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Rumo ao 2 de outubro | A unidade que pode combater o bolsonarismo não é com a direita e com burgueses como quer o PT

Ao invés de organizar uma luta independente e pela base dos trabalhadores em aliança com a juventude, com os povos indígenas e oprimidos rumo aos atos que estão sendo convocados para o dia 2 de outubro pelo Fora Bolsonaro, o PT prefere selar acordos e unidade com partidos como PDT, PSB, REDE, Solidariedade e Cidadania. A unidade que pode combater o bolsonarismo e os ataques é a da nossa classe, e não com partidos burgueses e que apoiaram o golpe de 2016 que significou mais ataques em nossas costas.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

sexta-feira 17 de setembro | Edição do dia

Imagem: Reprodução

Gleisi Hoffmann, presidenta do Partido dos Trabalhadores e deputada federal, publicou hoje em seu twitter que o PT e demais partidos como PSB, PDT, PSOL, PCdoB, REDE, PV, Solidariedade e Cidadania se reuniram em Brasília e decidiram se unificar na construção e chamado dos atos do próximo 02 de outubro, contra Bolsonaro.

Também declarado em suas redes sociais, “só a união de forças políticas pode derrotar o golpismo, marcando o Dia Internacional da Democracia com quem defende as liberdades e a soberania popular”.

A contradição e hipocrisia se mostram fortemente nessas declarações. Isso porque, com exceção do PCdoB e PSOL, todos esses partidos que, nas palavras da presidenta do PT, “defendem as liberdades e soberania popular”, apoiaram o golpe institucional de 2016, assim como são partidos que estão de mãos dadas com o STF e o Congresso Nacional para aprovar os ataques neoliberais de Bolsonaro e Mourão.

Cada vez tem ficado mais claro que gritar “fora Bolsonaro” por si só não se configura como oposição real ao projeto de país que querem implementar. Isso se expressa ainda mais com as recentes manifestações supostamente de oposição ao governo federal, convocadas pelo MBL, PSDB, dentre outros partidos da direita.

Leia mais: 12S: MBL golpista convoca manifestação para fortalecer a direita que levou Bolsonaro ao poder

Para derrotar o discurso golpista de Bolsonaro, sua ideologia e política reacionária e apresentar uma saída oposta ao que está colocado hoje para a população brasileira, é preciso se enfrentar com todo este regime político que descarrega a crise sobre nossas costas e nos faz padecer na fome, desemprego, Covid, corte de direitos e miséria.

Para isso, é preciso defender a mais ampla unidade entre todas as categorias de trabalhadores pelo país, os indígenas em luta, a juventude que vê seu direito ao futuro sendo arrancado e todos os setores oprimidos. Somente essa unidade será capaz de derrotar cada um dos ataques que têm sido aprovados e não uma “união de forças políticas” que se alia com nossos inimigos de classe que, se pedem a saída de Bolsonaro, ao mesmo tempo apoiam os projetos de privatização, reformas e demais ajustes de mãos dadas com o próprio governo federal.

No lugar de comemorar aliança com partidos de direita e que aprovam ataques contra a classe trabalhadora, PT e PCdoB que dirigem grandes centrais sindicais como a CUT e a CTB, deveriam estar construindo o dia 02 de outubro em cada sindicato e local de trabalho, com reuniões e assembleias que possam discutir a situação vivida pelos trabalhadores hoje e organizar a nossa classe para de fato enfrentar todos esses ataques. Não fazem isso justamente porque sua estratégia é outra: fazer Bolsonaro sangrar e costurar acordos com a direita e a burguesia para eleger Lula em 2022. E, infelizmente, parte da esquerda segue essa política de adaptação ao regime e conciliação de classe do PT e Lula.

Vemos em distintas regiões do país hoje despontarem focos de resistência e mobilização, greves isoladas, que estas centrais sindicais deveriam estar colocando seu peso para não só apoiar, mas para unificar todas as categorias, organizando a única força capaz de derrotar cada corte de direito, cada ataque anunciado.

Igualmente o PSOL, que estava nesta reunião em Brasília, poderia estar colocando o peso de suas figuras, parlamentares, entidades sindicais e estudantis e movimentos sociais que dirige e constrói para apontar uma política independente, exigindo das centrais sindicais que rompam com sua trégua e organizem os trabalhadores. A luta contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques, não cair ser subordinada a partidos burgueses e de direita que assumem hoje discursos supostamente mais democráticos.

Para defender as liberdades democráticas e soberania popular, para derrotar Bolsonaro, Mourão, cada ataque em curso e para apresentar uma saída que de fato atenda todas as necessidades dos trabalhadores, é preciso lutar para impor uma assembleia constituinte livre e soberana. Somente um processo assim, levantado por nossa mobilização, garantindo que a direita não irá se apropriar dela, pode colocar nas mãos da maioria da população as mais importantes decisões sobre os rumos do país. Dentre as medidas que poderiam ser votadas está a anulação de todas as reformas aprovadas desde o golpe institucional, o combate à fome, o desemprego, o fim do pagamento da dívida pública e os direitos dos setores oprimidos, como as mulheres, indígenas, negros e LGBTQIA+.




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