CORONAVÍRUS

Dia de abertura de shoppings no DF tem maior número de casos desde o início da pandemia

Após a reabertura de shoppings, Distrito Federal tem aumento de 96% nos casos de Coronavírus.

quinta-feira 28 de maio| Edição do dia

O dia 27 de maio no Distrito Federal não foi só marcado pela reabertura de todos os shoppings da cidade mas também pela consequência mortal dessa medida. De acordo com boletim divulgado pela Secretaria de Saúde na noite de ontem, houve um total de 551 novos casos detectados da COVID-19 durante 24h, ou seja, um aumento de 96% se comparado ao número do dia anterior. Trata-se da maior quantidade diária de infecções desde o começo da pandemia no DF.

Além disso, esta semana que iniciou com a abertura de praticamente todo o comércio entre segunda e terça-feira já tem um número total de mortes superior ao mês de abril inteiro. E não estamos nem próximos ao final de semana, momento em que comumente as pessoas saem para fazer suas compras no comércio e os shoppings ficam lotados. Como exemplo dessa grande circulação de pessoas que a reabertura das lojas ocasionam, foi publicado no G1 que, após uma hora do início das atividades em um shopping da Asa Sul, foram contabilizadas mais de 2.036 pessoas circulando no local. Tudo isso em plena terça-feira.

Apesar de todo esse cenário aterrorizante, o Governo do Distrito Federal não para por aí e já está pensando em retornar com as atividades até das academias. De acordo com a secretária de Esporte e Lazer, Celina Leão, a pasta estuda reabrir esses estabelecimentos na próxima semana, pois, segundo ela, o coronavírus só “ataca pessoas que têm comorbidades”. Contudo, os dados divulgados pelo próprio GDF demonstram que apenas 13% dos mortos apresentavam alguma outra doença.

Na verdade, as estatísticas comprovam que o fator que mais pesa nessa pandemia é a miséria. As regiões com mais óbitos “oficialmente” registrados até o momento coincidem com o mapa da pobreza no DF. Nesse sentido, apesar de terem praticamente o mesmo número de moradores, o Plano Piloto, região mais nobre da cidade, possui 8 mortes no total enquanto Ceilândia tem um número 3 vezes maior. Já Samambaia tem quase 4 vezes mais falecimentos decorrentes de COVID-19 do que a quantidade somada do Lago Sul, Lago Norte, Parkway, Sudoeste e Jardim Botânico.

Levando em consideração que a maior parte da população dessas duas cidades está empregada no comércio e no setor de serviços em geral, o decreto do governador liberando lojas de rua e shoppings a funcionarem é uma sentença de morte para a classe trabalhadora da cidade. Dessa forma, com o aval de Bolsonaro e dos militares que dão suporte ao governo federal, Ibaneis Rocha transforma Brasília em um laboratório para o fim da quarentena em todo o Brasil, sem se importar com o destino do povo pobre que será utilizado como verdadeira cobaia nesse experimento macabro.

Com isso, apesar de Ibaneis ter afirmado recentemente que a “a curva está estabilizada no DF”, vemos com esse decreto que a única coisa que está sob controle é a garantia dos lucros das empresas. Frente a esses ataques, é extremamente necessário o fechamento de todos os serviços não essenciais, pois é um crime que os trabalhadores sejam obrigados a voltar ao trabalho se expondo ao vírus sem a garantia de testes para satisfazer o luxo de seus patrões que querem encher os bolsos. Também são necessárias licenças garantindo 100% dos salários (sob responsabilidade da empresa e do Estado) para toda pessoa infectada ou do grupo de risco, assim como uma proibição categórica de demissões e que todos possam receber um auxílio no valor mínimo de R$ 2000,00 para que consigam se manter em meio à crise.




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