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Bolsonaro e Globo deixam de lado as diferenças defendendo o golpe na Bolívia

segunda-feira 11 de novembro| Edição do dia

Diante do golpe orquestrado pelas polícias e pela Igreja e legalizado pela Organização dos Estados Americanos, Jair Bolsonaro e a Rede Globo voltaram a defender exatamente a mesma coisa: ataques aos trabalhadores e ao povo pobre, ataque aos direitos políticos e submissão total aos interesses dos Estados Unidos de Donald Trump.

As diferenças entre Globo e Bolsonaro, que levaram o último a acusar a emissora de patifaria quando esta veiculou a denúncia do porteiro que vincula o nome do presidente ao assassinato de Marielle, parecem ter ficado completamente de lado, seja pelo golpe na Bolívia (ou seja também pela liberdade de Lula).

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Enquanto forças policiais, grupos extremistas religiosos, e a auto intitulada direita "cívica" persegue os membros do governo, sindicalistas, grupos indígenas, levando adiante um verdadeiro golpe que depôs o governo de Morales, a imprensa golpista e o Presidente Jair Bolsonaro tentam passar a imagem de que tudo seria resultado natural de supostas fraudes nas eleições - como se o golpe na Bolívia fosse um movimento espontâneo. Movimento midiático igual à este, protagonizado pela imprensa, vimos ocorrer durante o golpe institucional de 2016 no Brasil, guardando as devidas proporções.

Jair Bolsonaro foi longe na teoria das fraudes e ainda defendeu que, na Bolívia, deveria-se aplicar o voto impresso para prevenir supostas fraudes. Porém, na Bolívia não há urna eletrônica e todo voto é impresso.

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Mas cabe lembrar que isto não é mera ignorância: a eleição mais manipulada da história da Nova república brasileira foi justamente a de Jair Bolsonaro, com direito à cargo de Ministro para o juiz Sérgio Moro, depois deste ter preso a concorrência - Lula, solto no último dia 09.

A Globo, por sua vez, não é de hoje que é grande apoiadora de ingerências imperialistas, golpes militares e golpes institucionais, operações midiáticas, políticas e militares, contra líderes que representam obstáculos nos seus planos capitalistas. A Globo é uma grande porta voz de todas operações de Trump contra a Venezuela. E se não fosse esta junto com a Lava Jato - com apoio do STF -, Bolsonaro jamais teria sido eleito.

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Globo se esforça para fazer parecer que o que ocorre na Bolívia é uma revolta popular - como a do Chile por exemplo - como se o problema fossem fraudes eleitorais - fraudes estas que sequer foram comprovadas ou apuradas. Não há nenhuma apuração no ar, aliás, o que há é o uso político disto pela direita colocar em andamento um perigoso golpe policial-religioso e militar contra a classe trabalhadora, o povo indígena, as mulheres e os LGBT.

Junto à isso, o imperialismo que avalizou tudo através da OEA, tenta se relocalizar na América Latina após alguns contra-tempos - colocando entre estes a revolta no Equador e no Chile, que colocam em questão o domínio dos partidos que são sócios diretos de Trump.

Desgastado, Evo Morales se mostra incapaz de combater a extrema-direita nas ruas. Um golpe destes que não tenha resistência pode gerar uma catástrofe para o povo boliviano.

Por isso, mais do que nunca, é crucial a solidariedade da classe trabalhadora latino-americana, junto à juventude, às mulheres e a luta anti-racista. Pois é somente no combate contra esta tendência internacional que é possível derrotar o golpe na Bolívia, no Brasil derrotar Bolsonaro e os planos de Guedes e fazer os capitalistas pagarem pela crise, assim como no Chile, Haiti, Equador, na Argentina e em toda a América Latina.




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