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A administração de Biden manterá a embaixada em Jerusalém

Foi confirmado nesta terça-feira por Antony Blinken, candidato a Secretário de Estado. A declaração indica que os Estados Unidos seguirá apoiando a violenta opressão do povo palestino por Israel.

sábado 23 de janeiro| Edição do dia

A administração Biden manterá sua embaixada de Israel em Jerusalém, segundo o candidato a Secretário de Estado, Antony Blinken. Com ele, a administração mantém uma das decisões mais controversas do ex presidente Trump em termos de política exterior.

A declaração assinala uma continuação do apoio dos Estados Unidos a opressão da Palestina, já que tanto o presidente Biden como a Vice presidente Harris são partidários incondicionais de Israel.

Blinken realizou comentários em sua audiência de confirmação na terça-feira, em resposta a uma pergunta do Senador republicano Ted Cruz. “Está de acordo que Jerusalém é a capital de Israel e se compromete que os Estados Unidos mantenha nossa embaixada em Jerusalém?” perguntou Cruz. Blinken respondeu: “Sim e sim”.

Trump anunciou em Dezembro de 2017 que transferiria a embaixada dos estados Unidos. Em seu discurso disse: “Hoje finalmente reconhecemos o óbvio: que Jerusalém é a capital de Israel. Isso não é nem mais nem menos que um reconhecimento da realidade”. Vinte e dois anos antes, o Congresso havia aprovado a Lei da Embaixada de Jerusalém que ordenava a transferência da embaixada. No entanto, os presidentes anteriores recorreram a uma exceção para postergar a transferência e evitar assim prejudicar as frágeis conversações de paz e alienar aos países vizinhos da região.

A nova embaixada em Jerusalém se inaugurou em maio de 2018. Desde então, somente Guatemala seguiu o exemplo dos Estados Unidos; a União Europeia e as Nações Unidas pediram aos países para não transferir suas embaixadas até que se alcance um acordo de paz entre israelenses e palestinos e se resolva a condição de Jerusalém.

Tanto Biden como a Vice Presidente Kamala Harris tem um longo histórico de apoio inquebrantável a Israel. Biden qualificou o apoio dos Estados Unidos a Israel de “imóvel” e, como parte da administração Obama, defendeu as ações de Israel em vários ataques mortais contra Gaza. Na Operação Margen Protector de 2014 morreram mais de 2.000 palestinos, entre eles mais de 500 crianças. Incrivelmente, em um ato em 2013 como Vice Presidente, Biden chegou a dizer que “se não houvesse uma Israel, [os Estados Unidos] teriam que inventar uma para assegurar de que nossos interesses se preservem”.

E ainda que frequentemente Harris se apresenta como se estivesse á esquerda de Biden, é possível que se situe mais a direita deste no que diz respeito a Israel. Ela pronunciou várias vezes discursos no grupo de pressão pro-israelense AIPAC [Comitê de Assuntos Públicos dos estados Unidos e Israel] e se reuniu com o primeiro ministro direitista Benjamin Netanyahu. Como senadora, uma das primeiras resoluções que copatrocinou foi a que condenava ao Governo de Obama por se abster em uma votação do Conselho de Segurança da ONU para condenar os assentamentos israelenses na Cisjordânia. O site da campanha de Biden e Harris afirma que o apoio “inquebrantável” a Israel continuará sob sua administração.

Nesse contexto, a declaração de Biden de terça-feira é um sinal do que está por vir no novo regime. As políticas de Biden sobre Israel serão provavelmente uma continuação da administração Trump, não uma ruptura.
De fato, Biden pode inclusive ajudar a escorar o apoio bipartidário a Israel ao distanciar o tema de Trump. Em uma entrevista com Jewish Insider, o ex presidente da Liga Antidifamação, Abe Foxman, declarou que “Biden construirá o bipartidarismo e assegurará de que Israel não seja politizado”.

Como também ilustrou o reconhecimento de Biden a Juan Guaidó como presidente da Venezuela, o imperialismo nos Estados Unidos é um assunto bipartidário. Democratas e republicanos por igual tem presidido a opressão violenta em todo o mundo e na Palestina, e mantém e financiam o apartheid e a agressão de Israel. Para os palestinos e a classe trabalhadora internacional, que tem sofrido durante muito tempo sob a bota do imperialismo estadounidense, não há mal menor. Como socialistas, não podemos apoiar a administração Biden. Devemos ser antiimperialistas e nos unirmos para exigir o direito a plena autodeterminação nacional dos palestinos.




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