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Eleições para a Congregação do IFCH Unicamp: conheça chapa "De Punhos Fechados"

Ana Vitoria Cavalcante e Laura Baraldi, estudantes de Ciências Sociais, se candidatam a Representação Discente, cuja eleição acontecerá dia 8, 9 e 10 de fevereiro.

segunda-feira 8 de fevereiro | Edição do dia

Nesta segunda-feira (8), começam as eleições para representação discente na Congregação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. A Congregação é o maior espaço de deliberação do IFCH, entretanto, é mais um espaço onde nós estudantes, embora sejamos a maioria na Universidade, somos minoria para tomar decisões, e onde não há representação dos terceirizados. E mesmo as decisões tomadas na Congregação estão sujeitas a serem barradas pela estrutura de poder da Universidade, a antidemocrática Reitoria e o Conselho Universitário, o que inclusive, serviu de argumento em uma das sessões da Congregação do IFCH, no ano passado, para impor o ensino remoto e a não aprovação automática apesar da mobilização dos estudantes por essa demanda. 

Estamos em um cenário nacional de crise econômica que se aprofunda com a pandemia, fruto da gestão genocida de Bolsonaro, que junto com outros setores do regime, como os governadores, não garantiram nada efetivo para barrar o avanço da pandemia. Doria, que faz demagogia em torno das vacinas - que não são suficientes nem para todos os trabalhadores da saúde - quer avançar com o retorno das aulas na rede pública de ensino, e também tentou avançar contra as universidades nessa pandemia, como foi sua PL529. Diante do retorno inseguro das aulas, os professores estão organizando uma greve a partir de segunda-feira (8), a qual temos que cercar de solidariedade para que o retorno não se dê da maneira como está sendo planejado, mas para que a comunidade escolar possa decidir quando e como irá retornar. 

Frente a toda essa situação, o que a reitoria de Knobel faz é confluir com os ataques dos governos e descarregar a crise orçamentária da Universidade em cima dos mais pobres, como os trabalhadores terceirizados, que foram demitidos massivamente, não liberando os trabalhadores do grupo de risco do Hospital das Clínica, além de impor ensino remoto autoritário e a tentativa de implementar novos critérios para as bolsas SAE, que nada mais é do que restringir ainda mais a permanência estudantil. 

No IFCH, vimos o Departamento de Demografia ser extinto no ano passado pela reitoria (junto com o antidemocrático Consu), esta que se diz tão defensora da ciência contra o obscurantismo bolsonarista mas gere os recursos da Universidade privilegiando os institutos que possuem mais vínculos com empresas.

Mas ainda sim, diante de uma conjuntura tão reacionária, os estudantes mostraram qual é o caminho que temos que seguir para enfrentar esses ataques: foi através de nossa auto-organização, com assembleias e atos, que conseguimos barrar a tentativa de corte de bolsas no ano passado. E é nessa estratégia que temos que seguir apostando para avançar em pautas importantes, como bolsas de estudo de acordo com a demanda e sem contrapartida, efetivação de todos os terceirizados sem concurso público, assim como a ampliação e manutenção da Moradia Estudantil.

Nós, enquanto moradoras da Moradia, vemos de perto o nível de precarização em que se encontra, com casos de alagamentos, riscos de incêndio e afins, o que demonstra como a permanência estudantil passa longe de ser uma prioridade da reitoria. Se por um lado o filtro social do vestibular já exclui ainda mais no ano de pandemia, a permanência não pode ser um segundo filtro.

Especialmente nesse momento que se pauta a nova reitoria, lutar por um projeto de universidade que esteja a serviço da maioria da população, dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, dos LGBTs, se 
torna mais fundamental. Por isso, achamos elementar uma representação discente comprometida com o movimento estudantil, pois sabemos que somente com nossas próprias forças podemos garantir nossas demandas. Não podemos nutrir ilusões na antidemocrática estrutura de poder da Universidade, que ataca os mais pobres enquanto mantém os privilégios da burocracia universitária. Tendo isso em vista, batalhamos para que as decisões do instituto e da Universidade de conjunto sejam tomadas de maneira proporcional, de acordo com o peso real de estudantes, professores e funcionários.

É com essas ideias que queremos atuar na Congregação, fortalecendo a luta dos estudantes e trabalhadores e enfrentando a estrutura de poder para que possamos subverter a lógica atual da Universidade e fazer com que ela se volte às necessidades dos que mais sofrem nessa crise.




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