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DEPRESSÃO

Atendimento e internação por depressão cresce 115% entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil

De 2015 a 2018, entre jovens de 15 a 29 anos, o crescimento de registros de atendimento e internação relacionados à depressão aumentou 115%. É simbólico que o aumento exponencial tenha se dado na juventude que sente fortemente os impactos da crise com a falta de direitos, educação, endividamento e desemprego.

terça-feira 17 de setembro| Edição do dia

Dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça-feira apontam um crescimento considerável de atendimentos ambulatoriais e internações no pelo SUS relacionados à depressão. Tais atendimento passaram de 79.654 para 121.341 entre 2015 e 2018, totalizando um acréscimo de 52%. Na faixa etária de 15 a 29 anos, o crescimento foi de 115%.

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Ainda que não seja possível mensurar em que medida esses dados expressam um aumento do número de casos, ou, por outro lado, um aumento na procura do serviço por parte dos jovens, a primeira possibilidade não é descartada pelo Ministério da Saúde.

É simbólico que o aumento exponencial tenha se dado não somente entre a juventude, que sofre diretamente os impactos da crise mundial, como precarização do ensino, desemprego, perda de direitos trabalhistas e previdenciários. A mesma faixa etária que compõe o maior setor de indivíduos deprimidos, também está entre os maiores inadimplentes e desempregados: 25% da população com nome sujo está entre 18 a 30 anos e 41,8% das pessoas em situação de desemprego estão entre 18 a 24 anos.

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Dados acerca de casos de violência autoinfligida também chocam: entre 2011 e 2018, foram notificados 339.730 casos deste tipo. Deste total de casos, 33% deles classificados como tentativa de suicídio. Os jovens também são a maior parte deste grupo, sendo que a faixa etária de 15 a 29 anos representam 45% do total.

Destes casos notificados, de violência autoprovocada ou tentativa de suicídio, estudantes são 30% das notificações, sendo o grupo com maior proporção, seguido pelas donas de casa (23%). Também é igualmente simbólico que sejam os estudantes a maioria dos casos: os cortes de Bolsonaro à educação, muito diferente do que afirma, atacarão todas as esferas do ensino público, do básico ao superior. Também são os estudantes que se levantaram e se colocaram como linha de frente contra este governo que nos reserva um futuro miserável.

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Com o avanço do sucateamento do SUS, jovens podem ficar ainda mais vulneráveis do ponto de vista da assistência psicológica que possam vir a necessitar. Ao contrário do que prega a indústria farmacêutica, que quer dopar e entorpecer crianças e jovens, é necessário repensar a medicalização dos sujeitos, partindo para medidas que busquem encarar de frente este problema de saúde pública. A destruição dos CAPES e o desmonte de políticas de atendimento psicológico que estejam além da mera terapia medicamentosa afetam diretamente a população ainda mais vulnerável.

A crise capitalista aprofunda ainda mais as miseráveis condições de vida dos trabalhadores e da juventude, retirando de toda a população qualquer perspectiva de um futuro digno. O suicídio, uma das principais causas de morte no mundo, não por acaso cresce exponencialmente entre os setores mais brutalmente atacados pelas políticas neoliberais e de extrema-direita, não somente no Brasil como no mundo.

Precisamos questionar não somente os governos que avançam com medidas que buscam descarregar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores e da juventude, e mais que isso, fazem com que jovens, mulheres, negros, indígenas e LGBTs paguem com suas vidas. É preciso questionar profundamente as bases deste sistema irracional, pautado na exploração de uma classe por outra, impondo aos explorados e oprimidos uma miséria brutal.

É necessário batalhar por uma sociedade livre dessas amarras colocadas de uma classe sobre a outra, para oferecer uma perspectiva a todos os setores oprimidos da sociedade que desistem de suas vidas por não suportarem mais essa miséria. Batalhar para que esta sociedade se modifique desde suas raízes mais profundas, para que todos possamos controlar nosso próprio destino, escolas, fábricas, nossa saúde e viver uma vida livre de opressão e exploração.




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