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GOVERNO BOlSONARO

Governo Bolsonaro afrouxa fiscalização ambiental novamente para favorecer comercio externo

A mando de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, exclui a espécie ipê da lista de espécies ameaçadas de extinção ou em situação de alerta, contrariando pareceres técnicos do próprio Ibama.

sábado 28 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Reprodução

Não é novidade que o projeto do governo Bolsonaro e de seus ministros é de garantir os interesses dos grandes empresários, banqueiros e latifundiários capitalistas, mesmo que a garantia do lucro se dê em detrimento da vida e do meio ambiente. Em 2019, em consonância com as políticas de afrouxamento da fiscalização ambiental, o governo afrouxou o processo de exportação do ipê. Isso se deu contrariando um parecer técnico do Ibama do fim de 2018, no qual expuseram que o ipê vem sendo extraído no Brasil sem nenhum tipo de rigor ou fiscalização há anos, o que interessa um comércio dominado pelo crime organizado que atua na floresta.

Além disso, sob comando do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, a espécie ipê, que havia sido indicada oficialmente pelos técnicos do Ibama para ser incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção ou em situação de alerta administrada pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (em inglês, Cites), foi a única espécie excluída da lista das propostas apresentadas, após um pedido feito pelo presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. A consequência prática dessa decisão é que o ipê, a madeira brasileira mais cobiçada internacionalmente, passou a ser vendida sem monitoramento ou licença obrigatória específica, ou seja, como se fosse qualquer espécie, sendo vendida a preços de eucalipto.

O ipê, mesmo já considerado como espécie ameaçada no Peru e na Venezuela, não entrou na lista da Cites. Segundo a apuração do Estadão, isso se deu por pressão de madeireiros do Mato Grosso e do Pará ao Ibama, que teriam alegado que tal mudança atrapalharia o comércio internacional da madeira a qual tem 92% da sua produção vendida para o exterior.

Ainda que não haja nenhuma previsão no regimento da Cites que determine a necessidade de consulta ao setor produtivo, para além dos próprios pareceres técnicos que embasam a indicação da espécie para a lista da Cites, essa foi a desculpa do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, quando foi iniciado o processo de inclusão do ipê na convenção, em outubro de 2018.

Para lutar contra a destruição ambiental, precisamos combater aqueles que governam para o capital privado e exploram até o as ultimas nossos recursos. É na gestão de Bolsonaro e Salles que vemos aberrações como as maiores queimadas do século na Amazônia e no Pantanal e o apagão escandaloso no Amapá. É preciso nos enfrentarmos com a direita e a extrema-direita, sem nenhuma aliança com capitalistas ou partidos burgueses, para construirmos uma saída dos trabalhadores para essa crise que ameaça a vida do nosso planeta.

Fonte: Agência Estado




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