Sociedade

Enchendo o bolso das empresas: Ministério da Saúde paga quase 200% mais em valor de insumos

segunda-feira 13 de abril| Edição do dia

Sapatilhas para os médicos, máscaras, alcoól em gel. Os produtos necessários para o combate ao novo coronavírus estão sendo comprados pelo Ministério da Saúde por mais do que o dobro do preço normal.

Enquanto os médicos sofrem com a falta de EPIs, a população sofre com a falta de insumos, de testes e do básico necessário, empresas lucram valores enormes com a alta de preços e com uma disputa selvagem por insumos, elevando os preços. A China, um dos principais vendedores dos equipamentos necessários para o combate ao vírus, está atuando na base do leilão: “quem paga mais leva”. O exemplo da irracionalidade assassina do capitalismo, enquanto cresce o número de mortos ao redor do globo.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o alcoól gel, que era vendido ao Ministério por R$ 3,91 (o frasco de 500 ml) no início da crise, agora já esta sendo vendido por R$ 6,68, uma alta de 70%. As sapatilhas usadas pelos médicos, eram compradas por R$ 0,07, numa compra de 100 mil exemplares, e subiu para R$ 0,20, depois de um mês, no novo contrato com a fornecedora. Com as máscaras, um dos materiais mais necessários - e que mais existem denúncias nos hospitais de falta delas - haviam sido compradas num contrato de 500 mil, pelo preço de R$ 0,96. No novo contrato a pasta de Mandetta assinou a compra de 20 milhões, pagando R$ 2,09. Isso que falamos de um produto que em 2019 poderia ser comprado para os sistemas de saúde pública por R$ 0,10.

Essas altas nos preços, e as disputas sanguinárias entre os países - as quais sabemos que os que sairão “vitoriosos” são as grandes potencias imperialistas - colocam em cheque a saúde e a vida de milhões, em nome do lucro de empresas que produzem esses materiais, e que tem seus patrões de sorrisos largos, encontrando sua “oportunidade” em meio a crise.

Estes materiais, tão necessários, poderiam estar sendo produzidos à preços extremamente reduzidos, para atender as necessidades da população e salvar vidas em meio a crise sanitária. Mas para que isso realmente aconteça, é preciso forçar uma inversão de prioridades, tirando da ordem do dia o lucro dos burgueses, e colocando na primeira fila a vida de milhões, da população pobre e da classe trabalhadora.

Em diversos países temos exemplos de operários que não estavam dispostos a colocarem seus corpos a serviço de seguir produzindo para o lucro de seus patrões, como em industrias de automóveis na França, mas estariam dispostos a se somar a luta contra o vírus para produzir respiradores.

Outros ramos da industria, como a de roupas e tecidos, poderiam também, se voltar para a produção de mascaras, sapatilhas e outros materiais necessários.

Mas a unica forma de evitar que essa reestruturação da industria - que em tempos de guerra o capitalismo já mostrou ser possivel, a voltando para produção de armamentos e equipamentos de destruição em massa - siga servindo aos interesses dos mesmos que hoje lucram enormes valores com o sofrimento das pessoas, é se estes trabalhadores assumirem para sí próprios o controle, e por consequencia, o destino dessa produção. O controle operário das industrias que se voltarem para a produção de insumos, poderia garantir que os equipamentos e materiais não entrassem numa disputa feroz entre países, no “quem paga mais leva”, e realmente chegassem nos lugares onde são necessários.




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