotina dos brigadistas? Quais dificuldades estão passando?

Sabrina – Eu fui uma única vez para o combate e como na ocasião a Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL) não contava com as doações que recebemos posteriormente, necessitando cada brigadista e voluntário ir ao combate com seus próprios equipamentos, e particularmente eu não possuo uma bota específica para combater fogo, assim que pisei naquele solo em brasas, perdi minha bota. Não fui mais nem mesmo para o rescaldo, uma vez que minhas ações na BRAL são totalmente direcionadas com a mobilização social e comunicação com os órgãos governamentais, tais como: Corpo de Bombeiros do Estado, Secretário de Meio Ambiente, corpo técnico do INEMA, Defesa Civil, Promotoria Pública, Força Aérea, etc. Dessa forma, contribuo muito mais com as reuniões diárias, onde podemos articular as estratégias de ação da BRAL em parceria com os órgãos citados anteriormente.

Dificuldades foram enfrentadas no começo da operação, como citei, pois não tínhamos equipamentos e nem mesmo mantimentos para o combate, porém, no decorrer da operação da BRAL, a sociedade civil e muitos órgãos privados foram nos ajudando com mantimentos e até mesmo equipamentos de proteção individual. Hoje nossa realidade é a de repassar muitas doações para Brigadas necessitadas, tamanha foi a mobilização e comprometimento das pessoas que abraçaram mesmo a causa em prol da Chapada Diamantina.

ED – Está tendo uma campanha de arrecadação de recursos aos brigadistas em universidades como a UFBA. Conte-nos sobre essa campanha e como ajudar nesta campanha.

Essa foi uma das campanhas que nos ajudou muito, sem palavras para agradecer toda essa mobilização que foi desenvolvida e ainda acontece em capitais e regiões metropolitanas. Hoje a BRAL conta com um grande volume de mantimentos e água, além de roupas para o combate e alguns equipamentos de proteção individual, realmente a realidade modificou por completo em dez dias.

ED – Você gostaria de dizer mais alguma coisa?

O que infelizmente ainda não conseguimos é o apoio da Prefeitura de Lençóis com a sede para nossa Brigada VOLUNTÁRIA. Sabemos de vários imóveis da Prefeitura que estão há meses sem uso, onde poderíamos perfeitamente instalar uma sede adequada. Estamos em instalação improvisada: o restaurante dos fundadores da Brigada, local sem estrutura para tal atividade.

Campanha da Brigada de Resgate de Lençóis :
OS INCÊNDIOS NÃO PODEM TOMAR CONTA DA CHAPADA,
NÓS PODEMOS!

Ajude a proteger a nossa linda Chapada Diamantina!

BRIGADA DE RESGATE DE LENÇÓIS
(75) 9 9857-3161

BANCO DO BRASIL
C/C 12.619-5
AG 0251-8
CNPJ 07.087.037/0001-48

A Sede da BRAL fica no Feijão na Chapa em Lençóis




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