Política

ANULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES DO LULA

Atores do golpe institucional, de Maia à rede Globo, acenam de volta ao discurso de Lula

Discurso de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na tarde desta quarta, 10, embora tenha sido contundente contra Sérgio Moro e o governo Bolsonaro, não poupou acenos favoráveis a diversos setores que estiveram por trás do golpe institucional. A repercussão na grande mídia mostra que esta recebeu o recado e acenou de volta com uma cobertura que mostrou abertura à movimentação do ex-presidente como peça fundamental da política nacional.

quinta-feira 11 de março| Edição do dia

Foto: Adonis Guerra / CUT

O ex-presidente Lula, em seu discurso na tarde desta quarta, 10, buscou carregar nas tintas de esquerda para se dirigir à sua base social, antagonizando com a política espúria do governo Bolsonaro frente à pandemia, que bateu novo recorde diário de mortes pela covid-19, dizendo também que é contra as privatizações, contra as ingerências do mercado financeiro, que sua prioridade são as condições de vida da maioria da população.

Não é por acaso, no entanto, que essas “tintas de esquerda” do discurso de Lula sequer tocaram nos ataques históricos à condição de vida da maioria da população, como a lei do teto de gastos (PEC do fim do mundo) e as reformas trabalhista e da previdência, que nada mais são do que a consolidação da obra econômica do golpe institucional.

O silêncio em relação a essas questões é a base do aceno a seus principais interlocutores em seu retorno ao xadrez político nacional: os setores por trás do golpe institucional. Com direito a elogios ao próprio lavajatista Edson Fachin e inclusive defendendo mais armas para o exército e a polícia entre outros acenos, Lula quer fincar novamente a sua viabilidade para administrar o capitalismo brasileiro, mantendo o legado golpista dos principais ataques ao conjunto da população num eventual retorno do PT ao governo federal.

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Os setores do golpismo institucional demonstraram que receberam o recado e acenaram de volta com manifestações nas redes e coberturas jornalísticas que mostraram, ainda que em diferentes nuances, bastante abertura à movimentação do ex-presidente em seu retorno como peça chave à política nacional. Para isso, lançam mão da comparação de Lula com Bolsonaro, seja nos tweets de Rodrigo Maia, seja com a colunista de O Globo, Miriam Leitão, ressaltando a sensatez do ex-presidente em relação à pandemia. Após a coletiva de Lula, também a GloboNews ajustou seu enfoque, que passou de um discurso que criticava, até então, de forma veemente a polarização Lula x Bolsonaro, tentando emplacar um espaço para uma “terceira via”, para um discurso que diminui o tom do “extremismo” do ex-presidente.

Mas para além das nuances, boa parte dos conglomerados midiáticos fizeram coro em ressaltar, no discurso do ex-presidente, os momentos em que ele acena “para fora”, principalmente para o centro. Como disse Thiago Flamé, “a reabilitação de Lula é a melhor aposta para a classe dominante para uma retirada organizada, que mantenha os ataques dos últimos anos sem provocar uma grande revolta de massas. Mas o discurso conciliador de Lula não vai resolver nenhum dos problemas que afetam a classe trabalhadora o povo brasileiros, não vai anular as reformas e as privatizações. Somente a luta classe trabalhadora e do povo pode reverter os enormes ataques dos últimos anos. Lula perdoou os golpistas, o povo não perdoará”.




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