Internacional

REVOLTA NO EQUADOR

Encurralado pela revolta popular, presidente transfere sede do governo de Quito para Guayaquil

terça-feira 8 de outubro| Edição do dia

Foto: Rodrigo Buendia/AFP

A enorme onda de protestos populares desencadeada no Equador obrigou que o presidente Lenin Moreno mudasse a sede do governo de Quito para a litorânea Guayaquil.

O anúncio dessa segunda-feira ocorreu após protestos de manifestantes nos arredores do palácio presidencial. Os manifestantes também tentaram ocupar a sede da Assembleia Nacional, em Quito.

Os protestos eclodiram após o presidente Lenin Moreno retirar os subsídios para os combustíveis, o que resultou em aumentos vertiginosos de até 123% nos preços dos combustíveis mais usados. A retirada dos subsídios era parte das condições impostas pelo FMI para a liberação de um empréstimo ao país no valor de US$ 4,2 bilhões.

A revolta popular que emergiu desde então fez com que Moreno decretasse estado de exceção no país, desde quinta-feira passada (03), com o objetivo de convocar as Forças Armadas para reprimir os protestos. Cenas de tanques patrulhando as ruas do país se tornaram comuns. As manifestações já deixaram um civil morto, 73 feridos (incluindo 59 agentes de segurança) e 570 detidos (a maioria por vandalismo), de acordo com as agências AFP e Reuters.

Ainda assim, os protestos continuam crescendo e amanhã está sendo convocada uma paralisação nacional. Em 16 das 24 províncias equatorianas foram registrados bloqueios nas estradas nesta segunda, de acordo com um relatório do Serviço de Segurança Integrado ECU 911. Manifestantes indígenas se uniram aos protestos paralisando estradas de todo o país e interditando uma importante rodovia de acesso à capital.

O que ocorre no Equador é mais um símbolo da crise dos governos da direita neoliberal na América Latina, que buscaram aplicar os ajustes do FMI no marco da crise econômica mundial. Vimos a derrota de Macri nas eleições primárias argentinas, e a crise estatal no Peru, além da queda da popularidade de Piñera no Chile e de Bolsonaro no Brasil. Sem hegemonias possíveis, a luta de classes vai mostrando sua faceta.

Um grande exemplo para o Brasil: os ajustes só podem ser freados com os métodos da luta de classes e a mais ampla iniciativa de auto-organização das massas (base sobre a qual pode se desenvolver uma esquerda com um programa anticapitalista, socialista e revolucionário, contra as burocracias sindicais e dos "movimentos" - mecanismos do Estado ampliado para organizar o consenso - que tentam travar essa auto-organização).




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