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EDITORIAL MRT

600 dias sem Marielle e Anderson

Há 600 dias do assassinato de Marielle e Anderson, este tema continua sendo uma ferida aberta do golpe institucional. Diante da menção direta de seu nome na investigação, Bolsonaro saiu a ofensiva, atacando a mídia e associando ao desejo de seus opositores de trazer para o país as massivas mobilizações que tomam de assalto o Chile. A paranoia do clã bolsonarista revela como o maior temor da burguesia é a luta de classes. A mobilização é o caminho para exigir do Estado que investigue e puna os criminosos responsáveis.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

segunda-feira 4 de novembro| Edição do dia

Na última semana a investigação do caso tomou conta do cenário político nacional quando através de um testemunho se potencializaram as ligações da família Bolsonaro com os assassinos de Marielle e Anderson. Entretanto, o assassinato que chocou o mundo inteiro segue na impunidade e em meio a uma guerra de versões que envolve ações completamente suspeitas como os próprios acusados aparecerem com supostas provas. É preciso retomar essa bandeira com toda a centralidade.

O nível de crise que atingiu o governo na semana passada fez com que o presidente Jair Bolsonaro aparecesse de forma completamente descompensada nas redes sociais abrindo "guerra" com a Rede Globo e toda a imprensa que estaria lhe acusando injustamente. Isso alguns dias depois de ter publicado o fatídico vídeo das hienas. Enquanto os ministros deste governo acabam comparando nossa inteligência com a de um peixe, o clã Bolsonaro entra em ação com novas verborragias como a do retorno do AI-5 para movimentar sua base bolsonarista mais dura e fascitizante num momento em que se vêem, justamente, acuados pelo novo ciclo da luta de classes na América Latina.

A associação direta feita pelos filhos de Bolsonaro é que a ligação do presidente com os assassinos de Marielle seria uma denúncia a serviço de trazer as manifestações chilenas para o Brasil. Não estaria nada mal o Brasil virar o Chile, e por isso na última semana viemos dizendo que por Marielle e Anderson é preciso fazer como os chilenos. Entretanto, o limite que está colocado para que o pesadelo bolsonarista se torne realidade são as direções das centrais sindicais como o PT e PCdoB, mas também através de seu peso na UNE, que fazem de tudo pra conter a luta dos trabalhadores e da juventude, separando suas demandas a todo o momento, apostando em saídas institucionais e eleitorais. Acreditamos que frente a esta estratégia, o PSOL não deveria se manter em uma convivência pacífica com as burocracias sindicais, ao contrário, seria necessário se colocar como um contraponto, uma alternativa.

Frente a esta situação que combine por um lado o enfraquecimento da Lava Jato mas o avanço das reformas ajustadoras contra os trabalhadores - apoiadas de forma entusiasmada pela Rede Globo e pelo STF - é que é preciso marcar com firmeza a batalha pela verdade diante do assassinato de Marielle e Anderson, e para que os responsáveis sejam punidos. Não podemos aceitar mais nenhum dia sem a verdade. Entretanto, isso não se dará sem uma forte mobilização.

Como colocou Carolina Cacau "Já está mais do que demonstrado que não podemos confiar nem por um segundo nesses canalhas. Que temos que impor com uma grande mobilização que a investigação e punição dos culpados seja efetivada, sem deixar que se naturalize que o Estado burguês pode seguir fazendo o que quiser com nossos mortos, até mesmo quando se trata de uma vereadora de esquerda. (...) Mas ao mesmo tempo não podemos ter nenhuma ilusão de que sem uma investigação independente, que trabalhe em paralelo e controle todo o processo, será possível chegar a alguma verdade. A investigação do Estado deve ser acompanhada e fiscalizada rigorosamente por uma investigação que seja independente, composta por defensores notórios dos direitos humanos, sindicatos, familiares, parlamentares do PSOL, movimentos sociais e todos aqueles que, ao contrário da polícia e do judiciário, não tem rabo preso com os capitalistas, com milícias e nem nenhum interesse em deixar impune alguém que matou uma parlamentar negra e de esquerda".

O novo ciclo da luta de classes na América Latina dá muito mais força para os trabalhadores e a juventude no Brasil enfrentarem os ataques de Bolsonaro, dos golpistas e dos capitalistas, dentre os quais a luta por justiça a Marielle e Anderson deve ser uma prioridade. Para nós do MRT essa é uma bandeira fundamental que queremos batalhar até o fim, por isso estaremos presentes nos atos convocados para amanhã por todo o país, batalhando por essa política de chamado à mobilização e para que façamos como os chilenos!




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