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Debate | 32,5mi empregos precários: a herança da reforma trabalhista que Lula-Alckmin não prometem revogar

32,5 milhões de brasileiros com trabalhos precários, segundo pesquisa da Fundação Arymax. Destes, 60,5% vivem de bicos. Os bicos passam a ser permitidos por lei na Reforma Trabalhista de Temer (MDB). Enquanto isso, Lula afirma que aliança com Alckmin é para governar, que por sua vez, se compromete com Temer que Lula não vai revogar nenhuma reforma.

sexta-feira 1º de julho | Edição do dia

Os bicos são legalizados por meio do modelo de trabalho intermitente, onde o trabalhador fica à disposição do patrão, e só é pago quando chamado para trabalhar, em geral recebendo menos que um salário mínimo por mês. Vale comentar sobre o expressivo número de pessoas que têm carteira assinada ou CNPJ ativo, mas tem funções com salário baixíssimo, assim como os informais, dos 32,5 milhões de informais, 6,9 milhões (21%) são trabalhadores formais com salários miseráveis.

Essa pesquisa foi usada como base para uma nota recente da CUT (Central Única dos Trabalhadores - a 5º maior central sindical do mundo e dirigida pelo PT). Na nota o tom é crítico ao trabalho precário, porém a política petista, inclusive enquanto governo federal, é de se apoiar na precarização do trabalho sob o falso discurso da garantia de trabalho. Na última semana, em reunião com empresários, o ex-presidente Lula (PT), afirmou que fará um “governo Lula-Alckmin", deixando claro o protagonismo de Alckmin, o ex-presidente ainda continua: "Aliança não é para ganhar, é para governar”. Deixando explícito, mais uma vez, que não irá mexer em nada que atinja as questões centrais do país, como, por exemplo, com a revogação integral da reforma trabalhista e os principais ataques feitos por Temer e consolidados pelo governo de extrema-direita de Bolsonaro e Mourão, com apoio do Congresso Nacional e balizados pelo STF.

Na mesma contramão do tom "crítico" do PT aos números da reforma trabalhista, aconteceu na última sexta-feira (24), um encontro onde Alckmin, o vice de Lula, garantiu a Temer, qu não por acaso também era vice do PT, que Lula não vai revogar reforma trabalhista e teto de gastos. O encontro entre o ex-presidente golpista Michel Temer e Alckmin aconteceu em São Paulo para discutir os "incômodos" que Temer estava em relação ao discurso e à campanha de Lula. Nunca é demais lembrar que Alckmin foi um dos apoiadores do golpe, defendeu a reforma trabalhista e como todos da sua raiz tucana (atualmente está no PSB), defende as privatizações.

O discurso petista em tom "crítico" as reformas é demagógico, porque na prática sua política é feita com Alckmin e seus interesses, que são opostos aos dos trabalhadores. Frente a isso é importante se destacar a atuação do PT na (des)organização dos trabalhadores, uma vez que dirige a maioria dos sindicatos do país através da CUT, que durante todo processo para a aprovação das reformas anti operárias e no governo Bolsonaro, desgastaram a insatisfação dos trabalhadores e sua disposição de luta em mobilizações estéreis e controladas, impedindo que se desenvolvesse uma força material organizada em cada local de trabalho, escolas e universidades que pudesse barrar o avanço da direita e do bolsonarismo com luta.

É verdade que a “Herança da Reforma Trabalhista: 32,5 milhões de empregos precários” (nota da CUT) é trágica para a classe trabalhadora brasileira, tão trágica quanto a paralisia da CUT ao longo dos anos pré e pós golpe ou mesmo o legado de terceirização que é uma marca dos governos petistas.

Leia mais no texto: “Por que a chapa Lula-Alckmin não é aliada na luta pela revogação integral da reforma trabalhista?".

Sabemos que a reforma trabalhista foi um ataque brutal que precarizou os postos de trabalho no país, arrochando salários, retirando direitos e deixando muitos trabalhadores à própria sorte quando são demitidos. Impulsionou o trabalho intermitente, uberização, obrigando as trabalhadoras gestantes a trabalhar, entre uma série de outros ataques. É necessário revogar integralmente todas as reformas! Para isso, não podemos semear ilusões nessa aliança com inimigos históricos dos trabalhadores, como faz o PSOL ao integrar a campanha de Lula. O caminho para barrar a reforma trabalhista, as demais reformas e reverter as privatizações é pela organização e luta de classes, apostando na força dos trabalhadores, levantando uma política de independência de classe.

Leia também: “Unidade para enfrentar o autoritarismo nas ruas” (Editorial do MRT).




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