Política

CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES

CUT lança campanha midiática contra as privatizações, mas é preciso passar das palavras à ação

Contra as privatizações que estão nos planos de Guedes e Bolsonaro, a CUT, direção sindical dos trabalhadores dos principais setores estratégicos do país, lançou nesta terça, 24, uma campanha para ser veiculada nas redes sociais e grandes meios de comunicação. Mas a pergunta que fica é: onde estão os planos e as campanhas para organizar os trabalhadores das estatais? A recente greve dos petroleiros na Bahia, resistindo à tentativa de entrega histórica da Petrobrás, deveria apontar o caminho.

quinta-feira 25 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Reprodução/Sindpetro BA

A campanha foi aberta com uma live em que participaram diversos parlamentares do PT, PCdoB e PSOL e algumas direções sindicais das categorias mais estratégicas do país, como petroleiros, bancários, eletricitários, trabalhadores dos correios, trabalhadores das empresas públicas e estatais que estão na mira dos planos entreguistas de Guedes e Bolsonaro.

Na abertura da live, Ariovaldo de Camargo, membro da Executiva Nacional da CUT, declarou que a campanha “Não deixem vender o Brasil”, a ser veiculada a partir desta quarta, 25, em rede nacional “é uma das campanhas mais importantes que a CUT vai desenvolver no próximo período, no sentido de conscientização da sociedade”. Junto com esta, a central revisita também a campanha “Na pressão”, plataforma on-line para cobrar dos parlamentares ações contra a venda das estatais.

Mas qual é o plano para organizar a luta dos trabalhadores das estatais?

Bom, esse foi o grande ausente da abertura dessa campanha. Ainda que alguns poucos dirigentes sindicais tenham apenas mencionado a importância da unidade entre os trabalhadores das estatais, a tônica dominante da live foi a de separar as importantes medidas de conscientização da população de qualquer iniciativa de organização dos próprios trabalhadores das estatais.

Isso se expressa quando o próprio Ariovaldo diz que “campanha de defesa das estatais é para buscar e conscientizar a sociedade de que a discussão sobre as estatais não é dos trabalhadores das estatais, (…) é de uma empresa pública, construída com recursos públicos e que serve à população brasileira”. Ou mesmo quando Juvândia Moreira, dirigente da CONTRAF/CUT (bancários), afirma que “A CUT acerta nessa campanha porque não é uma questão corporativa, não são os bancários quem tem que defender o Banco do Brasil.”

De fato, uma campanha consequente de defesa das empresas públicas e estatais não pode ser encarada de maneira corporativista, o que significaria afastar o apoio crucial da população nesta luta. Mas não organizar a luta de maneira corporativista não significa escamotear o papel que os trabalhadores desses setores estratégicos podem cumprir, inclusive para mostrar à população que a luta contra a privatização é a mesma luta por serviços públicos de qualidade.

Um exemplo importante dessa aliança fundamental entre os trabalhadores estatais pode se desenvolver se os petroleiros, que tem se mobilizado em todo o país e na Bahia chegaram a fazer uma greve de 24h esta semana, aproveitam esse cenário para fazer uma forte greve que barre as privatizações mostrando a toda população que os combustíveis estão caros justamente devido a privatização.

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Quando a CUT afirma que a campanha midiática vai ser a mais importante do próximo período sinaliza que sua aposta vai ser na pressão parlamentar e na amplitude midiática, mas não na organização dos trabalhadores que, por sua vez, seria o único fator decisivo para qualquer campanha de pressão parlamentar e conscientização da população ser efetiva.

Pois, se a unidade das forças golpistas como STF e militares, por exemplo, vai mostrando as suas fissuras, a força capaz de terminar de abalar essas estruturas está na unidade dos trabalhadores com o conjunto da população, quebrando as divisões impostas pelas burocracias sindicais. Como expressamos em nosso editorial:

“Por isso, enquanto a unidade das forças golpistas se desmorona é preciso agitar fortemente para que o PT, a CUT e a CTB deixem de lado a passividade e sua "quarentena eterna" da luta para voltar às bases e organizar a luta dos trabalhadores.

As mazelas que a população sofre diante da pandemia com milhares de mortos pela Covid-19, com toda a classe trabalhadora que é linha de frente enfrentando péssimas condições de trabalho, com o fim do auxílio emergencial, com o desemprego e a precarização já começam a se expressar em lutas parciais de resistência como a dos trabalhadores da Ford, dos professores em São Paulo e outros estados, dos petroleiros, dos trabalhadores da saúde e terceirizados.”




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