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"I Love Paraisópolis" e o cinismo da Rede Globo

quinta-feira 28 de maio de 2015| Edição do dia

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"Babilônia", novela “das 9” da Rede Globo, criou polêmica ao debater temas como a prostituição, o aborto e o amor entre duas mulheres com mais de 80 anos, interpretadas por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.

A Bancada Evangélica assinou notas de repúdio e incentivou um boicote contra a novela, a emissora e os produtos por ela anunciados.
Bispos e pastores, em defesa dos valores tradicionais da família conservadora destilaram o ódio homofóbico nas igrejas e nos meios de comunicação (TV, rádio, internet, etc).

E a Globo, mercenária e reacionária até os ossos, recuou para manter o lucro. Mudou a abertura da novela, investiu em tons mais suaves e no lugar do amor entre as duas mulheres deu destaque para os personagens de núcleos secundários da novela e principalmente para o romance heterossexual do casal protagonista “Regina” (Camila Pitanga) e “Vinicius” (Thiago Fragoso).

I Love Paraisópolis.

Se em “Babilônia” o cenário escolhido foi o Morro da Babilônia no Rio de Janeiro, a nova novela “das 7” da Globo, cujo título é “I Love Paraisópolis”, gravada no Rio de Janeiro, tem como cenário a comunidade Paraisópolis, zona sul de São Paulo.
Escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, sob direção geral de Carlos Araújo e núcleo de Wolf Maia, conta a historia de um amor romântico que tem como pano de fundo a especulação imobiliária na região e a condição de vida dos seus moradores pobres.

Sinopse.

“Mari” (Bruna Marquezine) e “Danda” (Tatá Werneck), são duas moradoras brancas e pobres da comunidade que sonham com uma vida melhor.
Paraisópolis é cercada por mansões e condomínios de luxo, onde mora “Benjamin” (Mauricio Destri), um jovem arquiteto que tem um projeto de reurbanização da comunidade vizinha.

Projeto criticado por sua mãe, “Soraya” (Letícia Spiller) e seu padrasto “Gabo” (Henri Castelli). O casal tem participação majoritária na construtora “Pilartex” e vê a área de Paraisópolis como uma oportunidade de negócios.

“Benjamin”, noivo de “Margot” (Maria Casadevall), conhece “Mari" e se apaixona pela jovem trabalhadora.

Projetos & Interesses

Especulação imobiliária, grandes construtoras e a desigualdade social. Mas a fronteira entre o luxuoso bairro do Morumbi e a comunidade de Paraisópolis, próxima ao Palácio dos Bandeirantes, será bem mais pacífica, garantem os autores da novela.

"Queremos mostrar mais as semelhanças do que as diferenças. Não vai haver divisão, os dois mundos se encontram", afirma Teixeira.

Segundo Alcides Nogueira, "é uma novela alegre, gostosa, colorida, esperançosa, tudo que o público quer ver hoje em dia".

A colunista Cristina Padiglione (Estadão), disse que segundo os autores, “a história foge da ideia de luta de classes”.

A velha história machista do "príncipe encantado", do "salvador da pátria", neste caso, um "bom" investidor que promete se casar com a "mocinha" e salvar a população pobre de Paraisópolis.

As empregadas domésticas que moram em Paraisópolis e trabalham nos edifícios de luxo da região são exploradas e oprimidas por seus patrões-vizinhos. A polícia é racista e assassina. Os incêndios nas comunidades pobres e as remoções são a mando das construtoras e do Estado e os trabalhadores da construção civil são explorados e oprimidos nos canteiros de obra.

Mas "Benjamin" ama Paraisópolis na nova novela "das 7". Ele vai levar saneamento básico, energia elétrica, transporte público, educação e saúde para todos. Ele é o " bom burguês " que resolve os problemas sociais.

Conciliação em "I Love Paraisópolis" e no "Vale a Pena ver de Novo" com a novela o "Rei do Gado", protagonizada pelo rico fazendeiro que se apaixona pela trabalhadora sem-terra.

A Globo, machista, racista, homofóbica e antioperaria , quer paz entre as classes sociais. A Família Marinho quer trabalhadores submissos na vida real e patrão “bonzinho” na novela.




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