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Aumento das passagens | Em São Paulo, prefeito Ricardo Nunes ameaça aumento da tarifa do transporte para fevereiro

Nunes, justificando a necessidade de aumento das tarifas na alta do diesel, busca comprometer o governo Bolsonaro a subsidiar as gratuidades na cidade como única alternativa para a manutenção dos valores atuais, caso contrário, vai reajustar as passagens, tudo para garantir os lucros das patronais dos transportes.

quinta-feira 6 de janeiro | Edição do dia

Foto: arquivo/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, seguido de vários outros prefeitos do Estado de São Paulo e de outros estados, com o objetivo de garantir os altos lucros das empresas de transportes municipais, se articulam nacionalmente para pressionar o governo federal a aprovar o projeto de lei (PL) que prevê custeio por parte da União para a gratuidade de idosos que hoje é paga pelas prefeituras às empresas de ônibus.

Esse dinheiro, por volta de 5 bilhões, de acordo com o cálculo do Consórcio Nacional de Prefeitos, seria dividido entre as prefeituras do país para que seja revertido em subsídio às empresas de transporte privadas que operam as linhas de ônibus municipais.

Nunes e Dória, apesar de toda a demagogia, para tentar emplacar uma terceira via para 2022, compartilham da agenda golpista e econômica de Paulo Guedes e do governo Bolsonaro, baseada em avançar na política de privatização, da Petrobrás e das empresas que controlam o transporte público, levando a retirada de direitos dos trabalhadores e no aumento da passagem da população. Doria já anunciou que pode aumentar as tarifas estaduais ainda esse ano.

Sete municípios já anunciaram aumento e as respectivas datas de implantação: Guarulhos, de R$4,45 para R$4,90 no bilhete e de R$ 4,70 para R$ 5,00 em dinheiro a partir de 2 de janeiro; São Bernardo do Campo, de R$ 4,75 para R$ 5,10 a partir de 2 de janeiro; Diadema, de R$4,65 para 5,10 em dinheiro e de R$4,25 para R$ 5,00 no cartão SOU+Diadema a partir de 2 de janeiro; Mauá, de R$ 5,30 para R$ 6,00 na catraca e na tarifa social os valores serão R$ 5,00 em dinheiro e R$ 4,20 no cartão SIM a partir de 29 de janeiro; Francisco Morato, de R$4,60 para R$ 4,90 a partir de 3 de janeiro; Campinas, de R$ 4,60 para R$ 5,15 a partir de 3 de janeiro, Franco da Rocha, de R$ 4,80 para R$ 5,00 e Itapecerica da Serra, de R$3,75 para R$ 4,50.

O principal motivo para responsabilizar o governo federal foram as altas consecutivas no preço do diesel, ocasionadas pelas políticas de preços adotadas pela Petrobras e apoiadas pelo governo Bolsonaro.

Por outro lado, os prefeitos sabem que o impacto na inflação decorrente do aumento das passagens impacta o governo federal do qual a alta dos é um dos calcanhares de aquiles de Bolsonaro e sua equipe e dessa forma fazem mais pressão sobre o planalto.

Dessa forma buscam jogar parte dos custos do aumento para o governo federal, seja ele subsidiando as gratuidades com o dinheiro do PL, seja jogando parte dos custos políticos do aumento das passagens na alta do combustível e assim responsabilizando Bolsonaro e sua péssima condução da economia. Assim, a política dos governadores e prefeitos e de Bolsonaro de responsabilizar uns aos outros não está vinculada a não implementar o aumento e sim, em desviar do prejuízo eleitoral que essa questão pode ter nas eleições de 2022, já que o custo da passagem sempre foi um motor de mobilização da população por ser uma demanda muito sentida.

Nunes e outros prefeitos tem o objetivo de garantir a manutenção dos lucros das empresas de ônibus, seja com o dinheiro do subsídio via PL, seja com o aumento das passagens que será paga pelos trabalhadores e a população, com um aumento de 15,51%, podendo atingir o patamar de 5,10 em São Paulo.

Na quarta-feira, dia 22, em reunião extraordinária do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), representantes apresentaram dados que elevariam a tarifa em 15,51% que seria o acumulado do IPCA entre dezembro de 2019 e novembro de 2021. O Indec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) apontou divergência com os cálculos onde a prefeitura ignorou um montante de R$ 870 milhões repassados às empresas de ônibus da cidade para custear as frotas paradas e outros gastos, deixando claro que o aumento ou subsídio será mais um agrado à patronal dos transportes.

Na última semana foi divulgado que a prefeitura de São Paulo tem 27bi em caixa, maior montante contabilizado nos últimos anos que poderia ser destinado para cobrir os supostos “prejuízos” das empresas e transporte. Uma saída que beneficiaria somente os empresários dos transportes na cidade mas que, seguindo a cartilha privatizadora de Nunes e Doria, expõe o interesse desses de cada vez mais repassar enormes montantes para empresas privadas já que, se o governo federal vier a subsidiar as gratuidades dos idosos, esse montante seria um “plus”, de uma forma de outra, aos cofres de empresas privadas.

Se aprovado o aumento das passagens, a manutenção dos lucros dos barões dos transportes será pago do bolso dos trabalhadores, que ao contrário das patronais teve seus salários corroídos pela inflação e principalmente pelas exorbitantes altas de itens básicos como alimentos, aluguel, gás de cozinha e dos combustíveis que é repassada para o preço de todos os produtos consumidos.

Os subsídios, seja por via do PL exigido pelos prefeitos ou fornecidos diretamente pelas prefeituras também não são uma saída, pois são dinheiro dos cofres públicos que deveriam ser destinados para a saúde, a educação, o combate à fome e melhora das condições de vida da população e não para o bolso de gananciosos proprietários de empresas de ônibus, verdadeiros mafiosos que controlam esse serviço essencial para a vida da população.

As grandes centrais sindicais como a CUT/PT e a CTB/PCdoB, assim com a UNE que organiza milhares de estudantes por todo o país precisam romper sua estratégia institucional de trégua com o governo Bolsonaro e com as forças burguesas com as quais estão se aliando nacionalmente, que se baseia em esperar as eleições de 2022 sem apostar na luta de classes e na mobilização direta das massas. É necessário que essas entidades que dirigem milhões em todo o país organizem desde já a mobilização unificada da juventude e dos trabalhadores para barrar nas ruas e com os métodos da classe operária esses ataques.

E para acabar de vez com a farra dos capitalistas em lucrar com esse serviço tão essencial para a população, levantar um programa de luta pela estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e da população, os únicos setores sociais que têm o interesse de garantir transporte público, gratuito e de qualidade para a população e reverter a escalada de privatizações no país.




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