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Pernambuco | Golpista em 2016, "lulista" em 2022: quem é Danilo Cabral, candidato a governador de PE pelo PSB

Após meses sem definir seu candidato a governador de Pernambuco, o PSB escolhe quem será o nome para representar o partido da oligarquia Campos-Arraes: Danilo Cabral. O PT, seguindo sua política de conciliação com a direita e os golpistas de 2016, já anunciou que abriu mão de sua candidatura para apoiar esse que foi um dos principais nomes do PSB a votar pelo impeachment de Dilma.

sexta-feira 25 de março | 00:52

Após disputas internas e a recusa do ex-prefeito do Recife Geraldo Julio (PSB-PE) em aceitar concorrer para o governo do estado, o PSB finalmente bateu o martelo de quem será seu candidato: o deputado federal Danilo Cabral. O anúncio oficial ocorreu no dia 21 do mês passado, contando com a presença de Marcelo Freixo (PSB); o senador Humberto Costa (PT); e a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PC do B). No início do mês, o pré-candidato petista Humberto Costa já tinha retirado sua candidatura para apoiar o PSB.

A demora na escolha do sucessor de Paulo Câmara mostrou debilidade do PSB justamente no estado onde é seu bastião. Danilo Cabral não era o mais cotado para concorrer ao cargo, o ex-prefeito de Recife Geraldo Julio saia na frente, inclusive, era o nome mais querido frente a base aliada. Além disso, as decisões passavam também pelas negociações da federação entre PT e PSB que envolvem os futuros pleitos executivos municipais e estaduais. Com Alckmin filiado ao partido numa provável chapa com Lula, o PSB se coloca numa melhor localização nas eleições e num futuro governo.

O candidato começou sua vida na política ao assumir como diretor administrativo-financeiro da Secretaria de Governo do Estado, depois diretor de administração geral da Secretaria da Fazenda de Pernambuco. Logo após foi assessor do então secretário e governador Eduardo Campos. Assumiu também a diretoria geral do Tribunal de Contas de Pernambuco.

No entanto, uma das suas trajetórias políticas mais marcantes foi como Secretário de Educação do governador Eduardo Campos, em 2007-2010. A estratégia de Campos foi tentar promover a educação como “vitrine” do governo. No entanto, tal plano na realidade se constitui em três eixos de ataque à educação pública.

O primeiro eixo foi instalar Parcerias Públicos Privadas dentro das escolas, colocando empresas privadas à frente de muitas iniciativas e políticas educacionais, principalmente nas primeiras escolas de tempo integral que surgem nessa época. O segundo eixo foi implementar uma política de metas e desempenho. Tal política, amplamente criticada por especialistas, longe de promover uma melhora real da educação, cria índices artificiais e transfere a responsabilidade aos professores. Isso já se liga ao terceiro eixo da política de Danilo e Campos, que foi aumentar a pressão sobre os professores. O assédio moral e a perseguição sobre a categoria deu um salto e, para isso, acabaram até mesmo com os já limitados processos eleitorais para a escolha dos diretores. Além disso, mantiveram a desvalorização dos professores. Não à toa, enfrentaram 2 fortes greves, em 2007 e 2009. Tais políticas, longe de promoverem uma real melhora da educação pública, apenas estao a serviço da privatização da mesma e de uma educação voltada aos interesses da iniciativa privada, além de aumentar a exploração sobre os profissionais da educação.

Após isso, Danilo assumiu, entre 2011 e 2014, a Secretaria das Cidades no segundo mandato de Campos. O resultado é possível ver, sendo Recife a capital com maior déficit habitacional do país - situação que se repete no resto do estado.

Mas talvez, o fato mais marcante da trajetória de Danilo tenha sido em 2016. Eleito Deputado Federal, estava como secretário de Planejamento e Gestão, de Paulo Câmara (PSB). No entanto, fez questão de se licenciar do cargo para voltar à Câmara votar a favor do golpe de 2016. Para quem não lembra, aí um vídeo para refrescar a memória:

Com a impopularidade do governo Temer e depois de Bolsonaro, o PSB agora tenta afastar esse seu “passado”, usando em 2018 a pecha de “turma do Temer” para seus opositores, e agora parece que irá usar a pecha de “turma do Bolsonaro”. E para isso, contam com a ajuda do PT que está repactuando com todos os setores golpistas, inclusive o PSB.

No entanto, não esquecemos nem perdoamos que foi o PSB e o próprio Danilo Cabral que esteve na linha de frente do reacionário golpe de 2016, que abriu espaço para ataques ainda mais profundos que Dilma vinha efetuando, como teto de gastos, a reforma trabalhista e da previdência e que gerou Bolsonaro como filho “indesejado”. Aliás, o governo Paulo Câmara foi um dos primeiros a aprovar a reforma da previdência estadual e ano passado foi o prefeito de Recife João Campos, também do PSB, que aprovou a reforma da previdência municipal na capital, uma reforma ainda mais pesada que a de Bolsonaro e Guedes.

Isso só mostra a demagogia e oportunismo de Danilo e do PSB. As eleições deste ano tendem a ser bastante polarizadas entre Lula e Bolsonaro em Pernambuco, como apontam alguns analistas. O apoio de Lula a Danilo, vem em um momento muito oportuno para o mesmo, com Paulo Câmara com índices de rejeição alto e após uma disputa acirrada com o PT pela prefeitura de Recife. É nesse momento que Danilo finge esquecer todo seu passado golpista e abrir os braços para Lula, pois ter no palanque o candidato presidencial com maior popularidade no estado lugar se tornou um ponto de apoio importante para a continuidade do governo PSB no estado de Pernambuco. Ao mesmo tempo que, em nome de seus acordos eleitorais e para uma futura governabilidade, Lula e o PT não apenas perdoam Danilo e os golpistas do PSB, como também tentam “esquerdizar” esse inimigo dos trabalhadores.




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